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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DJALMA ANDRADE
(1894-1977)

Nasceu em Congonhas do Campo, Minas Gerais, em 3 de dezembro de 1894. Foi professor no Colégio Estadual de Minas Gerais. . Formado em Direito. Nomeado promotor de Justiça em Ouro Preto, não tomou posse para dedicar-se ao jornalismo e as letras. Atuou em quase todos os jornais e revistas em Belo Horizonte. No Estado de Minas assinava a coluna "A História Alegre de Belo Horizonte". Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia de Lisboa.

 

 

TEXTOS EM ITALIANO

 

 

 

ATO DE CARIDADE

 

Que eu faça o bem e de tal modo o faça,

Que ninguém saiba o quanto me custou.

— Mãe, espero em ti mais esta graça:

— Que eu seja bom sem parecer que o sou.

 

Que o pouco que me dês me satisfaça,

E se, do pouco mesmo, algum sobrou,

Que eu leve esta migalha onde a desgraça

Inesperadamente penetrou.

 

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,

Que será, minha mãe, Senhora nossa,

Para o pobre faminto que vier.

 

Que eu transponha tropeços e embaraços:

Que eu não coma, sozinho, o pão que possa

Ser partido, por mim, em dois pedaços.

 

 (Vinha Ressequida. S. Paulo: Monteiro Lobato & Cia Ltda, 1922)

 

 

MATER ADMIRABILIS

 

Quando eu entrei naquela igreja, estava

Nossa Senhora ao pé de Jesus Cristo;

Parecia que a santa me fitava

Como se nunca me tivesse visto.

 

― Não me conheces, Mãe?― E’ que eu pecava,

E vim para te ver e te contristo:

O rosto do teu filho o vício cava,

Mãe, minha Mãe, eis o que sou ― sou isto!

 

Mas noto em teu olhar um certo brilho …

Deixa que beije a fímbria do teu manto,

Talvez tu reconheças o teu filho.

 

Talvez fosse ilusão tudo que eu via:

Quando, de novo, olhei seu rosto santo,

Nossa Senhora, para mim, sorria.

 

 

A CRISTO CRUCIFICADO

 

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me deixaste prometido
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar, por isso, de ofender-te.

 

Tu me moves, Senhor; move-me ver-te
Pregado numa cruz e escarnecido;
Move-me ver teu corpo tão ferido
Sofrer afrontas e jazer inerte.

 

Move-me, enfim o teu amor eterno,
Que em não havendo céu inda te amara
E te temera não houvesse inferno.

 

Nada por teu amor minh’alma espera,
Pois se o que espero achar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

 

 

Artista

ARTISTA

 

Que graças pões, Maria, e que cuidado

No arranjo e na feitura do teu ninho!

Eu nunca vi um quarto de noivado

Feito com arte tal, com tal carinho...

 

Nas fronhas lindas e no cortinado,

Na alvura dos lençóis de puro linho,

Transparece o teu gosto requintado.

Benditas sejam tuas mãos de arminho!

 

No teu leito há talento, eu te asseguro,

E ninguém poderia, amor, supô-lo:

— Em tão pequena coisa, tanto apuro...

 

E eu penso vendo o teu bom gosto e zelo,

Se tal arte tu mostras em compô-lo

Que perícia terás em revolvê-lo!...

 

 

MEU FILHO

 

O meu filho, que é doce, que é inocente,

Quando comigo sai, luz que fascina,

Põe seus claros pezinhos, brandamente,

Nas marcas dos meus pés, na areia fina.

 

Ele segue-me os passos, inconsciente,

Mas uma estranha angústia me domina,

E calcando os meus pés mais firmemente

Meu coração, aos poucos se ilumina.

 

Sem saber, tu me obrigas, filho amado,

A procurar a rota mais segura,

A ter firmeza em cada passo dado.

 

Nunca dirás – que horror n’alma me vai!

Que te perdeste numa estrada escura

Por seguires os passos de teu pai!”

 

 

SONETO

 

Quando tu te casaste, lá na aldeia,
Entre flores e festa e muita fita,
Dizia todo o povo, a boca cheia:
— Vai se casar a moça mais bonita.

 

Eras, na voz, melódica sereia,
Eras, como fazenda, a melhor chita,
Eras tu quem, na dança, ais a meia
Mostrava, de maneira mais catita.

 

Eras a mais robusta das morenas.
Os teus cabelos negros, de veludo,
Tinham a maciez de penas.

 

Eras moça, dezoito primaveras,
O teu noivo dizia que eras tudo
E uma coisa eu bem sei que tu não eras...

 

(Vinha Ressequida. S. Paulo: Monteiro Lobato & Cia Ltda, 1922)

 

 

MINHA TERRA

 

Ó turista errante a caminhar à toa,

Olhos fatigados de mirar Paris,

Vem ver minha terra como é clara e boa,

Vem ver minha gente a trabalhar feliz!

 

Vem ver minha Minas como é linda e calma,

Ó turista errante, vai andando ao léu…

Que este clima puro robustece a alma,

- Sobe estas montanhas que acharás o céu.

 

Esta é Vila Rica, uma cidade exemplo,

Pisa bem de leve, passa devagar,

Ó turista errante, esta cidade é um templo.

Quem não tem vontade, Santo Deus, de orar!

 

Homens formidáveis que curtiram travos

Por aqui passaram, por estes recantos:

- Dizem as histórias que eles foram bravos,

Eu às vezes penso que eles foram santos.

 

Olha estas imagens, olha-as com carinho,

Santos semelhantes parecendo irmãos,

Foram todos feitos pelo Aleijadinho,

O monstruoso génio que não tinha mãos.

 

Olha estas ermidas, vasos, esculturas,

As capelas lindas, com seus lindos santos…

Quando chega maio, que alegria puras!

Cobrem-se de flores, enchem-se de cantos.

 

Esta é Diamantina, outrora onipotente,

Este é o Sabará gentil dos meus avós:

- São cidades mortas para toda a gente,

São cidades santas para todos nós.

 

Vem ver as mineiras, lindas esperanças,

Do seu peito brando é que a bondade emana;

Têm a singeleza de ovelhinhas mansas,

E o caráter de aço da mulher romana.

 

Vem ver o mineiro a levantar cidades,

Na labuta austera, cheio de virtude:

- o meu povo vence sem mostrar vaidades,

Minas se engrandece no trabalho rude.

 

Olha estas montanhas, têm o aspeto rudo,

São de ferro e aço, valem um tesouro!

- Aço e ferro juntos formam um escudo

A guardar de Minas o caráter de ouro.

 

Ó turista errante, a tua jornada encerra,

Não verás, por certo, entre países mil,

Terra mais bonita do que a minha terra,

Terra mais pujante do que o meu Brasil!

 

      ANGÚSTIA (1)

          O meu filho, que é doce, que é inocente
          Quando comigo sai, luz que fascina,
          Põe seus claros pezinhos, brandamente,
          Nas marcas dos meus pés, na areia fina.

          Ele segue-me os passos inconsciente,
          Mas uma estranha angústia me domina,
          E calcando os meus pés mais firmemente
          Meu coração, aos poucos, se ilumina.

          Sem saber, tu me obrigas, filho amado,
          — Que te perdeste numa estrada escura
          Por seguires os passos de teu país. 

          (Poemas de ontem e de hoje. Belo Horizonte:
            Oliveira, Costa & Cia, s.d.)

(1) Nos Versos Escolhidos e Epigramas. 3ª. edição.  (Belo Horizonte, 1952,  pág. 35-36, figura sob o título de “Luiz” e é o primeiro de uma série intitulada “Aos meus filhos”.

 

TROVAS DE BOM HUMOR

 

O cura de nossa terra,

cura dos mais refinados,

já me conhece de sobra

através dos teus pecados.

 

Tenho medo, faço alarme

quando Alice me sorri:

aos cinquenta anos quer dar-me

o que aos vinte lhe pedi...

 

Tua modista, senhora,

mostrou ter grande talento,

prendendo um chapéu de plumas

numa cabeça de vento!

 

Hoje só sedas consome

esta mulata supimpa:

- depois que sujou o nome

é que ela ficou mais limpa...

 

De tua boca engraçada,

fonte de loucos desejos,

eu nunca esperei mais nada

senão tolices e beijos.

 

Com setenta anos de idade,

a velha se confessou:

Pecado? Não. Só vaidade

de dizer que já pecou...

 

TEXTOS EM ITALIANO

 

Extraído de

MIRAGLIA, TolentinoPiccola Antologia poetica brasiliana.  Versioni.  São Paulo: Livraria Nobel, 1955.  164 p.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

CAPELLI BIANCHI

Ieri, diletta, ieri, mi strappasti
Un filo bianco, tra i capelli neri,
E dicendo : — "È il primo" — conservasti
li filo bianco, che trovasti ieri.

Ma poi, amore mio, tu pensasti
A quando sarem vecchi, e, tutfintieri
I miei capelli tu raffigurasti
Bianchi, come quel filo, a quei pensieri.

E ancora piangi ! . . . Bimba ! Tu sarai
Sempre amata da me. Ed al tuo fianco
Ognora tu mi avrai. Credilo, è il vero :

— Quando saremo vecchi, strapperai
Dal capo mio, quasi tutto bianco,
L'ultimo filo di capello nero.

 

MATER ADMIRABILIS I

Quanc’io entrai in quella Chiesa, stava
La Nostra Madre al pie' di Gesú Cristo.
Mi parve che la Santa mi fissava
Come se non nVavesso mai visto.

Non mi conosci, Madre ? È ch'io peccava
E perciò son venuto e mi contristo.
Il viso dei tuo figlio il vizio cava.
Oh ! Madre, Madre mia, non son che un tristo !

Ma noto nuova luce nel tuo ciglio
Ed io bacio la fímbria dei tuo manto,
Chissà se riconosci in me tuo figlio.

Forse m'illuse ciò che si vedeva,
Ma, quando riguardai il volto santo,
Vidi che la Madonna sorrideva.

 

ATTO   DI CARITÀ II

Ch'io faceia il bene e di tal modo sia
Che nessun sappia quanto m'è costato.
Madre, aspetto la grazia, che mi dia
La bontà, non per esserne lodato.

Che il poco che mi dai, sia cosa mia
E se del poco ancora c'è restato,
La briciola ch'io porti, a chicchessia,
Ove il dolor dei male è penetrato.

Che alia mia mensa in piíi ci sia un piatto,
Che sara, o Madonna, Madre mia,
Pel povero affamato ch'abbia attratto.

E ch' io gl'inciappi e gl'imbarazzi scarti,
Ma non mangi da solo il pan che pria
Non sia diviso da me in due parti.

 

UMILTÀ III

E che l'orgoglio mio sia l'umiità.
Potendo essere il piíi, ch'io sia il meno;
Che muoia in me la trista vanità
E ch'io sia tra i minori il piíi sereno.

Che il bene faceia con serenità
E che fugga dal mondo e dal disfreno;
Che si transformi in rosa di bontà
Quelio che in me fu spina e fu veleno.

Che la mia mano calmi ogni dolore
E che per me l'invidia altri non roda
E che, se luce avrò, venga dal core.

Ch'io veda nel piu povero l'uguale
E, se l'orgoglio avrò, l'orgoglio goda
Di essere il piu umile mortale.

 

           
 
Página publicada em agosto de 2015 ; ampliada em dezembro de 2015.


 

 

 
 
 
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