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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA

Coordenação de Salomão Sousa

 


VALDIVINO BRAZ

 

Nasceu em Buriti Alegre (GO), em 23 de novembro de 1942. Filho de Valdemar Alves Ferreira e Sebastiana Braz da Silva. Fez o curso primário no Grupo Escolar Coronel José Teófilo Carneiro, em Uberlândia, MG. Supletivo nos institutos Dom Abel e Rio Branco, em Goiânia. Formado em Jornalismo pela UFG (1984). É membro da União Brasileira de Escritores de Goiás. Possui várias premiações literárias, entre elas, o 1º prêmio no Concurso de Literatura José Décio Filho, Goiânia, 1985; Concurso Literário Departamento Estadual de Cultura/SESC – 1º lugar, 1972; 1º Festival “Travessia” de Poesia Falada, Goiânia, 1984; Prêmio José Décio Filho, 1985, com Tessitura do Ser; Prêmio Hugo de Carvalho Ramos, 1988, com Arabescos num chão de giz; Prêmio Cora Coralina (1990), com As lâminas de Zarb; Prêmio Nacional Cidade de Belo Horizonte, 1992, com A trompa de Falópio; Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 2002, com Poema da terra perdida. E, em 1997, recebeu da União Brasileira de Escritores/Goiás o troféu Tiokô de Poesia. 

 

Bibliografia: As faces da faca, poemas. Goiânia: Oriente, 1978; Cavaleiro do sol, contos. Goiânia: Oriente, 1977; As palavras por desígnio, poemas. Jornal O Estado de Goiás, 1984; Tessitura do ser, poemas. Goiânia: Cerne, 1987; O animal político de Aristóteles, 1990; Arabescos num chão de giz, 1988; A trompa de Falópio (1992); As lâminas de Zarb, 1990, pela Fundação Cultural Pedro Ludovico; Poema da terra perdida, 2002.

 

 

 

ALMANAQUE CALENDÁRIO 2020  AGENDA POÉTICA.
Editor: Edson Guedes de Moraes. / Jaboatão, Pernambuco/: Editora Guararapes, 2020.  162 p.  ilus. col.   - -

Inclui o poema “O CÃO NEGRO DOS SIGNOS”, de VALDIVINO BRAZ:


 

 

 

 

 

PASSOS PASSADOS

 

Passos que esbarram

nos cristais do orvalho

e roçam nas belas imagens

dos caminhos de pólen e pétalas

por onde pervagueia

minha infância descuidada

meus pulos descalços

ressoando no solo

E minhas mãos querendo alcançar

os pássaros que voejam

no claro espaço das manhãs

meladas de sol.

 

Passos que se apagam

nos remotos arrebóis

longínquos de mim.

 

Do livro A palavra por desígnio

 

 

Melancolia Telúrica

 

V

 

A hora mais triste da terra,

quando o sol se apaga e a dor é solitária.

Hora de amargura e desespero das almas.

 

Punge, confrange, apequena, aniquila,

faz-nos sofrer, a luz do dia

que pouco a pouco já não brilha.

 

Que agonia!

O que fazer para não morrer?

 

 

VI

 

A hora tristonha,

chapada pela luz agonizante do crepúsculo,

hora em que a terra parece não mover

um músculo sequer.

 

Os paturis se foram já embora,

logo a inquietante quietude das sombras

e os brilhos da noite imperam na água imóvel.

Vitrificada pelo reflexo da luz,

a lagoa se arredonda num espelho cósmico.

 

Ê mundo melancólico!

Ô lua sonambúlica!

 

Que noite é essa,

que a tudo abarca

pra Terra do Nunca?  

 

Do livro Poema da terra perdida 

 

 

O LABIRINTO EM FLOR

 

Pensar, pensar, até florir,

incendiar-se o labirinto em flor.

Arranjos florais de uma desordem

— girassóis-girândolas em chamas —,

O caos dentro de sua própria ordem.

Penso a palavra

e se deságuo emoção,

aí procura a razão.

No caos entre uma e outra,

me sustento.

