Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CERQUEIRA

 

Nasceu no dia 28 de janeiro de 1935 em Monte Serrat, Mun. de Governador Levy Gasparian - RJ. Premiado em pintura, crÔnica e poesia.

Livros editados: "Solidio das Horas" (1990)- EDITEL Listas Telefônicas, Curitiba; "Além da Curva, a Saudade" (1997) - idem; "Quando Houver Nunca Mais" (2002) - Thesaurus Editora, Brasília.

Participou de muitas antologias no Brasil e em outros países, destacando-se as editadas pelo Instituto da Poesia Internacio nal, Porto Alegre; "Brasília; Vida em poesia" (1996) - Valci E ditora, Brasilia; "Pensar em Arte e a Arte no Pensar" (1997) - Univ. de S. Francisco, Bragança Paulista; “Espejos de la Pa labra/Espelhos da Palavra" (1999) - SUReditores, Montevideu; "Letras de Babel" (2001) – Ediciones Pilar, Montevideu; "Prêmio SESC de Poesia" (2002) - Edit. do SESC- Brasília. É verbete da "Enciclopédia de Literatura Brasileira" (2001), de Afranio Coutinho e J. Galante de Souza, São Paulo;"Dicionário de Escritores de Brasília" (2003), org. por Napoleão Valadares.


Extraídos de

SOLIDÃO DAS HORAS
São José dos Pinhais, 1991



FATALIDADE N° 84, OP.78, N° 1

 

Há sempre um dia em que partimos.

Nesse dia levamos conosco uma lágrima de esperança

e para os que sentem a nossa ausência,

deixamos, num sorriso, a saudade.

 

Você vai partir — eu queria esconder isto de mim,

queria mentir para a minha ilusão;

você vai, de malas prontas, tomar o trem da esperança;

você vai partir sorrindo, sorrindo...

Talvez nem se lembre de ter saudades,

talvez nem saiba mesmo que alguém terá saudades,

pois há uma espécie de fatalidade em nossas vidas:

— Há sempre um dia para sentir saudades,

pois há sempre um dia em que nos partimos

 

LAMENTO N° 26, OP.71, N° 1

Por que pranteia, mar amigo?

Por que soluça assim, desesperadamente?

como a gaivota está triste por vê-lo triste?
Por que chora, mar, meu confidente?

Por que sua vaga já não mais brinca na praia,

no rochedo?

 

O mar sem responder, agonizava na sua imensidão...

Lembra-se, mar, daquelas noites calmas

Em que ela vinha-lhe trazer suspiros?

Recorda-se, mar, daquelas frases de amor,

Daqueles olhos convictos, daquelas mãos

alongadas?

 

O mar sem nada dizer, entristeceu, afogando-se em

sua profundeza...

 

Olha, mar, para o espelho das suas próprias águas

e veja seus olhos rubros de tristezas,
Veja suas mãos repletas de vazio,

Veja a praia, nas noites calmas, como a feia sem ela,

veja no espelho das suas águas a saudade refletida...

Chora, mar, essa amargura!

 

O mar nada quis ver; seus olhos se fizeram dois mares de agonia...

 

Olhei o mar, a praia, o penedo solitário.
Órfão do amor, amparei-me na lembrança — saudade dela...

O penedo encobriu-se em mortalha de algas,
a praia afogou-se sob a onda pesada e fria,

e o mar acenou-me com um branco lento de

espumas.

Voltei para mim e me fechei na minha própria memória.

 

O mar, a praia e o penedo fizeram-se silentes e, comovidos, se abraçaram...

 

Lembra-se, mar, quando ela vinha lhe trazer suspiros?

Feliz, você fazia espumas brancas para enfeitar a praia,

para ornar aqueles beijos tão macios... Feliz, você brincava na areia,

mandava a brisa trazer caricias...

E ela gostava e, como o queria, e como me amava!

 

O mar de tudo lembrava; sabia ser mar na sua
imensidão, sabia ser imenso na sua lealdade...

 

Enfureça-se, mar! Manda o vagalhão fazer barulho!
Manda o vento forte levar meu grito!
Manda a gaivota, o albatroz — seus mensageiros —

falar com ela!

Sacuda a nau; desperta os peixes!

Faca dela ouvidos!

Comova o rochedo solitário!

... Depois disso, se ela não voltar,

aqui voltarei em noites iguais àquelas,
aqui virei devolver a saudade

E nos seus imensos bravos, mar, depositarei a minha tristeza...

 

E o mar sem nada dizer, debruçou-se

soluçando sobre as areias...

 

 

CANTILENA N° 61, OP.77, N° 1

 

Lua, faz rastro de luz sobre o mar

E me conduza àquele recife distante.

Faz caminho cor de prata e leve-me ate lá;

Quero viver no arrecife, naufragar-me na solidão.

 

Lua, faz rastro de luz para eu passar,

Quero ficar no isolamento desta noite;
Quero ouvir o marulhar das águas profundas,
Quero escutar as sereias cantando, cantando...

 

Lua, faz caminho cor de prata e me leve ate lá;

Deixa-me dedilhar tristezas nas minhas cordas vocais,
Deixa-me fazer cantilena para as estrelas do mar,
Deixa-me escutar as sereias chorando, chorando...

 

Lua, faz rastro de luz sobre o mar,

Faz caminho cor de prata e me conduza ate lá.

Quero ficar na solidão desta noite
Dedilhando as minhas tristezas, Dedilhando, dedilhando...


 

ADEUS N° 99, OP.79, N° 16

 

O trem-de-ferro esta partindo,

Engolindo os trilhos da distância;

Vai deixando um rastro comprido de saudade,

Apitando em cada curva que se esconde.

 

La vai o trem-de-ferro sumindo

Pelas campinas da sua tristeza,

Deixando rastro de saudade marcado no céu,

apitando, apitando, pelas curvas dos seus pensares.

 

Bem distante, apagando-se na lonjura

vejo o seu adeus - quanta tristeza! quanta tristeza!
Quisera, nesse momento, ser trem-de-ferro
Chegando, de fumaça branquinha, apitando,

apitando!...

 

Página publicada em agosto de 2008




Voltar para a  página do Distrito Federal Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar