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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 


TT CATALÃO

 

 

TETÊ CATALÃO, poeta, jornalista, letrista, ativista cultural sempre de plantão. Há tempos semeia versos e cantigas de maldizer na imprensa, para a alegria de uns e a irritação de outros... Uma verve solta, afiada, cáustica, que tem origem no Boca Maldita Gregório de Matos, passa pela ironia do Barão de Itararé, verseja no melhor estilo “palavra-puxa-palavra” e desemboca... sei lá, na Rodoviária de Brasília, na selva de pedra ou no heliporto de alguma repartição pública...  Para ele, tudo flui, é passageiro. O Manoel de Barros, outro poeta iluminado, é passarinho. Tetê se confessa passageiro e recita: Na vida tudo passa, só não passa o ônibus do Guará... Anárquico, ditirâmbico...  Uma lucidez alucinada.   A. M. 

Veja outros textos de Tetê Catalão em: http://hps.infolink.com.br/peco/main.htm

 

Versos retirados da célebre edição de 16 PORRETAS ( ou 16 poetas...), poemário coletivo de autores alternativos, impresso na gráfica do Sindicato dos Jornalistas, em Brasília, em 1979.

 

16 PORRETAS

“poeta”

 

 

só serei poeta quando perder  a meta;

sem desejo por tal glória vivo em despejo

do tal fluxo da história; sem ousar usar

poeta no título versejo desfeito

percevejo esmagado na unha da língua -

sem ar, truque de rima, artifício ou trava:

desmerecer antologias brasa matricial

sem retrospectivas ou crachá de marginal oficial;

só rogo pelo parco orifício

por onde possa brotar a sagrada palavra

 

 

(despacho no exu monumental de março-2008)

            

             Línquas à míngua

caçam sinais, entumescem e migram.

Línguas lavram palavras. Cinge-as.

Fingem feito esfinges. No entanto, flagram, amordaçam,

afogam, afagam.

Arautos de fronteiras, línguas erguem muros sobre seres

cegos de solos, heróis e suas bandeiras.

Línguas, ínguas volumosas, apêndices no corpo usam a volúpia e a vilania, o vã e a via, o tem e o havia, sendo a mesma para o rancor e a simpatia.

Sémen do ator simulam a criatura enquanto criam. Línguas penetram, acolhem, aquecem, esfriam.

Línguas lânguidas insinuam resvalam pelo ralo da boca e o gargalo instiga tanta fala quanto falo tanto bala quanto embalo tanto cala quanto calo tanto engole quanto entala tanto bole quanto retalha migalha morde o sentido que resvala pelolambesignos   embaralha discursa embrulha mortalha como se come a outra

no beijo que a entrelaça como se pousa vício ou lábia no outro que a devassa...

 

 

     (para espetáculo dos queridos irmãos guimarães, ribondi e chiquinho amaral) 

 

 

 

              há guisos de introito

 

se 22 teve geração,

45 — girassol pra canhão ­—

restou pra 78

a geratriz da piração

ARARA POUCA DE PEGAR ARARA

arapuca

ói. noi grandes          

ói noizaqui travêis

poemas xujos neste mar de lemas

ninguém segura a segurança

este é um pais que não tem freios.

assim pra frente — upa/upa

alguém sempre levará a culpa

alguém sempre lavará a roupa

nem sempre em casa, pois o preço — quem paga é o trouxa —

da liberdade é esta eterna dívida

externa. dúvida interna.

infalação poética

este plano piloto em vôo cego

duas asas que aterrisaram no centro

da questão, um sertão de possibilidades,

cada vez mais uma bras-ilha

um núcleo bandeirante mais sofisticado

mais auto movel, mais estatístico

assisti a u ma eleição no congresso

sem pagar ingresso — diz o polvo sem tentáculos

para o povo no espetáculo — que progresso!!!!!!

 

 

BAIXO LEBLON ALTO XINGU

 

um pé na poça                  um pau na roça

outro na praça                  outro na raça

um pau brasil  na  moça

         um pé brazil  na  massa

elimine   a  treva

         ilumine

      a    t  r  e  v  a

 

quem pode, pode.

quem não pode, poda.

 

olhai colírios do campo

de grão em grão a galinha enche e papa

de papo em papo o galo enche a galinha

de grãos e papos o galinheiro anda cheio

canja dominical galos sangram na rinha

ovos podres no quintal

sobram olhos espião de um amor cego

morcego marcial suga pendurado a tabuleta Z:

"quem escapou da LSN caiu no LSD".

olhai colírios dos campos

eles não tossem

nem afiam

 

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Fragmento de um poema de TT Catalão
em aquarela do artista plástico Rômulo Andrade.

 

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QUE HAJA PÃO E CIRCO

MAS COM MANTEIGA E SOM ESTEREOFÔNICO

 

         Circo                      Trapezista

         na maior                 desesperado

         lona                       convida

         convida                  povo

         platéia                   para

         para espetáculo       salto mortal

 

         Banido                             Domador

         arrependido                      desocupado

         entrega                           procura

         ouro                                vaga e

         ao                                  consolação

         bandido                           em arena

                                               sem leão

 

         Mago                                                 Tratador

         visiolusionista                                      descobre

         necessita                                            que alegria

         urgente                                              do gorila

         de oculista                                          é ver palhaço

         — prazo ou vista —                              pegar fogo

 

 

         Bis  —  bis — bis — bis —

         gritavam filhos                                     Cartola de cetim

         de artistas                                          revela

         diante do                                            milagre econômico

         último prato                                         de bilheteiro

         da noite.                                             Anão

 

         Palhaço devolve a platéia                                Ossos do ofício

         o mesmo riso ensaiado                                    para cães oficiais

 

         HOJE ÀS 21 HORAS, FARTA DISTRIBUIÇÃO DE VARAS CURTAS

                                     PARA CUTUCAR FERAS.

 

 

o lucro que se tem com a mata

produz o louco que se tem com o lucro

lucro louco que nos lacra e consome

Com o sumo de tua ira revoltaremos

elementos

Com o sêmen do sacrifício fecundaremos

sofrimento

louco lacre que nos usa

louca usura que nos veda

lucro louco que nos vende

o lucro que se tem com a mata

mata o uso que se faz do lucro

o que te fez o

INDIO

para te causar o

ÓDIO 

NA BEIRA DA BR-ZIL A MÃO OUTRORA ÚTIL

LANÇA EM PUNHO AGORA FÚTIL APANHA O PÓ

DA RODA VIVA NA BEIRA DA RODOVIA

                            inferno verde interno

O BOI POSTO a terra exposta descoberta exibe

a chaga nua da violência crua O INDJO PASTA

a flora expulsa em troca emite o filho adúltero

da culpa tua O OURO PISTA o rio turvo

à margem permite o corpo fétido vago flutua

AFLORA PESTE

 

 

         intriga de roda

         pra cantar após as refeições.

 

         o peão entrou na roda oh peão

         o peão entrou na roda oh peão

         roda peão bombeia pleão

         o peão já plantou cana oh peão

         o peão já fez palhoça oh peão

         agora o peão tem sede oh peão

         agora o peão não tem teto não

                   rodopia no andaime oh peão

                   bamboleia no estribo oh peão

         cai um peão mataram o peão

         mais um peão cai da construção




BRASÍLIA

CIDADE CIDADÃ

livro de TT CATALÃO

e Sávia Dumont

fotos de Rui Faquini de bordados

sobre desenhos de Demóstenes Vargas.

Obra publicada com apoio de PAULOOTAVIO, 2000.

Destaque para o poema:

 

ANTES...

plantas, bichos, pedras,

águas correndo e

um pouco de gente.

Debaixo de um  céu

Imenso, a terra esperava a semente.

 

TT CATALÃO


SOLIDÃO CELULAR


TT Catalão é o meu poeta. Para encontrá-lo, só com o esforço de alguma arqueologia literária... Seus textos, paratextos e visualizações poéticas estão dispersos. Revelações que não se esgotam na materialidade dos achados.  Agora deparo com seus  escritos no livro TREZE POETAS IMPOSSÍVEIS – EBULIÇÃO DA ESCRAVITURA, edição emblemática da (já memorável) editora Civilização Brasileira, de 1978. (Coleção Poesia Hoje, vol. 21)

 

Os textos de TT são mais que textuais, são arquitexturas, são esculturas com letras, vão no embalo do palavra-puxa-palavra mas, ao contrário de seus contemporâneos, TT vai construindo sentidos em vez de seguir ao jogo fácil dos virtuosismos vazios. Vem mesmo de sua veia social, de sua consciência cidadã, de estar a tempo completo em defesa de causas e idéias transcendentes que, pelo visto, sobrevivem, se apresentam  uma e mais vezes como instigantes, atualíssimas.

Os poemas foram recolhidos por Moacyr Felix, numa antologia de poetas que podem ser lidos e ouvidos para o entendimento de nosso tempo, mais ainda,

daqueles tempos de uma ditadura em retirada.


Repito: TT é bom demais. Vivo, pulsante; epigramático, irônico, crítico, capaz de condensar em imagens o que precisamos ver e ouvir.  Obra que precisa ser reunida e levada ao público. Aqui fazemos apenas uma antecipação.

 

 

Apelo á pele

não deixes de arrepiar e tremer quando te tocarem

lábios, brisa ou outra pele

pelo apelo de ser pleno

vale arriscar a própria pele

apelo á pele

não te envergonhes ao enrugares pela erosão do tempo

não te inibas ao te expores frente ao aço ou calibre

assassino

não negues teu calor ao contato qualquer

pele, abre e recebe o sol por tuas grutas profundas

não sejas cútis, e resiste aos marketing da "maciez encantadora"

queima e racha quando te impuseres o trabalho árduo,

defende-te com calos quando te oprimires desumanamente

e, por favor,

ensina ao coração qual o mistério da cicatriz.

 


vento contra é pra voar mais alto
mais forte mais bonito mais leve,
vento contra é pra sair do chão e dar o salto
mais solto mais longe menos breve;
vencer a gravidade dos graves
instalar a gravidez do vôo sobre os entraves
vento contra é pra voar sem rumo
mesmo que a linha nos ensine o valor do prumo...



TT Catalão

sobre foto e filtro na torre de tv domingo 29 março 2008

 

 

TT CATALÃO

 

donde vim

pronde vou

importa mais

o q sou


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Poetas Tete Catalão e Antonio Miranda . Brasília 13/03/07

Foto: Juvenildo B. Moreira

 

BRIC A BRAC    21 ANOS   MAIOR IDADE.  Brasília: Caixa Cultura, 2007.  112 p. ilus. col.  23x21 cm.. Exposição comemorativa . Curadoria e projeto expositivo: Marilia Panitz.   Coordenação Geral: Luis Turiba.  Inclui poemas visuais e arte gráfica.  Inclui poemas visuais de Luis Turiba, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Zuca Sardanga, Nanico, Franciso Kaque, Wagner Barja, Paulo Andrade, Antonio Miranda, Bernardo Vilhena, Paulo Cac, Ariosto Teixeira, Elizabeth Hazin, José Paulo Cunha, Fred Maia, Nicolas Behr, Claudius Portugal, Ronaldo Cagiano, TT Catalão, Francine Amarante, Adeilton Lima, Maria Maia, Ronaldo Augusto, Augusto de Campos, Arnaldo Antunes, José Rangel Farias Neto, Menezes e Morais, Cristiane Sobral, Eduardo Mamcasz, Vicente Sá, Nance Las-Casas, Bic Prado, Angélica Torres Lima, Flavio Maia, Ronaldo Santos, Joanyr de Oliveira, Sylvia Cyntrão, Carlos Roberto Lacerda, Carlos Henrique, Fernanda Barreto,  José Edson, Vera Americano, Alice Ruiz, André Luiz Oliveira, Carlos Silva, Charles Peixoto, José Roberto Aguilar, Estrela Ruiz, Renato Riella, Chico César, Francisco Alvim, José Roberto da Silva, Eudoro Augusto, Amneres, Gustavo Dourado, Alexandre Marino, e ilustradores: Resa, e fotógrafos, etc. 

 

 

 

 


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