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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA

Coordenação de SALOMÃO SOUSA


 

OSCAR DIAS
(1939 — )

Nasceu em Santa Rosa do Viterbo (SP), em 29 de janeiro de 1939, mas está em Goiás desde 1950, onde formou-se em Direito e construiu sua obra literária. É jornalista e advogado, mas ele se define como “engraxate, poeta, jornalista, publicitário, advogado e vagabundo”. Perseguido pelo regime militar de 1964, volta a São Paulo, passa pelo Rio de Janeiro, e acaba retornando a Goiânia (GO).  Em 1966, publicou o livro de poemas Perfil em movimento, que foi saudado por Domingos Félix de Sousa, Brasigóis Felício e Basileu Toledo França. Aparece nas antologias A nova poesia em Goiás e Goiás, meio século de poesia, de Gabriel Nascente, e no livro A poesia em Goiás, de Gilberto Mendonça Teles. Tem livros inéditos de crônica e poesia.

 

 

SEGUNDO DELÍRIO

 

Não sei se é hora

de colher a fruta sanzonada.

Não sei.

Não sei mesmo até que ponto, exausto,

suportaria os ácidos sabores da espera longa.

Às vezes sinto o travor da morte, antecipado,

e o desânimo me aniquila debaixo dessa árvore.

E não consigo ao menos aproveitar-lhe a sombra.

 

A dúvida que me assola encontra a tua dúvida.

E nesse choque de emoções contidas pelo medo

a nossa vida se escoa lenta e trágica

até quando tentamos disfarçar a agonia

no risco torto e seco

onde não corre a seiva quente e olorosa

estancada na origem do sangue e da vontade.

 

O sentimento de ternura intemporal

fixou-se na minha alma e não sai mais.

E a minha impressão às vezes

é a de que ele chegou antes dos séculos.

 

As horas do relógio, os dias e os anos,

a ruga mansa envolvendo a tua boca,

nada me convence da existência do tempo

e que nos consumimos sem aproveitá-lo.

 

Uma coisa eu sei. E ela dói.

A fruta madura à minha frente é minha

e me espera.

E me espera até que o amor supere esta razão insana.

 

 

TERCETOS DE LAMENTAÇÃO

 

Falta o consolo que negaste ao meu sofrimento.

Um riso amigo ou palavra amena

que dissipasse essa tristeza longa e úmida.

 

Minha voz como um queixume te busca inútil,

e a amarga placidez da lua sobre os ramos

me agita o pensamento por estas sendas asfaltadas.

 

Se me inclino da bruma para ver os teus olhos

surpreendo apenas o vestígio morno dos teus cílios

e uma árida vontade de morrer me cobre o corpo.

 

Falta o consolo que negaste, graça indecifrável.

Um gesto simples ou semi-vago olhar

que me fizesse conservar a atenção de mim.

 

Quanto martírio para os meus poemas brancos

que de tão brancos, se transformarão em mármore.

Quanta maldade nesta pequena vida leve e branda.

 

As almas dos meus senhos irão em procissão

seguindo os rastros dos teus indefiníveis sonhos

e pousarão tranqüilas nas flores do teu cismar.

 

Não sentes, nesse modo alheio de enxergar o mundo,

o pesar profundo que inoculaste em mim

e a extraordinária falta que me faz o teu consolo.

 

 

POEMA 106

 

Sei de ti, até a rosa mais íntima dos teus anseios

de suspirar mais leve;

sei dos teus sonhos

e das lágrimas;

seu da tua profunda mágoa infinita de perder-se para sempre

além dos meus olhos e dos versos.

 

Sei de ti, amada,

como sei de mim.

 

Conheço o estranho ponto constelado

que tua pupila alcança mas não sente.

Sei de ti como de mim.

Da nossa tristeza,

dos caminhos que não caminhamos

e das dúvidas.

 

Sei de ti. Que me escorrerás pelos fios dos dedos

como a água,

e não tornarás, jamais, filha única da minha insônia.

 

Sei de ti como de mim.

Do amor (e se não for amor?).

Sei do destino,

do fado,

da fatalidade (sei lá)

que nos fez separados

quando somos o mesmo corpo-coração,

a mesma vida,

o princípio e o fim da natureza.



 

 

 
 
 
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