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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARCELO BENINI

         Nasceu no ano de 1970 na cidade de Cataguases, Zona da Mata de Minas Gerais, cidade de grande tradição cultural e literária. Aos quatro anos mudou-se com a familia para Brasilia.

A inclinação para a literatura se manifestou cedo, por volta dos doze anos, quando se trancava no quarto para escrever os primeiros versos. Aos dezessete anos, entrou para duas faculdades: Letras, na Universidade de Brasilia e Comunicação Social, em urna instituição particular. O desejo de trabalhar e alcancar alguma independência financeira o fez optar pelo curso notumo, de Comunicação Social. Formou-se e mais tarde fez a pós-graduação em Gestão de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Trabalha na área desde 1987.

         A literatura sempre esteve presente em sua vida, escrevendo, lendo e convivendo com os livros, como ele mesmo conta: "Aínda em Cataguases, meus pais formaram urna respeitavel biblioteca com os grandes clássicos da literatura e da filosofia. Quando vientos para Brasilia, meu quarto passou a ser a biblioteca da casa. Isso durante toda a infância e a juventude. A proximidade com os livros nasceu dessa presença física mesmo. Todos os días eu acordava e via ali, em frente á cama, os Voltaire, Dostoievski, Flaubert, Balzac".

         Como principais influências literárias, Benini destaca os franceses e russos da segunda metade do século XIX e, entre os brasileiros, Manuel Bandeira, João Cabral, Vinícius e Drummond, na poesia, e Machado de Assis e Guimarães Rosa, na prosa. Mesmo comecando a publicar somente em 2010, aos quarenta anos, o autor manteve-se sempre em atividade. "O Capim Sobre o Coleiro" é o resultado primeiro dessa produção. A maioria dos poemas começou a ser escrita por volta dos vinte anos e foi sendo modificada desde então, em um trabalho incessante de busca da forma ideal.

Sobre o livro.

         Benini é dono de um estilo lírico e bastante sintético, chegando muitas vezes ao limite. O livro tem vários poemas com apenas um verso. "Evito tudo que possa distrair o leítor da ideia síntese, aquilo que realmente interessa ser dito ", diz. O autor considera também que para a boa produção literaria é necessário o trabalho exaustivo para que o escritor consiga chegar a um estilo límpido e livre dos lugares comuns. Em seu livro de estréia, "O Capim Sobre o Coleiro", Benini usa o elemento alegórico do passarinho para tratar das mais diversas questões ligadas á existência. "No livro, procuro/alar do meu pequeno universo que é todo referenciado em Cataguases", afirma o autor.

 

         O livro é dividido em quatro partes e cada urna delas aborda urna questão essencial da vida humana. A primeira parte trata das relações com a origem, a familia, a infância e a formação. Na segunda parte, o livro toca em questões como o amor, o espanto, as alegrías e as frustrações, enfim a chegada da maturidade. Na terceira parte ha quase urna unifícação metafísica entre o homem e o passarinho. E, finalmente, a quarta parte que se chama "Pega Passarim Com Poesía" é urna reflexão sobre o ato de criar. O livro tem cento e treze páginas e foi editado pelo próprio autor. . Visite a página no Facebook: O Capim Sobre o Coleiro.


"Entre as influências na poesia de Marcelo Benini poderíamos invocar o minimalista Mario Quintana e um outro passarinho — o Manoel de Barros. Está em boa companhia e tem asas para voar sozinho."  ANTONIO MIRANDA

 

 

 

Quando um menino bebe a água do rio

O rio corre para dentro do menino.

O menino discursa o rio

Até que mije o rio outra vez.

 

*

 

Primeiro susto: uma goiaba grávida de bicho.

 

*

 

Minas é um lugar

Em bordas de montanha

Onde o tempo é pano

E a alma é linha.

 

*

 

Há no amor insistência

Esses planos de galinha voar

Cachorros passando cercas.

 

*

 

E eu rindo, rindo, riacho

Diacho de amor mais findo.

 

*

 

A tarde estava presa

Por um jirau de maracujás.

Para que serve um jirau de maracujás

Senão para erguer a tarde?

 

*

 

As andorinhas justificam a existência das telhas.

Os pardais, dos fios.

 

*

 

Embrulho de pão é depositário fiel da poesia,

Principalmente com barbante.

 

 

 

BENINI, Marcelo.  Fazenda de cacos. Prefácio de Chico Lopes.  São Paulo: Intermeios, 2014.  122 p.  14X21 cm  ISBN 978-85-64586-86-4   “ Marcelo Benini “  Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

Desistencialismo

 

Faz tantos anos que no tronco da árvore

Coreografadas por um perverso

As abelhas voam em círculos

 

Nada podem contra o sol graciliano

Esse lastimável estado de validez

Essa indelével mandíbula fraturando delicadezas

 

As asas cortadas nos quedaram mansos passarinhos

Acedemos em cair

Em passar longamente caindo pela vida

 

No peito, trago rubra caliandra

Gesto sanguíneo contra o azul

Só eu sei os passarinhos que me habitam.

 

 

Funcionária pública

 

Ninguém entendeu quando a moça da seção

Começou o concerto para piano número 3, de Prokofiev

No meio da tarde só ela ouvia clarinetes e violinos

Batia os dedos violentamente no teclado

Tremulando a melodia nos lábios

E jogando os cabelos no ar

As cortinas esvoaçavam na janela

Não houve pausa para o café

No dia seguinte os processos publicados no D.O.U.

Estavam todos em russo

E a moça digitava feliz uma carta de amor.

 

 

Criado-mudo

 

Se ao amor nomeasse coisa

E faca já foi

Seria o amor das xícaras vazias

No exato instante em que os restos de açúcar

Atestam que amar é uma forma doce de esfriar e

          [esquecer

Mas é também atrair delicadezas de abelha

E se o amor fosse apenas empilhar cadeiras no fim da

          [ noite

 

Se ao corpo assim o nomeasse
Seria o amor escarranchado das cadeiras de palhinha

          [ amarela

 

Mas se o amor ouvisse vozes

A esquizofrenia dos covardes rumores

Maior seria o silêncio e a deselegância do amor.

 

 

Página publicada em janeiro de 2011; página ampliada e republicada em abril de 2015.


                  

                           

        


 

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