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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Luiz Martins da SILVA

 

(Luiz Martins da Silva/Luiz Martins/Luis Martins) nasceu em Nova Russas (CE), em 03/09/1950. Em Brasília desde 1970; formado em Jornalismo e mestre em Comunicação pela UnB; doutor em Sociologia (UnB/Universidade Nova de Lisboa); jornalista desde 1975 (Jornal de Brasília, O Globo e Veja, entre outros). Professor da Faculdade de Comunicação da UnB, desde 1988; e pesquisador do CNPq, desde 1996. Participação, entre outras, da antologia Poesia Jovem – Anos 70. Integrou a Geração Marginal.

 

Bibliografia: Rua de Mim; Comigo Foi Assim; Brasilinhas; Breviários; e Realejo. Foi um dos organizadores da antologia de poesia Águas Emendadas (1977). Autor de vários livros e trabalhos acadêmicos na área de Comunicação.

 

Veja também: POESIA  VISUAL – “refugos tropicais”

 

 

 Seleção e apresentação de Salomão Sousa.

 

 

A uma velha caneta

 

Caneta, sigamos pelo mundo,

Escrevendo versos, pois,

Filhos, agora já os tenho

E, muitos, ainda os queria, mas...

 

Agora, rimas e trovas, portanto,

Guarda ainda para mim

Um pouquinho da tua tinta,

Para falarmos de orvalhos e cantos.

 

Passarinhos e auroras,

Agradecem, todas as manhãs,

Pelos aromas de café

E perfumes de maçãs.

 

Portanto, velha caneta,

Nem mais tinteiros existem!

Mas, persiste ainda o teu tempo,

Jamais se aposenta a escrita.

 

Escreve para mim, hoje,

Velha caneta, uma ode,

Guia-me pelo branco com as tuas linhas,

Dá-me aquele impecável verso de marfim.

 

  

Tempo vegetal

 

Árvores existem que são relógios, não são árvores.

Flores são cronômetros, copas, mostruários.

Marcam assim o tempo, a vida em frações,

Dividem a nossa existência em exatas estações.

 

Despem-se, vestem-se, escolhem novas roupagens;

Umas engordam, outras emagrecem, mudam o manequim;

Estilistas, passarelas, desfiles, lançamentos de ramagens.

 

Outras ainda se enchem de frutos num torneio de abundância;

São por demais generosas, tanto faz, para você ou para mim;

Entregam-se com fartura, doçura, formosura e elegância.

 

Se é outono, são bromélias, camélias, azaléias, dálias;

Se é inverno, quaresmeiras, ipês (roxos, brancos, amarelos), jasmins;

Se é primavera, cajueiros, jenipapos, laranjas, mangueiras, amoras;

Se é verão, fogo ardente, flamboyants, radiantes, carmins.

 

 

 A uma libélula

 

Encontraste a meio caminho do universo uma vidraça,

Pouso certamente inconsútil e diáfano,

Tão volátil era o teu corpanzil.

 

Que Artista te nacarou, fina iluminura

Em acetato, madrepérola e furta-cores!

 

Por pouco não fazias do etéreo

A tua  natural e eterna lápide.

Eras quase o puro ar, mas

É verdade, tinhas lá um corpo,

Sobreimpressão de películas.

 

De que estribilho te soltaste ao vento?

Que frenesi te estabanou tão de repente

Para o além de todo e qualquer limite?

 

Rendo-te humilde homenagem póstuma,

Minúsculo funeral, exéquias semânticas.

É o tanto que posso,

Em nome dos vidreiros

Um pedido de desculpas:

Embalsamar-te em múmia literária

 

  

Paisagens emprestadas

 

 Por algum desígnio insondável

Quis o Criador ver o mundo pelos meus olhos.

 

E é dessa forma que testemunho a sua obra,

Com deleite, mas com o temor,

 

De que, a qualquer hora, desligue-se a câmera

E tudo se me escureça.

 

Ah! Por que me fizestes ao mesmo tempo

Vosso vidente e vossa vinha?

 

Por que, a qualquer momento,

Terás de me recolher, como simples dente-de-leão ao vento?

 

Guardarás para mim o silêncio das coisas finitas,

Ou me glorificarás ainda mais, com a visão do Nirvana?

 

Com estes olhos que já não sei, se são meus ou se são Teus,

Vi a mulher amada, os campos floridos e o oceano.

 

Vi os meus irmãos me estendendo as mãos

E eu não lhes ater senão, com humildes palavras.

 

Vejo, agora, neste momento, o dom das letras,

Ah! Obrigado, Senhor, por este código secreto.

 

Haverão de me entender, ou, quem sabe, antever,

Como antevejo, neste momento, a cena, a se fechar o pano?

 

Dai-me, Senhor dos mundos, neste último fotograma,

A simples visão da pura flor que se eleva desde a plácida lama.

 

 

Consternação

 

Por toda vida amei as palavras,

Como se, de fato, guardassem

O castelo dos sentimentos.

 

Não tarde descubro, puramente:

atrás do muro das palavras há só o vago,

o pré-sentido.

 

Experiência fúnebre, fóssil de vida,

Melhor a palavra ainda não dita,

Canção que ainda não se gravou pedra.

 

Então, signos são, assim, como...

Paiol de folhas secas, fantasmas

Do que um dia foi sangue.

 

Palavras são ex-votos de corações.

Ocasos, sombras, vestígios, lembranças.

Imagens do que poderia ter sido.

 

Que palavra tem o poder de deter

a mão que mata?

o desamor que abandona?

 

Palavras não chegam,

se chegam tarde.

Inúteis pêsames

se o humano já se foi.

 

Tem o sentido

a insistência informe,

do que se sabe tardio, mas

ainda à procura de palavras certas.

 

Aí, palavras já não são

algodão

doce.

 

  

Tercetos

 

Por mais que se queira o oásis,

Nada irá conter o determinado,

A implacável têmpera da areia.

 

Quando acordamos, de imediato,

A clareza: foi tão somente sonho.

Não há sereias.

 

Há anos, na montanha, um monge

Acredita ter firmemente aprendido:

Vencer é não lutar.

 

De volta ao mundo, às ruas,

Ao calor dos sentidos, ei-lo de novo:

Ressurgente, ereto: o desejo.

 

 

Despedidas

Custam-me as antevésperas das partidas,
tanto me constrangem na espera
as horas do sem fazer.

Adianto ânsias de embarques,
embargo-me em saudades que até sinto,
mas que de verdade ainda estão por vir.

            -- E então, quando vais?

            -- É pra já. É só um bocadinho.

Ter que dizer adeus é como estar presente ao próprio funeral.
E não fica bem a quem já se sabe longe
estar a comprar jornais,
bisbilhotar miudezas em tabacarias,
dobrar esquinas,
encontrar conhecidos:

            -- Não fostes, ainda?!

Incômoda ambigüidade esta,
de estar sem já não ser.
Uma vez anunciado,
é-se obrigado a partir,
ainda que os pés se entortem para trás,
ainda que possas virar estátua de sal

 

SILVA, Luiz Martins daPa-lavras. Poesia.  Brasília: Casa das Musas, 2011.  94 p.  A primeira tiragem do livro é de 2009, reimpresso em 2011, 150 exs.? Exemplar autografado.  Col. A.M. (EA)

 

 

JANELA DE ÔNIBUS

 

Nem chegava a ser aldeia,

Mas tão somente um enclave

De casinholas plantadas

Em meio a torrões de areia.

 

Linha limite de olhar rente,

Olhos de câmera a insistir

Em registrar em. retinas

Aquela teima de gente.

 

E não é que havia resta,

Sons de imaginários caniços,

Música para ouvidos secos

Acordes de surda planície!

 

Que instinto lhes tangia?

Caprichos da natureza?

Colher encanto e beleza

Em canteiros de anestesia?

 

Que graça a vida em confins

Terá para tais serventia?

Devotos da solidão

Sequidão e castidade?

 

Pior a não mais se ver

Paisagem para cidade

E não é que fluía no ar

Mormaços de saciedade?

 

De toda aquela modorra

Ficou-me paz solidária

Dos escondidos afetos

De quem vive sem calendário.

 

Talvez a lhes ungir no deserto

Um fraternal sentimento

De que há sempre um feriado,

Matiz de aldeia sonolenta.

 

Lembranças em desconcerto

Persistem pretéritas afora

Enchendo-me de convencimento

De que posso ser feliz, mesmo agora.

 

 

 

MARTINS, Luis.  Palavras leves.  Brasília: Casa das Musas, 2006.  39 p.  12,4x14 cm.   “ Luiz Martins “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Ondulações

V
elha barcaça,
Agora, no fundo.
Guarda em carcaça,
Segredos do mundo.

 

Céu e Terra

Gesto e palavra;
Pulso e artéria;
Sopro sagrado;
Símbolo e matéria.

 

 

Página publicada em março e ampliada em junho de 2008, ampliada e republicada em maio de 2012, ampliada e republicada em julho 2014

 



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