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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





LUIS TURIBA

Poeta e Jornalista. Nasceu em Pernambuco, em 1950, e vive em Brasília desde 1979, tendo recebido o título de Cidadão Brasiliense pelos serviços prestados à cultura da cidade. Sua estréia na poesia se deu pela publicação do livreto Kiprokó em 1977. Recebeu o Prêmio Candango de Literatura  do Governo do Distrito Federal, em 1998, pelo livro-CD Cadê.

A obra Bala (Salvador: P555 Edições, 2005) reúne os textos mais recentes do poeta, da qual extraímos os seguintes poemas como mostra de uma obra sempre original, instigante, criativa. 

 

Ver também: POESIA VISUAL DE LUIS TURIBA

 

 

TURIBA, Luis; ANDRADE, LucaInocentes eróticos. Poemas.  Rio de Janeiro: Edição e produção caseira; Tertulia Artesanato Cultural,  2015.  34 p.  Capa: arte final de Alex Moraes, desenho de Zuca Sardang e tipologia de Toni Lucena sobre papel reciclato 240 gr. Ilustrações Tarciso Viriato, Alex Moraes. Papel artesanal. Tiragem: 30 exs. assinados pelos autores. “Luis Turiba” Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Cartão postal com versos de Luis Turiba do projeto PIPOCANDO POESIA, evento promovido pelo CCB  — Centro Cultural Banco do Brasil, com o apoio do Ministério da Cultura, em 2015.

 

Luís Turiba

De
Luís Turiba
Meia oito Razões de Meia oito
 Brasília: Athalaia Gráfica e Editora, 2010.      
152 p.  (Coleção Oi Poema, v. 1)



aviso prévio

meu coração é uma uva
pulsa explode abusa pluga

meu coração é rebelde
vive ameaçando greve

meu coração trapezista
dá nó nas próprias tripas

meu coração maiakóvski
quanto mais sofre mais love

o cardiologista dá as cartas
— todo cuidado, meu chapa
ou se sinquadra ou infarta!

 

troca-troca

vamos trocar
algumas ideias mesquinhas
você fica com as suas
eu fico com as minhas

 ====================================================================================



**********************

*eu*amo*meu********mundo*

**********************

**********************

*eu*amo*meu*******tempo*

**********************

**********************

*eu*amo*minhas*crianças*crescendo*

**********************

**********************

*eu*amo*meus****ancestrais*******

**********************

**********************

*eu*amo*minhas***cerimônias*

**********************

 

 

Meus Bric-a-Bracs

 

Bric-a-Brac: “O que é bom para o lixo, é bom para a poesia”, ensina Manoel de Barros, poeta dos pantanais da linguagem.

Bric-a-Brac: Foi bom para o lixo e para o luxo. Uma química gráfica fez brilhar poemas. “Gente é para brilhar, não para morrer de fome”. Maiakovski/ Caetano Veloso Bric-a-Brac: s.m. Conjuncto de objectos antigos e variados, de arte, mobiliário, cerâmica, etc.; armazém ou depósito de esses objetos. (Encyclopédia & Diccionário Internacional, edição 1910) Bric-a-Brac: o jornalismo a serviço da poesia nas históricas entrevistas com Augusto de Campos, Manoel de Barros, Pierre Verger, José Mindlin, Paulinho da Viola, Dona Nise da Silveira, Caetano Veloso. Bric-a-Brac: poesia clip na idade mídia. Rumo ao Ano 2100. Um laboratório poético gráfico-verbal-musical derramado em redes e teias a partir do Planalto Central. Um mercado de pulgas raras, vivas e únicas. Bric-a-Brac: compromisso firmado com a linguagem, com os códigos, com os fragmentos do nosso tempo, nossa era, nossa vez e voz. Pacto com a estética, criação e libertação. Bric-a-Brac: vestir os parangolés e dar-lhe asas parabólicas.

Minha poesia é Bric-a-Brac.

 

 

Bico da Torre

 

A sombra do bico da torre na terra

Faz o ponteiro

Que marca o preciso momento e o destino

Da gente se amar.

 

São flocos de nuvens que pairam

No céu de Brasília

Dão na vista textura arquitetura obra de artista

 

São blocos caiados de branco

Banhados de chuva e de luz

Necessidade nessa cidade

De afeto é o que conduz

 

Me induzo a ficar a pensar

Que sou o céu.

