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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


RAUL DE TAUNAY

 

 

 

Filho de diplomatas, Raul de Taunay nasceu em Paris, França, em 1949.

Fluente em vários idiomas, serviu como diplomata na Europa, na África, no Oriente Médio, na Ásia e no Caribe.

Sobre sua obra, o poeta Carlos Nejar, romancista e crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras, comparou-o com Arthur Rimbaud, no Barco Ébrio, por recobrar nas palavras todas as confluências de sua poesia errante, de país em país, “carregando o jeito de si mesmo, procurando alguma constelação perdida”.

Dinah Silveira de Queiroz, outra imortal da Academia Brasileira de Letras, ao introduzir o livro “O Menino e o Deserto”, primeiro romance publicado pelo autor, refere-se a ele como um escritor que muito nos tem a dar: “vindo de cepa ilustre, e dela trazendo o dom das letras, mostra na escrita a marca profunda de sua personalidade, uma voz antiquíssima que conta e canta o eterno mistério humano”.

O plenário da Academia Brasileira de Letras outorgou-lhe em dezembro de 2005, por unanimidade, a Medalha João Ribeiro.

 

VEJA vídeo de RAUL DE TAUNAY  (POEMAS) na Biblioteca Nacional de Brasília

Declamação de Raul de Taunay no Encontro de Cinco Poetas numa Não-Esquina de Brasília, realizado no dia 29 de março na Biblioteca Nacional da cidade. O evento contou com a participação do diretor da Biblioteca Nacional, Antonio Miranda; Embaixador Raul de Taunay; Davino Sena; e Anderson Braga Horta. Sob a regência do Maestro Airan d'Sousa, o encontro contou com composições inéditas e trechos do musical Nuestra América, performados pelos músicos Ofélia Marin (flauta), Nicolas Madalena (cello), Haniel Queiroz (trompete) e Otto W. Pereira (viola).

https://www.youtube.com/watch?v=TSIBeslAE6g


RAUL DE TAUNAY

 

TAUNAY, Raul de.  Rosas de Infância ou da Estrela. [poemas escolhidos]   Rio de Janeiro:  7Letras, 2005.  135 p.  ISBN 85-7577-208-2  

  

 

A CPI DOS VERSOS

 

Estas mãos trago-as vazias,

não tendo posses, nem rouparias.

 

Em minhas mãos hão há ouro nem prata,

nem mesmo as bravatas que o poder angaria.

 

Por estas mãos não passam os milhões

dos cheques fantasmas ou das comissões.

 

Com minhas mãos não burlo a receita,

não cubro a verdade, nem forjo a despesa.

 

As velhas mãos não mudam os fatos,

não trocam de nome, nem andam de jatos.

 

As pobres mãos não desviam riquezas,

não roubam crianças, nem armam mutretas.

 

As minhas mãos não esbanjam o dinheiro

nem das secretárias, nem dos tesoureiros.

 

Estas mãos são somente culpadas

da ambição de almejar esta rima aguardada.

 

BESTEIRA

Afunde no corpo
da moça ao seu lado
e sina o aroma
do ventre suado.

Prisão de braços,
pernas e mentes,
dementes instantes
de amor agarrado.

Beije-lhe a face,
afague-lhe o ego;
no útero interno,
despeje seu verso.

Ventos uivantes,
Cálido alento,
ame nas nuvens
e goze ao relento.

Não pise em ovos,
nem marque bobeira
e, se for um barato,
recomece a besteira.

 

NOVA ALVORADA

          Há de nascer uma nova alvorada
          não sei,
          mas deve surgir mais um novo começo,
          segredo,
          deve haver uma outra raiz.

          Há de brotar uma nova papoula,
          pois é,
          mas deve pintar mais um novo romance,
          que canse,
          há de soar forte o eco do verbo.

          Há de chegar uma era de paz,
          soberba,
          devem irromper mil ideias a mais,
          geniais,
          pois há de rola rolar uma nova viagem,
          bobagem,
          como hão de ficar para trás os boçais,
          sem mais.

 

ENCONTRO DE 5 POETAS NUMA NÃO-ESQUINA DE BRASÍLIA:

 

A SEGUIR, os poemas lidos pelo autor na sessão do sarau:

 

          ILUSÕES                  

Amo-te, ó verso, dos trovões e precipícios,

Mundo deste ofício que me arrasta de roldão;

Um aroma, um sentido, me embriaga de início

No vazio do desvio a emergir na contramão.

Das fontes a estalar aos córregos carregados

Sou todo um palpitar de clarões ensolarados;

- Como? Porquê? - indaga o peito amotinado

Ao perceber no fuzuê seu coração enfeitiçado.

Doloroso o arrepio das estranhas sensações:

- É o poeta um esgrimista a fatiar intuições?

Um dia compreenderei o tropel das emoções

Que me leva na garupa das perdidas ilusões.

 

 

ARTESÃO 

Meu poema respira quando pressente nascer,

Ele exala, expira, se estira, como se fosse morrer;

Manuseia e finca na folha sua razão de irromper,

Desnuda o fascínio do verbo ao procurar entreter.

 

Meu poema é o verso pungente, a pura galanteria,

É mais do que nomes e formas, é a cal da filosofia;

É um território de ação, duelo singelo, sem garantia,

Na obra do artesão, é um castelo lavrado na escrita.

 

Ele não aspira grandeza, leveza, nem teme o fiasco,

É fragor, estrondo, ruído, o doce garimpo no espaço;

Por vezes, me deixa exaurido, moído em pagamasso,

Nas outras, sua força me embala por cristalino regato.

 

Meu poema termina inventivo, semeador de toada,

Ou finda num só rabisco, ao resvalar pela estrada,

É um deserto de areia ou o manancial da palavra,

É o abalo em cadeia ou, entre rochedos, a enseada. 

 

ARADO        

A cada dia me descubro

em alguém que desconheço:

Era falante, sou hoje calado,

Agora quieto, antes agitado,

Buscava encontrar o mundo,

No presente, dele me afasto;

Procurava incendiar a alma,

Atualmente, vou sossegado.

Não sou mais o que sonhei?

Não importa, estou vacinado.

Não vou ter o que esperei?

Pouco espero deste arado.

A vida é mesmo um achado!

Corria? Agora ando de frente.

Ansiava? Hoje alteio fulgente ,

Os olhos fitos a te admirar,

A boca inteira para te beijar,

Um lume novo para exultar

Que ainda caminho galante,

Relampeando versos ao ar,

e faço da vida um mirante

Que me faz rir ou chorar.

Neste planeta inconstante,

Ondeio sem me fragmentar. 

 

LAMENTARES 

O tempo passou

E eu não consegui mudar

O que no fundo sou:

 

Uma ventania

Que venta sozinha,

Um deserto oco

Que não silencia,

A desolação tardia

Que esconde na rima

O acre amargoso

Da vida contida.

 

Quisera encontrar os anjos,

Ouvir que o meu caso

Não é exclusivo.

Escutar que há outros

Em busca de abrigo.

Saber que, enquanto

Uns morrem sofridos,

Nas torres de vidro

Se vive escondido.

 

As lágrimas tomam-me o tempo,

O choro traz-me o fermento;

E chego ao entendimento

De que, neste desdobramento,

Torno-me inteiro, apesar dos pesares,

Ileso, intato, não obstante os vagares,

Guardião de meus versos, pelos lugares,

A juntar os meus cacos, sem lamentares. 

 

HÁ  MOMENTOS                                             

Há momentos na vida de sutil apatia,

Há também vendavais de viril agonia,

Há no peito o cantar que modula meu dia,

Há no amor absoluta e total sinergia.

Há na rima o embalar deste mundo que gira,

Há no céu a doçura de um mar de alegria.

No poema há o fulgor do selvagem que grita,

Há em mim mansidão da criança que espia. 

 

 

Imagem extraído da publicação ALT ERNATIVUS, da Academia de Letras de Taguatianga, comemorativa dos 30 anos da instituicão:

 

TAUNAY. Raul deMeu canto aberto. (Uma poética para o ano 2000).  2ª. Edição.  Brasília, DF: Thesaurus Editoara, s.d.  140 p.   Ex. bibl. Antonio Miranda 

 


CIBERNÉTICA EM VERSOS SIMPLES

 

Cibernética, frio embrião,

Platão não previu, eu também não.

Axiomas, sistemas,

velocidade,

comandos, painéis

reticulares.

Teoria do quantum,

meu Deus, que será?

Controle remoto

para complicar.

 

Golem, oh robot, serás o progresso?
O fim do passado, o cruel retrocesso?

 

Automação,
codificação,
simplificação,
não ponha a mão,

Platão não gostava, eu também não.

 

Pobre geração
aprendendo na tela
a conversar
em multi-sistemas

 

Antenas, imagens
“clips”e botões
o vídeo enquadara

a razão, a emoção.

 

Inteligência, qual o teu lugar
na vida futura a se programar?
Matilha afamada
devora o que é belo,
da glória subsiste
a noite hibernal.

 

Platão alertaria, eu...

 

De pronto o poeta
também é levado,
à força, na teia
da auto-gestão.
Um curto-circuito
apaga o passado
sem mais, de repente,
esqueço o refrão,
esqueço o refrão,

esqueço...esquebip...bip...bip...bip...


 

MAZORCA

 

Se o tráfico não neurotizar,

se o vídeo não viciar,

se a poluição não intoxicar

e se o amor não se degradar,

ainda veremos no fim

o lindo sorriso de Madalena

que é o meu lema,

a minha bandeira,

o meu banquete e festim.

 

E todos os fios de ovos, babas de moças,
quindins, cocadas e cocadinhas
fazem-me abençoar a preta bahiana
que adoça o meu mundo em Copacabana.

 

O que existe entre o poeta e o ator
é a didascália garatujada,
a couraça do desdém,
versos frágeis e sombrios
que não são de mais ninguém;

... e há os que ainda se importam e planejam iniciativas
nesta mazorca infinita de muitíssimas vidas.


 


Página publicada em  novembro de 2009; página ampliada em abril de 2016; republicada em junho de 2016. Ampliada em outubro de 2016.

 

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