O caos cria, desfaz, diferencia.

 

Não me construo com a forma,

antes me desmorono,

mais familiarizado com o fundo,

minha fôrma.

 

Pêndulo no fio de equilíbrio

— gangorra absurda

e um visgo de nada —,

crio vertigens,

vejo o fundo de sangue do que sou.

Imenso, o abismo de um verso.

 

Me solto do fio,

no fundo me arrebento,

e me incendeio.

Sílex, antes que Fênix.

 

 

OS PORTAIS DE AURORA

 

Ó estúpida,

Desgraçada lucidez!

Quantas auroras são em seu relógio?

 

A hora clara e o sol,

ovo estrelado

na frigideira do dia.

 

Tartarugas

— tártaras rugas —

num rolo de tarugos.

 

Este é meu chão.

Devo envelhecer-me ao sol,

apaziguar meu coração.

 

Do livro As lâminas de Zarb 

 

 

 

EXTRAÍDO DE

 

 

POESIA SEMPRE. Número  31 – Ano 15 / 2009.  Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura. 2009.  217 p.    ilus. col. Editor Marco Lucchesi.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

O mar dentro das palavras

O mar explode
 na milenar solidez das rochas,
a onda se estilhaça com os seus cristais
e a louça de sua conchas.
Do limbo abissal do oceano,
emerge o carbono,
o espírito
infinito da escrita.

Uma voz vinda do mangue sangra
emaranhado de vocábulos.
Arrebentam-se no mar as ondas de algas
oriundas do fundo negro de tudo.
Surge de limbo das águas
o ser das palavras
que se abrem feito feridas.

 

 

        Pequena morte ou coxas da metafísica

 

Prefiro o canto, a morte,
o gozo curvilíneo e incerto.
Prefiro o evento. O pássaro
não usa bússola. Sou mortal,
e não tenho escolha. Assim mesmo
escolho ser mortal. Não
desejo a morte, desejo a vida
pulsando do modo que a palavra
pulsa quando um homem em silêncio.
O Deus morto, sobre de nascença,
o Deus morto me escreve,
com tal ambiguidade
que uma folha em branco seria mais claro,
mas sou escuro e claro,
o corte do grafite no sol-chão
é desde sempre — falo do sempre humano.
Circulo círculos, amo as vírgulas e a pinta na nuca
da mulher nua
sonhando.
Prefiro o canto e a morte, apenas não posso pensá-la.
Escolho-a no canto e a morte, no canto vazio
da palavra que se diz a si própria, o próprio som,
a própria palavra retorcida,
existida antes depois no instante da palavra que escolho
para dançar outra palavra a fim de cantar o canto vazio
de um espelho sem olho quer lhe dê imagem e som.

 

 

Coisas para se fazer antes da morte

 

mobiliar os olhos ou a lua,
mobiliar o silêncio
ou a curva óssea do vento,
bailar a estrutura do tempo,
datilografar minhas chuvas
no quintal da mulher que me sonha,
anotar em casca de cebola
as nervuras da bolha de sabão,
beber o som do sol desfolhado
e, por fim, cravar no crânio
os desfiladeiros de algum pássaro.

 

 

Para uma tópica poética
do aparelho psíquico

 

Tenho mesmo de exercitar esse ser tão fora, esse ser tão dentro, essa
coisa que me recita com palavras tão escalenas e tão cheias de notícias
da morte. Noutros tempos, as palavras me defendiam de ouvir os ruídos perceptíveis nas próprias palavras: agora não, quase que só ouço ruídos, ou seja, pedaços daquilo que tanto tememos, a certeza que pode ser encontrada no bolso das pedras, ou na conversa de um homem consigo mesmos, quando ele se autoriza a ignorar o escândalo que provocaria no outro se comunicasse as palavras às quais ele se entrega, palavras que arruinariam qualquer esperança de que haja qualquer coisa além no bolso da pedra do que na própria pedra.

 

 


Página ampliada em outubro de 2018; ampliada em março de 2020


 

 



 

 

 
 
 
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