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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



BRASIGÓIS FELÍCIO

       Brasigóis Felício (veja aqui em sua página pessoal) tem 36 livros publicados, entre obras de poesia, conto, crônica, romance e crítica literária. Presidiu a UBE-GO (União Brasileira de Escritores, seção de Goiás) e ocupa a cadeira 25 da Academia Goiana de Letras. É detentor de dezenas de premiações literárias, e integra antologias de contos e poesias publicadas no Brasil e em outros países. De literatura marcadamente crítica de seu tempo, Brasigóis Felício enriquece a Literatura Goiana pela postura — assumida e necessária — de resistência.      
        A fortuna crítica sobre sua produção literária inclui estudos em universidades, jornais e revistas especializados do Brasil e do exterior. Pertence à geração literária que emergiu em Goiás a partir da década de 1970. A antologia No Barco dos dias – 30 anos de navegação poética reúne alguns dos poemas que marcaram sua produção poética do período.

TEXTOS EN ESPAÑOL / TEXTOS EM PORTUGUÊS

ALMA ATLÂNTICA
 
Brasigóis Felício
 
Não sou eu quem me navega
  Quem me navega é o mar.
       (Paulinho da Viola)
 
 
O mar navega o Ser,
nas tempestades
da palavra incendiada.
 
O poeta navega a esmo
no mar de dardos
de seus atos insensatos.
 
Em que oceano aceso
navega o poeta errante
na singradura do instante?
 
Uma vida morta
não tece a manhã
no sol do Ser.
 
Se não sou o mar
em eterna luta
e contradição,
eu me estanco
no pântano da mornidão.
 
Eu só desejo
amar no mar
o insondável
a revelar-se
em ritual de ser
limite e vastidão.
 
Amar no mar
que em tudo existe
a parte grande
da minha alma Atlântica
 
 
SETEMBRO ABSURDO
 
Brasigóis Felício 
 
Era manhã de setembro
e ela me chupava o membro. (1)
 
Era manhã iluminada
de um sol esplendoroso
quando, como em um filme B
de terror americano
o mundo foi desabando
em Nova Iorque sitiada,
em que o velho Sousândrade
antevira o caos,
em seu Guesa Errante,
no berço do Deus capital,
antes de retornar ao Maranhão,
onde, tratado como um inútil,
passou a viver
das pedras da Vitória,
a chácara de sua amásia.
 
Pensar que o débil poeta
pressagiou, com olhos de profeta,
o triunfo do absurdo,
e que o gauche itabirano
cantou um dia
a angústia do poeta
em não poder, sozinho,
dinamitar
a ilha de Manhattan. 
 
Era manhã de setembro,
E ela me fazia levitar,
Levevivendo.
 
 
        Era difícil acreditar
que em meio
a um prazer
quase nirvânico
(o de ver o dia
sendo inaugurado
por uma carícia
inefável)
o mundo caísse,
aos pedaços,
em estrondo
de Bastilha.
 
Como se fosse um coevo
do vate Castro Alves
gritei, em berro
brado retumbante:
meu Deus! Será verdade
ou vídeo-game
tanto horror
perante os céus?
 
Pior que era:
e a liberdade
      desmaiou,
em raios fúlgidos,
no céu da pátria,
naquele instante,
caiu, com a estátua amada,
em estrondo de Niágara.
 
 
II
 
O mundo nunca mais
conheceu a paz
depois que se mostrou
como é, em sua face de Caim
- violento e violentado.
 
Era manhã de setembro,
eu me lembro, eu me lembro,
nos mares pelos
homens emporcalhados
na ocidental praia lusitana,
        no lendário oriente
das mil e uma noites
e na terra de Tio Sam,
o velho patrão
multi-americano.
 
A simples anarquia
desabava sobre a terra.
 
Era manhã de setembro:
 
Nunca esquecerei deste
acontecimento
na vida de minhas retinas
tão fatigadas. (2 )
 
                        (1) Carlos Drummond de Andrade
                        (2) Carlos Drummond de Andrade
 
 
A SOLIDÃO DE EMILY   DICKSON                           

 

Brasigóis Felício

 

A mais abissal solidão

não foi a de Noé,

em sua arca,

quando só havia

a treva

em toda a terra.

 

Mais espantosa solidão

foi a de Emily Dickison

na fazendola de seus pais,

nos confins da Inglaterra

- de onde jamais saiu,

a não ser para ver morrer

parentes e vizinhos.

 

No inverno de sua desesperança

sentia-se, como Noé,

sozinha no mundo.

Sequer moveu-a a fé

no reino das palavras: não

escreveu para que a amassem

nem escrevia porque

amasse alguém.

 

Escrevendo para não morrer,

só viveu para escrever.

 

Jamais amou, nem foi amada

   nem viu arder a chama da alma

pela beleza transfigurada.

 

Seu único deleite era ver

pessoas acabando-se

em seu leito de morrer,

como se fora o ver

a morte

o seu único prazer

- o diálogo possível

com a vida,

neste mundo de morrer. 

 

A DIVINA COMÉDIA HUMANA
(Ou a consciência cósmica de Balzac) 
 
Brasigóis Felício 
 
Balzac, o romancista
não permitiu que matassem
o dom silencioso
de sua ternura
e alegria transbordantes.
 
Contemplava sem julgar
a divina comédia humana
e passava ao largo do absurdo
mesmo sabendo ler as profundezas
das prisões da alma.
 
Conheceu a perfeita Liberdade
desde que entrou em consciência cósmica.
 
