Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



JOÃO BOSCO BEZERRA BONFIM


JOÃO BOSCO BEZERRA BONFIM

 

Mestre em Lingüística, com pesquisas na área de Análises de Discursos. Cearense de nascimento, vive em Brasília desde 1972, onde se formou em Letras. Antes de se tornar Consultor Legislativo do Senado Federal, atuou como professor de português e literatura no Ensino Médio e com Alfabetização de Adultos, no Movimento de Educação de Base, da CNBB.

 

Livros publicados: amador amador, de poesias, Ed. do Autor, Brasília, 2001; Pirenópolis pedras janelas quintais, de poesias, com fotos de Sílvio Zamboni e arte de Wagner Alves, Ed. Plano, Brasília, 2002; A fome que não sai no jornal, ensaio de lingüística, Ed. Plano, Brasília, 2002; Era uma vez uma maria farinha, infantil, com ilustrações de Daniele Lincoln, LGE Editora, Brasília, 2003;; Teoria do beijo, poesias, com arte de Ana Lomonaco, Ed. do Autor, Brasília, 2003; Passagens terrâneas e subterrâneas, com arte de Ana Lúcia Lomônaco, LGE Editora, Brasília, 2003; Romance do Vaqueiro Voador, com arte de Wagner Alves, LGE Editora, Brasília, 2003; Palavra de Presidente - discursos de posse de Deodoro a Lula, LGE Editora, Brasília, 2004 e  2006; Palavra de Presidente – Sob o signo de Rui Barbosa, LGE Editora, Brasília, 2006; O jipe cangaceiro na Chapada dos Veadeiros (infantil, com arte de Ana Lomonaco), LGE Editora, Brasília, 2005; Uma traça de casaca na Casa de Ruy Barbosa (infantil, com arte de Renato Palet), LGE Editora, Brasília, 2005; Chronica de D. Maria Quitéria dos Inhamuns - poema-em-drama , LGE Editora, Brasília, 2005. 

 

Veja também: POESIA INFANTIL de João Bosco Bezerra Bonfim

 

De
João Bosco Bezerra Bonfim
 in feito. 
 Brasília: edição do Autor; FAC, 2009.  48  p.
 ISBN 978-85-902031-3-1

 

 

lavradores do mar

nessa faina em marinha terra
muitas velas se há de içar

essas ondas já cravadas
que charrua ousaria arar?

no fundo, as covas já sementes
não aceitam, prenhes de mar

nem covas, lâminas ou velas
a velar, podar, plantar

só os soluços, as vagas, as horas
no oceano aceitam brotar

 

tanotomaquia

I
quem haverá por dor
a própria morte,
se esta é ausência?

I
no mármore, inscrições caladas
voando no vento do inverno
imperam as palavras aladas

II
esse vulto que - diz - me sonha
em convulsão delirante
não é nem metade do meu
desejo de beijo, cortante

 

 


Romance do Vaqueiro Voador

(Trechos do poema)

 

Quem em noite de lua

Da Esplanada dos Ministérios

Se aproxima há de ouvir u’a

Voz que ecoa, entre blocos

E um aboio assim sentido

De onde vem? Mistério!

 

(...)

Que segredo esconde

Essa aparição medonha

Será milagre de Deus,

Será alguma peçonha?

Se quer saber então ouça,

Não faça cerimônia.

 

Era de janeiro primeiro,

Nos idos anos cinqüenta

Quando voou um vaqueiro

De altura sem tamanho

Espatifou-se no chão

Teve da vida o desengano.

 

Agora vamos saber

Quem terá sido esse tal

Que despencou do prédio

Cavalgando que animal?

Voou de que maneira?

Gente de bem ou cria do mal?

(...)

Antes de tudo vaqueiro

Que era sua profissão

Até que da roça veio

Para a lida de peão

Pois domar boi ou martelo

Exige os mesmos calos na mão.

 

Mas era um vaqueiro leso

Meio gaiato e doido e meio

Gastava o tempo em lorotar

Em mentir, rir e sonhar

Ser o mais rico cavaleiro

O mais hábil montador.

 

Mas era pobre operário

Retirante sem valor

Versejador de mão cheia

Analfabeto e ladino

Fazia troça da dor

Na morte tirava fino.(...)

Quando o prédio quase pronto

Teve a última laje assentada

Vaqueiro ali subia

Quase fazia morada

Escalando os andaimes

Parecia alma penada.

 

Horas a fio passava,

Observando a paisagem,

Admirando de certo ou

Então vendo visagem,

Pois se arriscava de fato

Mais teimosia que coragem.

 

(...)

Ainda ontem cantava

A passagem de ano

Agora alimenta – massa –

O concreto, que desengano

Saltou de seu cavalo-asa

Para boi voador diáfano.

 

Mas em Brasília não há

Bois encantados a voar.

Há, sim, os amansados

Bois de carga, bois de eito.

Vão do pasto à malhada

E do alojamento ao canteiro.

(...)

 

Então, na primeira lua,

Se ouvia aquela cantiga

Tão familiar a todos

Aquela voz tão amiga

A cantarolar aboio

Um lamento sem guarida.

 

O que no princípio era medo,

Tornou-se consolação.

Todos esperavam a lua,

Para ouvir aquela canção

Que era triste e lamentosa

Mas falava ao coração.

(..)

 

Ei-lo voando entre os prédios

Para o campo paramentado:

Peitoral, perneira, gibão,

Chapéu passado o barbicacho.

Voou no rabo da rês

Mas só chão havia embaixo.

(...)

 

 Ed. LGE, 2003.

Passagens Terrâneas e Subterrâneas

(LGE, 2004) Trechos

 

trago  ferida

a alma de

ferida tão

medonha

que o curá-la

é a peçonha

 

campo da esperança

que esperar desse espiralado

campo?

se ao céu se só

elevam as sementes

que fazem cavadas

no chão

essas covas?

 

amarelinha

céu e inferno

iguais em si

aguardam.

 

para qual?

 

não pergunte

jogue a pedra

e pule

saltando de um

só pé

 

aguardam

em si iguais

inferno e céu

 

 

 

 


Voltar à página do Distrito Federal Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar