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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ISOLDA MARINHO

 

ISOLDA MARINHO

 

  

Isolda Marinho escreve poemas desde os 14 anos de idade. Publicou três livros Sementes de Amora, Viço do Verso e Beijo de Tangerina. É co-fundadora do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara dos Deputados.

Recebeu Menção Honrosa no IV Concurso Raimundo Correa de Poesia e

ganhou prêmio de publicação nos livros Poetas Brasileiros de Hoje e Escritores Brasileiros, Editora Crisalis (RJ).

Seu nome é verbete no Dicionário de Escritores Brasilienses. Participa da antologia Geografia Poética do DF e do livro de cordel dos poetas de Brasília. Suas obras estão nas mãos dos poetas Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Elisa Lucinda e músicos como Milton Nascimento, Beto Guedes, Belchior, Renato Matos, Renato Teixeira, entre outros.

Participou da Bienal do Livro (SP) e de várias edições da Feira do Livro de Brasília. Foi uma das poetas lidas no projeto Letras de Mulher, apresentado na Aliança Francesa, em 2006. É poeta do Congresso Brasileiro de Poesia, de Bento Gonçalves (RS).

Presença marcante em eventos culturais variados pela cidade, onde semeia sua bela poesia, entre eles Noite Cultural T-Bone, Sarau Tribo das Artes, Sarau do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados.

No teatro, atuou na peça O namorador – Noite de São João, comédia de Martins Penna, produção do Teatro de Bolso - Companhia da Ilusão.

 

Gravidez

 

Lua de barriga

Pólen de embrião

Gravidez amiga

És a criação

 

Pele de placenta

Bio fragmento

Seio que amamenta

Vida em meu rebento

 

Colo de avó

Linha de novelo

Feito pão-de-ló

Como quero tê-lo

 

Ninho clandestino

Útero de mãe

Vem, você, menino ou menina

Cresça, lute e ganhe!

 

 

Parto

 

Nade em sua piscina, pequeno

Não tenha medo do veneno.

Desfrute do seu mundo.

Seu existir é tão profundo!

Rompa esta bolsa que lhe envolve.

Mostre seu membro que se move.

Amar?!

A vida lhe ensina.

Solte seu corpo do meu,

Corte este cordão,

Sou sua mãe,

O mundo é seu.

Seja nele um andarilho

Seu nascimento

É uma canção,

Meu filho.

 

 

POÉTICA

 

A poesia em mim se infiltra,

penetra, invade, adentra, habita.

 

Quando faço verso bom,

sou Drummond.

Quando crio rima boa,

sou Pessoa.

Musicando os ideais,

vem Vinícius de Morais.

Quando a carne se desnuda,

só Neruda.

Se aos 80, sou menina,

quero Cora Coralina.

Se escrevo até sem eira,

por que não ser o Bandeira?

E na arte de rimar

como é bom o meu Gullar!

Se na métrica sou a tal,

quero ser João Cabral.

Versifico o que é belo,

sou Tiago, o de Melo.

Se um poema não me engana,

Posso ser Mário Quintana?

 

Nas Vertentes de Jovina,

minha palavra se anima.

E se escrevo para o céu...

são Tremores de Emanuel.

Tremo, vibro, queimo e ardo

num poema de Abelardo.

Poetando a vida infinda

vem Elisa, a Lucinda.

No Rubi de Amneres,

sou Cecília "Meio reles".

 

No meu verso submerso,

eis aí meu universo.

 

 

IDADE

 

Quando a pausa for maior

e eu tiver mais de 50,

vou descansar.

Peitos caídos (?)

Filhos criados.

Netos crescidos.

Quando a meada

encontrar seu fio

e o limo encarnado

não mais escorrer,

vou me olhar no espelho,

admirar e agradecer

cada ruga em meu sofrer.

Vou ser mulher.

Vou crescer.

Quando então a maior pausa

for da vida a melhor causa,

vou somar os devaneios,

libertar os meus anseios.

Ser madura, sem censura.

Vou viver.

 

 

Colo

 

Mãezinha,

Abraça-me.

Envolve-me no aconchego

do teu colo quente

e me sussurra canções pequeninas

de minha infância esquecida.

Leva-me depressa

a um mundo encantado

onde tudo é sorriso e cantiga.

Faz-me recordar o cheiro acre

do tempero agreste

em tuas mãos

quando me vestias para a escola.

Alimenta-me em teu seio pleno,

meu melhor brinquedo.

Tira-me da dor, mãezinha!

Cuida de meu corpo frágil!

Embala-me no berço de nuvem!

Aquece-me no sonho dos anjos!

Banha-me no óleo do sonho!

Cobre-me com teu manto rosa

E acarinha-me com doçura.

Protegem-me!

Acalenta-me!

Acolhe-me de novo

em teu ninho de candura!

 

 

Cigarras

 

Cigarras soturnas

sibilam

cintilam

simulam

sob sol setembro

 

Cigarras singelas

solenes

sozinhas

silenciam

sob céu cidade

 

cigarras sinceras

se soltam

soletram

suspiram

 

Cigarras são seres

sinistros

sensatos

sedentes

 

Cigarras sonoras

sossegam

sussurram

saciam

 

Cigarras são santas

sinais

silentes

silvestres

 

Cigarras sinfônicas

seus essessssssszzzzzzzzzzz

 

 

 

Fêmina

 

Jorra em mim

a cachoeira suada

mercúrio ardente

rubra enxurrada

 

Pende de mim

o fluido corado

secreto, cálido

espesso e molhado.

 

Esvai-se de mim

a resina oleosa

liquefeito caldo

suco da rosa

 

Escorre em mim

o regato mensal

fonte finita

íntima, visceral

 

Flui em mim

a livre correnteza

ciclo de fogo

fêmea natureza

 

Corre em mim

o riacho vermelho

sangria sem ferida

sumo da carne

regra da vida

 

Chora em mim

o pranto viscoso

fio de dor

rio caudaloso

fluxo-amor

 

 

Líquido amor

 

Eu

pétala de concha

mergulho na onda

perfil de sereia

 

Tu

pérola de ostra

emerges da sobra

espuma de areia

 

Eu

esponja do fundo

deusa da água

pedra de sal

 

Tu

crustáceo marinho

nado elegante

sargaço, coral

 

Eu

angra perdida

fria enseada

peixe ancorado

 

Tu

solitário búzio

náufrago tonto

ouriço encalhado

 

Eu

orla salgada

marítima estrela

baía ondulante

 

Tu

barco à deriva

porto alagado

cais flutuante

 

Eu

nau afundada

ilha esquecida

alga em flor

 

Nós

cardume de beijos

marinha paixão

líquido amor

 

 

 

 

Página publicada em abril de 2010

 

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