 

E o bico da torre é a antena

Que marca o momento apenas

 

 

Flagrante

 

Lágrima na floresta

Testemunha sexo selvagem

Entre a motosserra e a árvore

 

 

Garota do Parque

 

Toda vez que estou

No parque

E você passa

No seu compasso

De garça

Todo o parque

Se disfarça

Em farta passarela

Tudo pira

Tudo paira

A tua espera

Do pedalar

Da sandália

Ao coração

Da donzela

Sopra o verde

Sopra o parque

Sopra o tempo

Sopra e late

Só pra ela

Toda vez que

Você parte

...já era...

 

 

Declaração do Clube do Ócio

 

Nhô no to saben donde cô tô

 

 

Grito de Guerra do Clube

 

Sete e sete são catorze

Três vez sete, vinte e um

Tive sete sonhos eróticos

Mas não gozei em nenhum

 

Zum zum zum

Parara tim pum

 

Ócio

          Ócio

                      Ócio

 

TURIBA, Luis. Bala.  Salvador, Bahia: P555 Edições, 2005.  116 p.  ilus.  15x22 cm.  Capa sobre ilustração Balas Cariocas, de Resa. ISBN 85-89655-13-X    “ Luis Turiba”  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

DeseStresseio

 

Stress é um aperreio

Nasce nos pés

Vem sem freio

Cresce no bigo

Corre nos veio

Inté chegar

No último fio

Dos penteio

 

Para domá-lo

Pare! Pense!

Puxe os arreio

Vá ao esvazeio!

 

Seio ou não seio?

Tudo é uma questão

De filosofeio




Conexão Amazônica

 

Sou selva una

Querem-me toras

 

Se viva, verde

Se morta, dólar

 

 

Borboletras, borboletrem

 

Quando você borboleta

Eu te aero o porto

Quando você bicicleta

Eu me arco e flecha

Quando você me poeta

Eu te arreio rimas

Quando você se planeta

Eu te arejo o cosmos

Quando você me soletra

Eu te armo pousos

Quando você se escopeta

Eu te arte em balas

Quando você biblioteca

Eu te aço as bíblias

Quando você m’encapeta

Eu te a eros gozos

 

Na gira das girafas

 

Como são gostosas as girafas

olham as estrelas de frente

conversam nos olhos de Deus

penteiam em plenas nuvens

os cílios de Carmem Miranda

& aquelas antenas a ligá-las

aos desfiles das savanas

são gêmeas das senegalesas

na altura na graça & beleza

as pernas mais altas da África

são retilíneas falsas magras

as curvas cheias de carne

quadris de Noami Campbell

o andar de Gisele Bündchen

são afro-pop as top models

sacodem as bundas a valer

tão nuas em seus pijamas

de listras lindas & leopardas

ouvir dizer que elas dormem

dez minutos a cada hora

também pudera, natureza mátria

com aquele pescoço quilométrico

(que um dia ainda vou beijá-lo)

um cochilo (ah!!!) faz descansá-lo.

Assim sendo ofereço-lhes

um espaço de pouca mata

não tão afro como a África

mas confortável  & afável

numa posição de vanguarda

aceitem, pois, minha pauta

um convite um cheque-mate:

Venham cumpridas girafas

(e isso não as desagravam)

dormir em minhas gravatas

O sono de quem lida em altas

nada custa, é puro charme

 

 

Ábsono

 

sambo espalhafatosamente

para dentro

como quem não quer nada

sambo parado

no espaço do meu corpo

com minhas víceras

meus testículos

meus intestinos

minhas moléculas

minhas cartilagens

minhas células em permanente renovação rumo à morte

meus glôbulos brancos vermelhos desbotados

meus neurônios

minha aura vital

minhas correntes sangüíneas

no trânsito intenso e interno de veias e vácuos

sambo com meus buracos

descalço

nu como nasci

meio preso meio solto

ábsono & absorto

quase com sono

sambo meio grogue

minha apoteose

é iogue

de mãos no bolso

 

Tremulai

 

Para José Roberto Aguilar,

Que fez a Bandeira dos Poetas

 

Bandeira de todas as bandeiras

Dançai nua no mastro que te ergue

Afastai de ti dos teus a luz das trevas

Anunciai as novas que em ti ferve

 

Tremulai teus trunfos em desatinos

Tremulai qual lençóis soltos no arame

Sem temores tumores sem tropeços

Ó bandeira da luz da chama em verve

Teus bestiais sonhos do impossível

Tua beleza de signos sinos símbolos

Merece o topo santo de uma tomada

Merece mais – quem sabe até um hino

 

Tremulai todos os tremas do poema

Tremulai no oratório santo e no Divino

Tremulai toda azul na onda cósmica

Tremulai do fim do poço ao infinito

 

Tremulai! De pé oh vítimas da fome

Tremulai! Nas bocas de uma favela

Tremulai! Bandeira branca Oxalá-ONU

Tremulai! Lusa África & índiamérica

 

 

LÍNGUA À BRASILEIRA

 

Ó órgão vernacular alongado

Hábil áspero ponteado

Móvel Nobel ágil tátil

Amálgama lusa malvada

Degusta deglute deflora

Mas qual flora antropofágica

Salva a pátria mal amada

 

Língua-de-trapo Língua solta

Língua ferina Língua douta

Língua cheia de saliva

Savará Língua-de-fogo e fósforo

Viva & declinativa

Língua fônica apócrifa

Lusófona & arcaica

Crioula iorubaica.

 

Língua-de-sogra Língua provecta

Língua morta & ressurecta

Língua tonal viperina

Palmo de neolatina

Poema em linha reta

Lusíadas no fim do túnel

Caetano não fica mudo

Nem “Seo” Manoel lá da esquina

 

Por ti Guesa Errante, afro-gueixa

O mar se abre o sol se deita

Por Mários de Sagarana

Por magos de Saramago

Viva os lábios!

Viva os livros!

Dos Rosas Campos & Netos

Os léxicos Andrades, os êxtases

Toda a síntese da sintaxe

Dos erros milionários

Desses malandros otários

Descartáveis, de gorjetas.

Língua afiada a Machado

Afinal, cabeça afeita

Desafinada índia-preta

Por cruzas mil linguageiras

A coisa mais Língua que existe

É o beijo da impureza

Desta Língua que adeja

Toda a brisa brasileira

Por mim

                Tupi,

                               Por tu Guesa

 

 

Aviso

 

Jamais tente suicídio

Em barco salva-vidas

 

Desarme-se

 

Bala perdida

Encontra coração solitário

 

 

 

TURIBA, Luis.  Luminares.  Brasília: 1983. S.p.21x21 cm.   Impresso na Editora Gráfica Brasiliana Ltda. Poster anexo: Arte: Wagner Hermuch. Fotos: Marcia Macedo.  Produção gráfica: Regina Ramalho, Luis Eduardo Resende (Resa) e Lúcia Toribio.  Capa: Eduardo Resende.  Desenho da capa: Meyer, Herrmann (Die Kunst der Xingu), desenho estilizado de peixe (piranha) feito pelos índios NAFUKUA. “Composto em computador”...  “ Luis Turiba “ Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

 

CERIMONIAL

 

Coloquem Imagine na vitrola

retirem—lhe o coração em frangalhos

e enterrem—no enrolado

na bandeira do Flamengo

 

Quanto ao resto

corpo — subproduto da vida

qualquer cerimônia (simples) cabe


Afinal

a morte é sempre um gol de placa

aos 45 minutos

do segundo tempo da existência.

 

No mais: —foi bom ponta-de-lança

 

Comemorem pois

nada disso lhe pertence mais

 

 

 

POR DE LUZ

 

Por do sol cor de roxo

vermelhidão cor da rosa

rocha de -fogo em fuga

silêncio —psiu— penumbra

desfaz—nos cá uma agrura:

— Que espelho refaz tua luz

de barrochão lá nas nuvens?

 

De pontual rotina, o sol

—faz roxidões e animações

em vidros visões vidraças.

Nunca igual— ar de sonhos

 

Dos furtos da luz ao espaço

(que o leigo chama de noite)

dá—se a multiplicação das tintas.

Ou será truque barato

de Walt Disney, esta obra prima?

 

O por-certo, não único,

o mutante galã galante

orienta a dialética das flores

dos amores e dos amantes.

 

Seria uma lenda clic?

Raio-X? Olho de esteta?

Desta cidade de cores, reta

um por de luz pariu a história da cor

e bordou Brasília:silhueta concreta.

 




GRUPO OIPOEMA na Pré-Bienal Internacional de Poesia,
 Brasília 14 e 15 de outubro de 2010

No alto: Angélica Torres Lima, Bic Prado, Nicolas Behr. Sentados: Cristiane Sobral, Luís Turiba, Amneres.

Foro: Ivan Malta


 

 

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