Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


LÍLIA DINIZ

LÍLIA DINIZ


“Liça muié”

me  rio
me    lua
me    pote
me jacá
me  poço  me  mato
me  pilão  me  barro
me  azeite  me açude
me  abane    me esteira
me  cabaça  me quibane  me  cacimba
me  vagalume  me  lamparina
me  poetiso
em  ti

Brincadeira de menina

Então a gente brincava
imitando as lavadeiras
aos dos açudes, dos poços
em cantigas corredeiras,
fazendo espuma branquinha
lavando com as casquinhas
daquelas saboneteiras
as roupas das bonequinhas
todas bem prazenteiras

 

Urdiduras

Teço dia após dia

a mortalha que vestirei

Por enquanto

coloco botões

pequenos, grandes e coloridos

(caseio meus dias sempre antes de vivê-los)

 

Nos bordados já prontos

figuram borboletas

que levarão o melhor de mim

(restam duas ou três, não mais)

 

 A minha mortalha escolhe sua cor

à medida que é tecida

um dia é amarela

no outro já é vermelha

(nunca escolheu ser branca)

 

E prego flores nos bordados intermináveis

Há noites que experimento

e sinto o gosto da morte

confesso que gosto e gozo

mas sou impelida a despir-me

pra terminar de tecê-la

(ainda hoje desmanchei um babado de cravos)

 

Afogada

Náufraga no açude
dos teus beijos
pesco estrelas
no céu da tua boca

De
MIOLO DE POETA DA CACIMBA DE BEBER
Ilustrações de Xiloucos, Bia de Mello e Mamoela Afonso.
3 ed. Brasilia: Edições Lamparina, 2006. Ilus. 104 p.
Edição artesanal, papel craft, acondicionada em caixa de buriti.

 

Cantiga de ninar


         “lua, lua, pega essa menina
         e me ajuda a criar”


Elevada em
apelos poéticos
ao céu da tua cabeça
fui entregue à
deusa das
noites sertanejas



Brincadeira de menina


Então a gente brincava
imitando as lavadeiras
as dos açudes, dos poços
em cantigas corredeiras
fazendo espuma branquinha
lavando com as casquinhas
daquelas saboneteiras
as roupas das bonequinhas
todas bem prazenteiras


Sabor nordestino

Se me queres cajuí
desejo ser doce e raro
deixar no teu corpo o cheiro
dos cajueiros nordestinos
Desejo ser cajuína
saciar tua sede
como os beijos sonoros
dos passarinhos empapuçados
Desejo ser “pé-de-tonel”
embriagar teus sentidos
aquecer teu corpo
com meu pequeno caju em flor

 

DINIZ, Lilia.  Sertanejares.  2ª. Edição.   Imperatriz, MA: Edições Lamparina, 2012.  102 p.  Formato irregular, papel kraft, incluindo bandeiras feitas de tecidos coloridos. Capa abano: José Ferreira Diniz.  IMAGENS: Diego Janatã, Alexandre Almeida e Alice Diniz.  Projeto gr[afaico: Lilia Diniz e Haroldo Brito.Edição artesanal costurada à mão.  Ex. bibl. Antonio Miranda. 

 

LOUVAÇÃO

Bem que vi foto pagou
com labacéu medonho
nas capoeiras
o canto da juriti
e o balanço das palmeiras

Se ninguém ouviu eu quero
com esses versos rasteiros
bendizer as lavandeiras

Louvo Marias naquelas
desdentadas e sem medo

Louvo Raimunda do brejo
cacimbada de desejo

Louvo Rita desmilinguida
cantadeira de encanto
Luzia, Preta, Conceição
Querubins, Margaridas
benzedeiras de mau olhado
vento virado, algoro e quebranto

Lavadeira de rios e cacimbas
dos poços e dos brejinhos

Encantadeiras de dores
parteiras de alegrias

Carpideiras orquestrando
o labacéu dos passarinhos

Empresta meu canto ainda
que de taquara rachada
pra fazer a louvação
junto com a passarada

 

VIOLA

Cada nota é faca cega
enferrujada
rasgando minha alma
em noites de lua cheia
minguante de alegria
crescente de saudade
latejo e mereja
novos balseiros
em notas dissonantes

 

ALUMIADA

As caliandras enfeitam
as sombras tortas do cerrado
como os teus olhos
enfeitam os tortuosos
caminhos nas trilhas
de mim mesma

 

DÓI INTÉ A ALMA

Mode tua ida repentina
inda hoje é dia que
meus olhos e alma
estão diluridos

Pelejo dias e noites
pra arrancar o gosto
que ainda sinto
das tardes quentes
quando amantes em pecado
nos lençóis de carne ardente
breamos nossos corpos
na estação das mangas

 



Na foto:  Edmilson Caminha, Antonio Miranda, Abhay K. , Makarand R. Piranjape,  Lilia Diniz e, Zenilton Gayoso  na sessão do Chá com Letras, Embaixada da Índia, 14/10/2016, em Brasília. CLICK S/FOTO para ampliar.

 

 

É apenas um convite para que visitem o blog da autora, onde tem mais:

http://lilia-diniz.blog.uol.com.br/

 

Página ampliada em setembro de 2016.


Voltar à página do Distrito Federal Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar