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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

CELINA FERREIRA

 

 

Nasceu em Cataguases, Minas Gerais. Reside no Rio de Janeiro.

Fonte: http://joaquimbranco.blogspot.com/

 

“Não há malabarismos óticos dentro dos versos e muito menos o espetáculo de palavras com picadeiro. Mas esta estabilidade também procede do temperamento da autora, e em Celina Ferreira, já pela própria temática, já pelo seu modo de ser, há razão para esta cadência romântica do verso.”   Affonso Romano de Sant´Anna.

 

A perspectiva da realidade da morte desponta na atmosfera do sono de Celina Ferreira. Numa espécie de coloração goyesca ela compara seu mundo de iluminação a um “umbral de flores sombrias, que se desata e dorme e adormece quando é dia”. Celina Ferreira renunciou à inspiração diurna. Não teve direito ao ócio, ao abandonar-se das horas. A vida colocou-a numa intensidade de trabalho que tem sido o túmulo de muitos bons poetas. Trabalho que, à margem da elaboração poética, absorve as horas, o tempo, a distância, a disponibilidade. Celina cumpre a tarefa de sua vida comum e cotidiana, com amor e vocação. Reservou-se o subterfúgio do sono como aparelho de fuga. Fuga não ao sentido da alienação e da omissão. Fuga para poder render melhor, espécie de solidão lucrativa.” Walmir Ayala

 

Nada apresenta de vacilante ou veleidade, de promessa ou subordinação, de fingimento ou artifício na temática. Celina Ferreira chega a um gabarito onde podia ficar. Não precisa mais crescer para ser grande.”  Mauro Mota

 

 

 

SALTO MORAL

 

Sondar a possibilidade do salto

e a profundidade do

abismo.

Formular o desenho preciso.

Vôo e queda, a mesma dimensão

e

altura.

Vôo e queda recortam no ar

a mesma figura.

 

Saltar de dentro

de si mesmo

Como quem pula o muro da infância,

A cerca que esconde os

pomares

do mundo e limita o corpo

e seu agreste crescimento. E

restringe

o homem e seu poder.

 

Saltar para o desconhecido

sem redes

sob o corpo.

 

O salto moral

 

Diante de mil trapézios oscilantes

e

luzes e o pavor dilacerante

da platéia. A comovente platéia

da

autopiedade

 

Saltar

para a verdad

 

 

*****

 

ESPELHO CONVEXO

Porto Alegre: Editora Movimento; Brasília, INL, 1973.

 

 

ESP

 

O tempo foi destruído

na fina face do espelho.

O ontem virou agora

o amanhã chegou mais cedo.

 

(Capto imagens

perdidas.

Brilho em pânico,

presa de um cristal

único.)

 

O tempo foi redimido,

distância não é segredo.

Mas o mistério profundo

é a pátima do espelho.

 

 

A MAÇÃ NO ESPELHO

 

sinto a impressão de vermelho,

compondo a densa maçã,

que, no espelho, é intocável

nesta severa manhã.

 

Mil espelhos reproduzem

a maçã iluminada.

São mil maçãs a que vejo

por mil faces cobiçada.

 

Retiro-a da fria côdea

de prata. Resta-me o espelho,

acusando a sua ausência,

no campo, outrora, vermelho.

 

 

SONATA EM DÓ MAIOR

PARA UM FLAUTIM

 

Sozinha, uma fonte,

ao longe, um flautim.

Por que não morrer de amor?

Por que sofrer só de mim?

 

O espelho do lago

cansou-se de mim.

No estojo frio e sem alma

ficou dormindo um flautim.

 

Mas a noite desenrola

o seu novelo sem fim...

 

 

ESPELHO E FACE

 

Procuro no espelho

a face remota.

Não aquela que é visível.

A que o vidro não comporta.

 

Retiro-a, sem medo,

descubro-a, ignota.

Não a face que percebo

em mim mesma, superposta.

 

Mas imagem lúcida,

clara e luminosa,

que cada dia enterrara

sob a face que está morta.

 

 

ESPELHO CONVEXO

 

Que reino lúcido,

liso e perfeito,

que se aprofunda

na superfície

do meu segredo!

Vejo-me: o duplo

de mim, liberto

no mundo líquido,

água, azulejo.

Move-se o duplo

sou eu que o vejo?

Elfo, no estanho

azul do espelho.

 

Colo meu rosto

à face esquiva

que me repete,

grave e precisa,

na densa tela

de prata líquida.

Beijo meu beijo

que me hostiliza,

mergulho os olhos

nos olhos duros

que me fustigam.

 

Além, meu duplo

zomba de mim.

Ri do meu riso

se me duplico

no seu sorriso

cúmplice e afim.

Eros e Anteros,

eu e meu duplo

no mundo, espelho

no mundo, espelho

que não tem fim. 

 

 

 

*Extraídos de um exemplar do livro ESPELHO CONVEXO, de Celina Ferreira, gentilmente doado pelo poeta Aricy Curvello, à Biblioteca Nacional de Brasília.

 

Página publicada em janeiro de 2008.



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