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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

  DULCE BAPTISTA

 

 

Natural do Rio de Janeiro, onde passou infância e juventude, tendo se formado em Letras na PUC.

 

Vive em Brasília desde 1975. Trabalhou no serviço público quando da criação da Biblioteca Nacional de Agricultura, no contexto de um projeto conjunto da FAO (Food and Agriculture Organization, da ONU) e do Ministério da Agricultura. Diplomou-se em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília, tendo mestrado em Educação e doutorado em Ciência da Informação, também pela UnB.

 

Tem contos publicados na internet e é autora de Sob os céus do Planalto (contos, LGE, 2005). 

 

(prosa poética)

 

 

O vira-lata

                         

O focinho passeia entre cascas, papéis engordurados, chicletes. Paciência de cão vira-lata em meio ao vai-e-vem dos bípedes perdidos na multidão.

 

Ônibus interestaduais vomitam gente na rodoviária, enquanto o bicho prossegue em seu irracional afã de farejar sobras. Alguém em vão lhe assovia.

 

 

Fruto proibido

 

Detrás da porta o menino se esconde. Com mil cuidados retira o celofane vermelho do bombom de chocolate com cereja. Não está previsto que coma chocolate antes do almoço; ainda assim, o menino faz de conta que esqueceu as recomendações maternas e dá a primeira mordida.

 

O gosto inefável do fruto proibido faz com que esqueça por instantes de todas as interdições desse mundo. 

 

 

Palavras

 

Palavras podem ser:

conexão; bálsamo; impulso; consagração.

Mas também:

pedrada; ferida; ruptura; decepção...

 

No pensamento e na fala

Assim como na escrita:

Dizem tudo, tudo escondem;

São e não são.

 

 

Tarde

 

Uma tarde,

Uma gente fria

Na sala quente

Do andar vazio...

O prédio é novo na esquina antiga

Cadê meu povo que não me liga...

Chego tarde, saio cedo...

Na floresta urbana o sol arde.

 

 

Guerra

 

Uma bomba lá, um tiro aqui;

Ônibus queimados, escombros...

Sangue.

No final da rua, um perigo sem aviso

Sob o céu, sob o céu, o mesmo céu

       

Do Rio de Janeiro, de Londres, Bagdá, Jerusalém, Beirute,  

Nova York, Haifa, Madri, Ceilândia, São Paulo, Paris...

Azul, cinzento, enegrecido por cacos, fuligem, fumaça e ódio. 

 

 

 

DULCE BATISTA enviou poemas escritos em 2014, como sendo “bissextos”... Aqui reproduzimos três deles, celebrando o reencontro:

 

 

In vino veritas           

 

É tinto, branco, ou quê? Não me diga

que é rosê...

Carne branca, vermelha, ou quê?

Não me diga que é patê...

Encorpado, chileno, com buquê,

ou francês, pra agradar o freguês...

Nada disso: o melhor é o português.

Ou melhor: de cada qual um pouquinho,

Um trago de cada vez...

 

 

 

                                    Entardecer

 

           

                          Translúcido céu, trinados,

                          Grama, folhagens, copas, troncos,

                          Baila a brisa no meio do verde.

                          Motores distantes, freadas, chutes a gol.

                          Indistintos ruídos – entardece.

 

 

 

Paisagem do dia seguinte

 

O mato cresce onde não devia,

O rato rói o que não podia.

Poças, cascas, lama – restos de vida

– da noite pro dia.

 

                                               

 

                    

 

 





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