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Foto: http://www3.mt.gov.br

 

ACCLYSE DE MATTOS

 

Graduado em graduação em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1982), especialização em Propaganda e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing -RJ(1989); mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2000) e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso.

 

Extraído de 

POESIA SEMPRE. Ano 8 – Número 12 – Maio 2000.  Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura, Departamento Nacional do Livro, 2000. 

 

               Cerco

        Faça de conta que está chovendo.
         Não é difícil,
         esta semana tem chovido pouco.

         Agora pense que não muito longe,
         sitiando completamente a aldeia,
         estão as onças-pintadas.

         Seu pelo parece a sombra dos pingos da chuva
         e os bigodes de seu focinho
         têm pequenos diamantes de água
         não se sabe se gota ou saliva.

         Além de tudo isso é a época das cheias.
         As águas do Paraguai, do Cuiabá, do Piquiri
         ilham completamente a aldeia no Pantanal.

         Não há pontes. A pólvora estava no paiol
         que se inundou com um vazamento do teto.
         Armas de fogo falham sob a chuva.

         Entre os ranchos e as casa
         Folhas de acori e bolinha de bocaiuva
         caem com as rajadas de chuva.

         Falta pouco para a vingança.
         A aldeia cercada de onças
         vai ser comida do mapa.

         Estranha cidade-fantasma:
         Antes foi guerra do Paraguai
         depois pelejas de vaqueiros.

         Mas agora é que é fatal.
         As cheias do Pantanal
         e o sítio das onças pintadas
         fazem das gotas de água
         estranhas centenas de minifantasmas
         voando pelos quintais.

         Agora faça de conta que não existe o medo
         e espere seu fim
         com altivez.

         Afinal nada é melhor para a alma
         que vagar nos pantanais.

 

         Escarac

        Escorpiões do sol e aranhas da lua
         signos que por si
                          fazem os planetas girar
         quanto mais
         os círculos de gás dos lampiões
         da cabana sozinha sob o morro
         a primeira aranha
                                      quieta
                  entre as banquetas do alpendre
         jogamos álcool e fogo
         e ele saiu andando e ardendo
         como uma estrela azul
         com negras pernas

         A segunda aranha veio da roça
         de onde a haviam destocado
         e passou sob a ponte
                        antes de se crestar
         em chamas amarelas de algodão

         A terceira aranha
                   veio procurar as outras
         sob a pesada porta
         media quase um palmo
         de pêlo preto ambulante
         e sua queima impregnou
         todo o ar da noite com o cheiro de cachaça
         e sua estranha carne de algarismos

         A quarta aranha
                   quase nos lençóis
         diminuta e com bandas vermelhas
         todas na mesma noite
         esmagadas com líquidos cristais

         Os pais e os avós
         confabulavam sob a lua
         e as crianças podiam dormir
         sem susto diz a mãe

         Em todos os fevereiros
         sonho com a noite das quatro aranhas
         cruzando em chamas
         pela gleba nascente
         e poucas casas
         e o brilho azul movediço
         e os estalos de seus corpos
         como estrelas negativas  se apagando

                   22.2.98

 

Página publicada em maio de 2018


 

 

 
 
 
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