Sendo capaz de ambicionar competir
com o registro civil da França
quis passar um retrato vivo
de seu tempo e país.
 
Em tudo se regozijava,
e não via seu trabalho
como um fardo.
 
Mesmo vivendo as tormentas
de um mundo cego à Verdade
nada temia ou recusava,
e jamais deu abrigo
às suas trevas.
 
 
Podendo cessar o pensar e o querer,
foi capaz de “atirar em si mesmo
naquilo que nenhuma
criatura vive”. *
 
* (Honoré di Balzac)

 

 

 

FELÍCIO, Brasigóis.  No barco dos dias.  Trinta anos de navegação poética.   Goiânia: AGEPEL – Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, 2004.   218 p.  14x22,5 cm.   Col. Bibl. Antonio Miranda

 

 

ESCRITO NO MURO

 

Não me procurem,

nem me definam:

já me perdi

nesta busca inútil

do mundo nu e sem muros

e do poema sem dor e sem palavras

 

 

NO CAMINHO COM RIMBAUD

 

Enquanto os homens dormem

habito, desesperado,

o ventre da solidão. Sozinho

na noite, sou Jonas,

no ventre do monstro marinho

e minha alma se alucina

no absurdo sofrimento

de não morrer por nada

que ganhe ou perca.

 

Como uma flor desabrochada

sem indagar a ciência da cor,

ou a linguagem do vento, sigo

com meus pensamentos:

 

é Arthur Rimbaud quem chega, vindo

do deserto da alma

— o paraíso dos mortos-vivos.

Há muito o anjo de asas quebradas

vem alucinando

a minha louca lucidez,

a raiz de todo espanto

no baú do medo, onde encontro

meus versos de fogo.

 

Falam por mim a beleza

e o câncer

do mercador de armas

que deu adeus ao absurdo

— ave noturna e feminina

quese um menino deusdemoníaco

a enfrentar sem medo

o perigo de estar vivo.

 

 

 

REVEZAR PARA DORMIR

 

Quando, no Estado

sitiado pelo crime

presos têm que revezar

para dormir, é que o país

do carnaval virou

uma Estação Carandiru

 

Com quantas

chacinas de Candelária

se faz uma carnavália

à brasileira?

 

Quando o horror superlota

e o crime se reparte

em veias abertas

de desespero, restam

as vinhas do vício

de sempre perdermos

para nós mesmos.

 

No país dividido

entre malandros de gravata

e malandros de navalha

os símbolos da pátria

são varridos

pelas balas perdidas

do desgoverno,

e o futuro do povo

se escreve

com os punhais do medo.

 

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

AUTOBIOGRAFíA

 

I

Gasté la vida en vivirla

inútilmente.

El amor amé

por el amor de amar

el amor solamente.

 

Algunos dientes poseo

de plástico,

otros aún tengo míos

más carentes que yo.

 

Ríos de arrugas en el rostro

y una sonrisa pícara

A pesar de los disgustos.

Mil viajes concebí

En la inercia del cuerpo.

 

EI amor me cansaba.

De la soledad me harté.

 

Si bebía, quedaba lúcido

(jamás salí

de los limites de mí).

Los ojos brillantes

doloridos y lúcidos

sabían la vida

como la vida estaba.

 

Las manos caídas

a lo largo del cuerpo.

La forma errante de ser

como un barco sin puerto.

 

Algunas veces un libro

me hacía viajarlo

y olvidaba el vacío

que la soledad habitaba.

 

Algunos versos hubieron,

que los anos perdieron

y el vivir gastó.

Pocas borracheras homéricas.

 

Volcadura de coche

y pocas cicatrices.

 

Me bané, de cuerpo y alma

en ríos de salvaje privación

y de lascivas voluptuosidades.

 

Vida bien rara y hecha

de pocos parcos hechos

dignos de recuerdo.

 

Vida rara y hecha

de muchas horas de tedio

y de sueños desmoronados.

 

II

¿Quién entristeció mi sonrisa

y después colocó

esa alegría de niño

en mi dolor sin motivos,

por eso inconsolable?

 

¿Quién me hizo así,

tan extranjero, reo apartado

de cada cosa en el mundo

y al mismo tiempo

tan compañero, en el exilio

de cada uno que fue

apuñalado en la oscuridad

o de lo que salió, desengañado

del hospital del miedo?

 

¿Quién puso

esa herida salvaje

en mis ojos de niño

que salió para la vida

de manos cortadas?

 

¿Mutiladas manos infantiles

que aún así se abren

para los anchos caminos

de la esperanza?

 

 

CAUTIVO DE Mí

 

I

Para unos la juerga,

Para mí el pánico.

Para unos la piel,

Para mí el estigma.

Para unos

la corona de los reyes

para mí

la corona de Cristo.

Hay siempre un durazno

madurando

para otras bocas.

No sabe mi cuerpo

la seda y el terciopelo

ni me acosté

en sábana de seducción.

 

II

De mí esperan siempre

gestos pulidos

pasos ligeros

palabras amables.

Me vedaron el derecho

de ser yo mismo

y lo que soy.

Todo el tiempo espío

el rostro hipócrita de los adultos.

 

De vez en cuando

me sereno

y viajo tranquilo.

 

III

Me conmueve

cualquier gesto sentido

que el cuerpo irradie

con fuerza y brillo.

Entonces me libero del límite

y dejo fluir,

en la tesitura de los nervios,

la canción de los vivos.

 

A pesar de todo,

sigo fiel a la lucidez

de seguir en e! camino

— riendo de todo

sólo como ríen

los que perdieron todo

y los que nunca

se encontraron.   

 



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