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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





MARCOS FREITAS



  

Marcos Airton de Sousa Freitas nasceu em Teresina, Piauí, em 1963. Engenheiro Civil pela UFPI. Professor e pesquisador da Universidade de Fortaleza, desde 1990, onde criou o Grupo de Pesquisas em Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Computação Aplicada.

Ministrou aulas nos Cursos de Pós-graduação em Engenharia de Software, Gestão Ambiental e Gestão de Recursos Hídricos. Tem mais de 60 artigos publicados em revistas e anais de congressos nacionais e internacionais. Consultor na área de meio ambiente e recursos hídricos. Atualmente, ocupa o cargo de Especialista em Recursos Hídricos da
Agência Nacional de Águas – ANA.

 

Poeta. Contista. Letrista. Participa em Brasília do Coletivo de Poetas. Lançou, em 2003, o livro de poesia “A Vida Sente a Si Mesma”. Em 2004, na XXV Feira do Livro de Brasília, lançou “A Terceira Margem Sem Rio” (poesias). Tem inéditos os livros de poesias “Moro
do Lado de Dentro
”, “Quase um Dia” e “Quase mais um Dia” (poesias), além de “
Staub und Schotter (poesias em alemão). Participou da Antologia de Poesia, Contos e Crônicas Livre Pensador (Editora Scortecci, 2003), Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos
Nº 04 e 24 (CBJE, 2004 e 2006), Panorama Literário Brasileiro 2004/2005: As 100 Melhores Poesias de 2004 (CBJE, 2004) e Antologia de Contos de Autores Contemporâneos (CBJE, 2005). Premiado em 1º Lugar no II Concurso de Poesia do Terraço Shopping, Brasília – DF, 2005. É verbete no ‘Dicionário Biográfico Virtual de Escritores Piauienses”, de Adrião Neto, 2004.
 

 

 

FREITAS, Marcos.  Sentimento oceânico (verdesveredas ou cantos de jurema nas quenturas do bê-erre-ó-bró).   São Paulo: Catramano, 2015.   124 p.  14x21 cm.  ISBN 978-85-64471-45-0 


 

“Como vocês vão constatar aqui, Marcos Freitas está ainda melhor.”         ANTONIO MIRANDA

 

 

LAVOURA DE GALÁXIAS

 

1.
Minha mãe
se foi
meio sem
de mim se despedir.
O poeta
se fez rouco.
O poeta
se fez mouco.

 

2.
Ser forte
era preciso.
Não chorar
era preciso.
Chorei.

 

3.
O cotidiano
se tornou um vazio
entre os meses do ano.
O céu, tédio:
nuvens de peixes
no cinza do rio.
Ruas e praças
sem nomes nas placas.

 

4.
A chave dos sonhos
abriu galáxias de estrelas.

 

5.
Já não me engasgo, mãe.
Apenas com o soluço
de tua ida,
aos mundos dos ventos.

 

6.
O terraço de minha infância
há de ser sempre
o entreabrir de teu sorriso.
(meigo, simples)

 

7.
Domingos serão locomotivas de auroras
brotando nas roseiras
cuidados no jardim de casa.

 

8.
As horas (haverá relógio para medi-las?)
pátinas de um grande armário
repleto de fina porcelana chinesa.
Meras memórias de vozes e silêncios.

 

10.
Diafragmáticas rotas do ar.
(microvilosidades de sonhos)
Sopro de espantos, além.

 

11.
No sossego infinito do quarto vazio,
aonde
arrumar doravante teus chinelos
embaixo da cama?

 

12.
O que coser na velha máquina Singer?
Nossas antigas roupas de criança?
Dedilha, bem sei mãe, na nova harpa
sutis sons de galáxias,
estalos eternos de amor.

 

 

ESTRADA, PÓ E POEIRA

estrada, pó e poeira:
marcos
das estradas mineiras.

lua,
transpor de pontes:
banhos de cachoeiras.

milho verde:
verdes olhos
a refletir desejos.

estrada, pó e poeira:
ora pro nobis
serras sem fim.

 

 

 

De
Marcos Freitas
URDIDURA DE SONHOS E ASSOMBROS
(Poemas Escolhidos  2003-2007).

Apresentação de Antonio Miranda
Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2010
280 p. (Com apoio de FAC/DF)

 

POÉTICA

1
Que é Poesia?

         uma ilha
         cercada
         de palavras
         por todos
         os lados.

2
Que é o Poeta?

Um homem
que trabalha
com o suor de seu rosto.
         Um homem
      que tem fome
como qualquer outro
                   homem.



FOTO TABOCA

Quem não deixou
sua alma aprisionada
em 3X4
no lambe-lambe
do Seu Chiquinho
na Praça da Bandeira?


 

 

 



QUATRO TEMPOS

 

na madrugada fria

tua alada companhia

 

na manhã quente

novo desejo de repente

 

na tarde morosa

tua língua saborosa

 

na noite sem dança

apenas uma lembrança

 

 

NADA A VAU

 

recrio-lhe

enchendo-lhe de chamego

 

mordo-lhe o pé

e o que mais quiser

 

sugo-lhe a vulva

qual a uma uva

 

faço-lhe esquecer o mundo

fácil... indo-lhe bem fundo

 

 

Extraído de      QUASE UM DIA.  Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2006.  95 p.

 

 

O POETA E O DESTINO


o poeta é um cretino
que ama sem destino
(o) certo

o poema é seu destino
apesar de cretino
o verso

existe porém
o verso certo
um ser cretino
e um destino?

  

 

QUADRO

hoje sim
quero te descrever
em cores
lambuzar-te de tintas

no lugar dos seios
riscos rápidos
no lugar dos braços
formas curvas
em perspectivas

no lugar das pernas
pingos, pingos e mais pingos
esparramar suave em ondas
teu ventre em chamas

hoje sim
adoraria borrar
todo esse quadro
com um jorro de tinta

 

  

PANO DE CHÃO

com que direito
o poeta invade sonhos

com que direito
o poeta causa danos

com que direito
o poeta tece palavras
como que pedaços de panos

 

AFLORAÇÕES

 

fuga de corrente?

quem sabe

meu coração

não tem voltímetro

 

súbito?

quem sabe

meu trapézio

não tem lona

 

chuva de maio?

quem sabe

meu querer

não tem ensaio

 

desvario?

quem sabe

minha calçada

não tem meio-fio

 

  

LEMBRANÇAS

nas barrancas do meu rio

habitam as lembranças

das garças brancas

 

                               ACIDENTE

 

                               não sei

                               se escapo

                               ileso

                               da batida

                               de teu

                               coração

 

 

NENHUMA CARTA EM MEU NOME

 

de soslaio

a memória de teu rosto

cravado na rocha da ausência: fotografia.

 

o vento quente sopra a cor do esquecimento:

sombria melancolia do dia-a-dia.

 

tentei entender teu nome e nossos minutos

como se houvera fruta na fruteira

de minha existência.

 

o domingo desabitado fareja o ronco do motor

de meu carro empoeirado.

nada, nada além de silêncio e pó.

 

há mais de um ano, nenhuma carta em meu nome.

 

 

NA TARDE QUE SE AVIZINHA

 

sejamos eternos, querida,

mesmo na plenitude de nossa ira.

 

chega de nossos discursos prontos,

não suportamos mais esperar o fim do verão.

 

estranhamos, em silêncio, conselhos dos mais velhos.

 

tentamos, inutilmente, reler os jornais passados;

o que buscamos nas páginas surradas?

 

a paisagem se adensa na geografia das ruas

de nossa cidade desconhecida.

 

mergulhemos no assombro de nosso desejo;

é sempre possível a palavra mais pura e límpida, querida,

mesmo fora de nosso dicionário.

 

o cheiro do feijão, em panela de ferro,

reacende o fogo de lenha da imaginação: o relógio da manhã.

 

herdeiros de nossa própria memória,

divisamos a rua de nossa fraqueza e ausência, na tarde que se avizinha.

 

o leito seco do rio aguarda a estação chuvosa nas cabeceiras;

depositemos, pois, iguarias e provisões na vazante de nossas horas.

 

sejamos eternos, querida,

mesmo na finitude de nosso dia.

 

 

FREITAS, Marcos.  Inquietudes de horas e flores. Inquietudes de horas y flores.  Edição bilíngue Português – Español.  Tradução Carlos Saiz Alvarez.  Rio de Janeiro: Livre Expressão Editora, 2011.  116 p.  14x21 cm. Capa: Enita Souto.  ISBN 978-85-7984-262-7  “ Marcos Freitas “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

AFLORAÇÕES

fuga de corrente?
quem sabe
meu coração
não tem voltímetro

Súbito?
quem sabe
meu trapézio
não tem lona

chuva de maio?
quem sabe
meu querer
não tem ensaio

desvario?
quem sabe
minha calçada
não tem meio-fio

 

 

          AFLORACIIONES

          ¿fuga de corriente?
          quién sabe
          mi corazón
          no tiene voltímetro

          ¿súbito?
          quién sabe
          mi trapecio
          no tiene red

          ¿lluvia de mayo?
          quién sabe
          mi querer
          no tiene ensayo

          ¿desvarío?
          quién sabe
          mi carretera
          no tiene acera

 

 

 

Página atualizada em julho de 2015.Ampliada em agosto de 2016

 


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