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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Correio Braziliense

 

VANDERLEI

 

Nasceu em Patos de Minas, MG. 

Vanderlei Costa iniciou suas atividades artísticas em 2008, desde então trabalha em filmes, peças teatrais, performance, poesia, música, além de ser figurinista. Teve poemas publicados em coletâneas e revistas. É integrante do coletivo de poesia ANARCOPOÉTICO. Em 2107, lançará o livro de poemas Subsoloamarelo.

 

sou a soma de tantos continentes, uma metade repartida de nós, a junção de duas bandas, êxodo de muitas andanças, a despedida trágica de pretos índios brancos orientais, sou a violência dos bandeirantes, apropriação cultural é sensibilidade afetada na soma do que somos misturados, a gente se come se bebe se beija, a gente se abraça se junta articula, gente sotaque na fala dos subúrbios, a gente se apropria carnavaliza, a gentefusão. a gente é enxerto, cruzamento aglutinação, ainda cabe mais e mais nesse caldeirão... queremos ser o avesso inverso, tentativa de um lado certo, evitamos mostrar nossas costuras expostas, fio a fio tecemos um abrigo uma coberta, tanta gente fica do lado de fora, a pessoa coisa, retalhos tristes de um país tropical, falar em pureza da raça pode ser autoritário, fruto azedo fermentando raiva, meu coração é oceano irrigando extremidades, onde houver distâncias, um close na cara do Brasil... de tanto requentar o futuro estamos aqui.

 

***

 

eu quero amor carnal no meio do canavial, eu quero mamar seu peito encharcado de suor. vou engolir seu leite amargo num gole só. eu quero comer carne de isca petisco, eu bato delícia seu bife. eu quero comer carne frescura de broto, carne barata batendo na cara. carne vermelha libido selvagem, eu quero carne madura de idade avançada, curtida no sol do sertão e no sereno lá dos

*

pampas, carne defumada no calor das mãos calejadas de tanta esperança, carne abatida de bicho vadio, eu quero comer pele com pelo, nervo com neura, osso com fissura, vou beber sangue vegano para enverdurar meu coração, quero vomitar vísceras de uma atriz antiga, eu quero apalpar os embutidos, provocar na sua bermuda escultura íntima.

 

 

COSTA, VanderleiSubsoloamarelo.   Brasília, DF: AGECOM, 2017.  132 p.    ilus.  14x21 cm.  ISBN 978-85-549-17-00-5    Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

          viver intensamente, até explodir.
                             sumir para sempre

 

 

                a humanidade implode o velho

          inventando novas distâncias universo


          e assim uma lente de aumento

          é muito para quem olha pra dentro

          para quem evita o aperto de mão.

          seres átomos devorando luminosidade de presente.
          na escuridão do infinito outras linguagens nascendo.
 

          conexões digitais ultrapassam formas presenciais.
          caligrafias e alfabetos antigos

           se perderam na era de gutemberg. 

          o último índio não se lembra mais quem era.
          o futuro está vazio e leve recarregando

         androides no bite partícula de sol.
          milhões de alarmes e drones soam por todos os cantos.
               

                crackers  cobram o resgate e lançam novas ameaças,
          agora nossas prisões são outras configurações.

 

 

 

                A fila fala por si até se diluir (recinto
                                               preenchido)
          lagarta que se alonga em gomos  para
                                         além da chegada.
          no início são dois, depois tantos outros.
                                no passo a passo soma.
          multidão corrente cordão fio de novelo
                             desenrolando a distância,
               bloco móbile de carne, osso cabelo
       centopeia que avança dentro e fora para
                                  além do meu alcance,
          a pauta preenchida, a linha de trem, a
                   pista de pouso, a fila de espera.
          a fila indiana e a ponte sobre mim, to-
                          dos têm começo e têm fim.

 

          -----------------------------------------------------------------

          sua dor está guardada lá no fundo de onde só você sabe.
          sua dor vem  de um tempo  mais remoto  que a tenra lem-
          branca. Sua dor é dose dupla com teor alcoólico do absinto.
          sua dor é flor amarela sobre o caixão aberto.  Sua dor é ab-
          surda. sua dor é um revólver munido de ódio apontado para
          você. Sua dor é o por do sol no seu par de olhos.  sua dor é
          minha, sua dor é de nós dois.

 

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Página publicada em dezembro de 2017, Republicada em janeiro de 2018.


 

 

 
 
 
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