Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA
Coordenação de Salomão Sousa


CAIO MEIRA

 

nasceu em Goiânia (1966). Vive no Rio de Janeiro desde 1984. Graduou-se em psicologia e tem pós-graduação em Teoria Literária/Poética (UFRJ, 2002). Além de textos teóricos e artigos sobre literatura, publicou 4 livros de poesia: No oco da mão (UERJ, 1993), Corpo Solo (Sette Letras, 1998),  Coisas que o primeiro cachorro na rua pode dizer (Beco do Azougue, 2003) e Romance – poemas (Circuito, 2913).

Atua também como tradutor da língua francesa, tendo como principais publicações as edições brasileiras de dois livros do historiador e crítico literário Tzvetan Todorov: A literatura em Perigo e A beleza salvará o mundo, ambos publicados pela Editora Bertrand do Brasil (2009 e 2010). [Crédito da foto: © Luciana Lopes, 2013] LATTES

Página web do autor: http://www.caiomeira.com

 

Extraído de

 

POESIA SEMPRE.  Ano 12. Número 18. Setembro 2004. Revista trimestral de poesia.  Editor Luciano Trigo.   Rio de Janeiro, RJ: Fundação Biblioteca Nacional, 2004.  Ilus.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

         Escrito sobre a minha cara       

 

sou mesmo esse cara que aparece na minha cara, ainda que nem sempre apareça, por vezes me ausento, vou dar uma volta

não pense, porém, que fico do lado de dentro da cara, amarrado, carrancudo: a cara não presta para separar dentro e fora, eu e outro, meu e alheio

à cara, esse lugar como outro lugar, acontece mudar ao sabor de muitas coisas do mundo, visíveis, invisíveis, não necessariamente pertencentes a alguma intimidade

e quando digo a minha cara, talvez nem mesmo minha, ou minha porque andamos juntos, vou aonde ela vai, na maior parte das vezes

a cara, pelo menos essa minha cara, tem a vantagem de ser a coisa menos metafórica do mundo, não sendo outra coisa que não seja ela mesma, nem maior, nem menor, nem pior, nem melhor

por isso a cara não mascara nada, nunca mente, só mentiria se de fato, descarada, houvesse um único habitante nesse corpo que chamo meu corpo, se uma só pessoa viesse olhar através do cristalino dos meus olhos

a cara tem a cara que tem e nunca outra cara que não seja a cara que tem, matriz mutável de todas as caras daqui até o fim de tudo o que vier acontecer em sua superfície

seus trinta e tantos músculos, o ângulo duro de seus ossos e um punhado de paisagens e zunidos compõem e descompõem as facetas que uso para encarar o mundo

na lata, com essa cara de lata, resisto aos sopapos e beijo o que é vivo

 

Escritos que leio no escuro

1.

Edmond Jabès inventa para si suma máquina poética: ao acordar,
antes de se por ao trabalho, senta-se por tempo indeterminado
em sua poltrona. ali ficando sem fazer absolutamente nada.
Eu acrescentaria, sem poder saber se de algum modo ele o fez,
algum escuro à sua invenção. Ou alguma parede, qualquer
parede, que atenuasse as interpretações da imagens. É também
uma máquina de incorporação do silêncio à escrita, não o
silêncio teórico, mas o palpável, imediato. Ou uma maneira de
deixar agir as margens expostas das frases que o assombravam.

 

2.

Acordo às 4:3º da madrugada e me reconcilio, via Nelson Freire,
com o romantismo e com Chopin. Não escuto ali mais nada
derramado, bem sonante ou afetado: o tema da sonata brando,
límpido, contém muita fúria e indignação infinita, irrespondível.
O teclado se alastra pela escuridão, interrompido apenas pelos
leds dos aparelhos eletrônicos.

 

3.

Do Zaratustra, difícil ir adiante do prólogo, que avisa que o
homem é uma corda atada entre o animal e o além-do-homem:
não sendo uma explicação do homem, que permanece obscuro,
e se torna ainda menos inteligível, sou devolvido à vida que
atravesso, ao corpo que uso não apenas para respirar ou comer,
ou sonhar ou pensar, mas como abismo de meus passos.

 

Página publicada em junho de 2018


 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar