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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ARIOSTO TEIXEIRA


Poeta, jornalista, cientista político, colunista da Factual/Broadcast da Agência Estado, publicou Poemas do Front Civil (7Letras, RJ, 2006). Publicou também poemas e contos em revistas brasilienses, como Bric-a-Brac, nas antologias Poemas, do Coletivo de Poetas do DF (1990) e Candieiro, coletânea de contos de escritores gaúchos (1976). É autor do ensaio Decisão Liminar - A Judicialização da Política no Brasil (Editora Plano, Brasília/DF, 2001). 

Graça Ramos, jornalista, escritora, doutora em História da Arte, diz sobre a poesia de Ariosto Teixeira que, “na oscilação entre potência e impotência equilibra-se uma agressividade desconcertante, certo lirismo às avessas, que provoca ao expressar a consciência de que o sujeito contemporâneo sobrevive na intimidação. (...). Fogem os poemas de Ariosto Teixeira do senso-comum. Trata-se de escrita de abissal contundência, que despreza regras politicamente corretas e coloca o leitor diante da pergunta: que viés poético dará conta dos sentidos deste tempo radical?”.


De

POEMAS DO FRONT CIVIL

Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.

 

“De imagens-emoções violentas faz-se este Poemas do Front Civil, de Ariosto Texeira. Na oscilação entre potência e impotência equilibra-se uma agressividade desconcertante, certo lirismo às avessas que provoca ao expressar a consciência de que o sujeito contemporâneo sobrevive na intimidação” In:

http://www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=447&PHPSESSID=0193f96aec3588cf527e538b198dc8b6
 

DISSOLUÇÃO

 

O descontrole sobre o que acontece dentro,

Dá a um homem a idéia de desmanchar,

A secura do osso em ácido corroendo-se,

Espuma dissolvendo-se na pia de lavar.

Sente-se um demente a pedir esmola,

As mãos trêmulas, a mente em bruma,

Úlcera afogada em coca-cola,

Saudade de si, melancolia e tontura.

Do tempo emerge o aroma que abala,

Até que percebe que tal fumaça,

É só um erro que de si mesmo exala,

Arma de destruição em massa.

     Um homem não sabe o que sente quando nasce,

     Mas sabe o que padece até que tudo passe.

 

 

CEGO OLHAR

 

Absorvo a luz que a revela

Quando o sol se desfolha

Não me vê contudo

Se a mim olha

Blindado no escuro

Pálida faísca nas horas

 

Ao redor dela perambulo

Sombra fria na treva

A tatear cego e mudo

O silêncio que me devora

Noite a noite abro a janela

Que ao mesmo deserto leva

 

 

SANTA TERESA

 

Ao meio-dia subimos o morro

Para ver banheiros do tempo do imperador

 

Diante da tela de Picasso

Sob a luz mortiça do mosteiro

Ela penteou os cabelos loiros

 

O líquido azul dos olhos dela

Sorvendo-se no escuro dos meus

Levou-me a ver o que o amor havia causado

À mente de Arthur Bispo do Rosário

 

Ao anoitecer um piano dissonante

Nos fez dormir já perdidos um do outro

 

 

NO FIM DO CAMINHO

 

Ao meu amor jurei fidelidade.

Imprimi tua beleza no olhar de criança.

Não sabia que das virtudes, a lealdade,

Não era o melhor que trazias por herança.

Descoberto que o humano frágil era,

Ainda assim te dei meu coração.

Não o quisestes. Querias uma quimera.

Nem o teu pusestes em minhas mãos.

Ao longo de tantos, demorados anos,

Cheguei ao fim do difícil caminho.

Atravessei montanhas, desertos, oceanos.

Esforço vão. Eis-me no gelo a tremer sozinho.

O meu amor desfeito em ossos arrasto.

A traição foi tua. Meu é só o cansaço.

 

 

ADRENALINA’S BAR

 

A plebe desfere punhaladas na noite do Adrenalina

Os meninos e as meninas dentro da madrugada

Wodka

Uísque

Absinto

A gente só queria o coração sacudir

Falar a noite inteira

Mentir é tão simples

Fugir é tão fácil

De volta para casa

Tudo vai ficar bem

 

O corpo se estende na sarjeta

Os hells limparam seus canivetes

Na cara chocolate do moleque

Encheram seu corpo de chutes

E o deixaram com o seu ninho de cobras verdes mortas nos olhos

 

Abro caminho no deserto negro dos olhos da menina

Pouco importa a guerra noturna em Beirute

O fogo a consumir os prédios da capital

A velha lágrima presa por um alfinete na retina

 

Onde estará com seu jeito inquieto de pardal

A cabeça raspada de skinhead

Talvez a perca para sempre

Quem sabe a encontro amanhã

A voar sobre a colina lilás

 

Nada a fazer

Murmuro uma velha canção

Espanco uma lata de cerveja

Não me esqueça

Espero no mesmo lugar

Apareça antes que mais alguém morra no bar

 

 

SONETO URBANO

 

Foi bom ter estado aqui a rir

No mesmo tempo que você.

Às vezes sem saber aonde ir,

Sentir a mesma gana de vencer.

A vida passa tão depressa. Parece

Que sempre seremos os mesmos,

Em busca do sem sentido da festa

que nos vai roubar os cabelos.

Não sei se foi só um beijo amargo,

Tão somente sei que não era amor,

Que tudo aconteceu como um travo,

Emoção rápida, barata, sem calor.

Você era a verdade que não se podia trair,

A lealdade que não nos permitia mentir. 

 

INÉDITOS

 

VENTO MEDITERRÂNEO

 

Percebeu que não voltaria mais

Quando as plantas

Começaram a secar

             

 Sempre soube que um

Dia iria acontecer

              Que desceria as escadas

               Como uma sombra empapada de ar

                     Mas não que doeria tanto

 

A dor era isso a dor

                         Não temer a tempestade da travessia

                         Quem sabe se voasse para longe

 

                          Sempre quis

Ir aonde bem entendesse

Ser o que bem entendesse

Falar com quem bem entendesse

                         Até descobrir que não existia outra voz igual

No caminho que o terapeuta de florais apontara

 

Que estava no âmago

Que tudo vem de dentro não de fora

 

                    (...) e pensar que ser único bastaria

 

Construir um veleiro

Uma casa ao vento mediterrâneo

       Suprir a alma intratável

          Virar como se vira o direito para o avesso

             Desabrochar como a orquídea amarela agarrada

                  Na árvore torta debruçada no telhado

 

Não

Não suplicaria

             Apenas daria de beber as plantas

 

 

TROPEL

 

Algo se quebrou

Ao sabor das palavras em tropel

Algo se quebrou outra vez

Não se sabe se era vidro

 

Algo se espatifou como se vidro fosse

Como louça chinesa quebra

Como papel rasga

Como osso racha

 

Algo se quebrou

Ao sabor das palavras em tropel

Ao sabor do painel de lenços brancos

Algo se quebrou quando menos se esperava

 

Algo se quebrou

Ao sabor de dentes brancos

Como se de vidro fossem os lenços em tropel de palavras

Exatamente quando nada mais havia

Que pudesse ser quebrado

 

A palavra se quebrou como um lenço de adeus

Como um músculo se esgarça como se pano fosse

Como se em si guardasse a natureza do vidro

                                   E da palavra

 

 

OH OS BELOS DIAS

 

No dorso da água voraz e abrupta

A mulher acena e se precipita

No desenho de um paraíso despovoado

Arco-íris a riscar o céu plúmbeo

 

Negro poço dos belos dias

 

A matéria bruta das mãos

Enfim acena e se agita

Mas não se sabe se canta

Ou se grita os versos desta canção

 

Talvez escreva um poema

 Os dedos a unhar o coração

 

Fundo poço dos belos dias

 

Ela desliza sobre a crista

A flutuar na suja espuma

As mãos em chamas a clamar

Enquanto rabisco seu nome

 

Negro poço do meu soneto

Em que se consome

Quem há pouco escavava

O abismo dos belos dias

 

 

VENENO

 

Todo o momento

Um só segundo

Todo desejo

Um só momento

 

Toda boca

Todo beijo

Todo abraço

Todo medo

Todo cansaço

 

Todo corpo

Está pleno de um só tormento

 

Toda luz

Toda cor

Toda certeza

Toda dor

Todo verso

 

Toda serpente

Resume o escravo da beleza

 

 

 

Preparada por ANGÉLICA TORRES LIMA. Página republicada em maio de 2009.



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