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POESIA PARNASIANA – PARNASIANISMO

Foto: http://tomazpompeuvestibular.blogspot.com 

LINHARES FILHO

 

José Linhares Filho: Lavras da Mangabeira-CE, 28.02.1939. Doutor em Letras peia UFRJ, com tese sobre a poesia da Miguel Torga, prêmio de ensaio do Estado do Ceará. Vários livros de crítica sobre Pessoa, Machado e outros.

Bolsista do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa junto a Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa (1987). Membro da Academia Cearense de Letras.Professor Titular de Literatura Portuguesa da UFC.

OBRA POÉTICA: Sumos do tempo (ST). Fortaleza, SIN Ed., 1968. Poemas. In: Sinantologia. Fortaleza, SIN Ed., 1968. Voz das coisas (VC). Fortaleza, Imprensa Universitária, 1979. Frutos da noite de trégua (FNT). Fortaleza, Secretaria de Cultura, 1983. Tempo de colheita (TC). Fortaleza. Secretaria de CuItura, 1987. Prêmio Estado do Ceara. Andançass e marinhagens (AM). Fortaleza, UFC/CasadeJosédeAlencar, 1993.  Em 2007, lançou “Notícias de Bordo" e " Cantos de Fuga e Ancoragem".

 

A MINHA MAE, HABITANTE DA MORTE

Tua branca rede já não se arma

para a sesta. Todavia guardo,

com o ranger longínquo dos armadores,

a placidez do teu sono

a entreter o meu sonho.

No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.

A mesa posta, entre o apetite e a lembrança,

há uma cadeira sem dono.

Falta ao alimento o tempero

que de tuas mãos ninguém pode aprender.

Mas junto a mim esta um cântaro

que se encheu de lágrimas que libertam.

As dálias do jardim continuam a florescer,

cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo

parecem reclamar a sutileza

de um carinho que o meu sono não esquece...

Teus pincéis dormem

com a resignação de pincéis.

Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido

artista perfeita, pede, todo dia,

os últimos retoques.

Santa e elmo,

no navio em que eu encontrar borrasca,

os teus olhos serão santelmo...

No silêncio noturno não se ouvem mais

os passos cautelosos com que fechavas

a janela que dá para a rua,

no entanto percebo,

na lã escura da noite,

o abrigo do teu xale.

 

 

DAS COISAS

 

Meus cabelos captam a voz das coisas

do espaço e do inespaço.

As coisas: fungíveis e infungíveis

moveis, imóveis e semoventes,

operam o fenômeno

ou são o númeno.

Queiramos ou não,

as coisas nos cercam, nos integram,

ou são presença em nossa memória.

E nos espreitam com o enigma

de seu olho uniforme.

Aonde ninguém vai,

aí penetra o olhar das coisas.

Testemunhas de virtudes e munditudes,

de todas as nossas contradições,

do sem-saber-para-onde-ir.

Levam a marca dos nossos

usos e abusos

Sofrem conosco? Riem conosco? Ou de nós?

Confidentes na solidão,

inconfidentes para a perícia.

As coisas nos encantam e desencantam.

Umas coisas, talvez,

nos libertem algum dia,

e outras decerto dependurada

trazem a morte consigo.

As coisas nos mandam e desmandam,

formam, deformam,

informam, transformam.

As coisas nos assaltam e improvisam.

Com o xadrez de situações elaboram

mais a surpresa do que a expectativa.

As coisas nos precederam e nos sucederão.

(É preciso reagir contra certas coisas.)

Sentimo-nos sós no meio das coisas.

 

 

PROFECIA

 

Um hálito de dor sopra com o vento,
um eco de inquietude se propaga.

A jusante e a montante há um lamento,
a percorrer as águas fraga a fraga.

No bafo do mormaço há um sedento
grito. Cresta o ambiente crua praga.
De onde, pela aflição, o pensamento
se turba vem na poeira um ai que esmaga.

De pedra, as mãos, os peitos e edifício;
papéis, ouvidos, trânsito, de pedra;
de pedra, os fariseus cheiros de vícios.

Mas entre as pedras o clamor de agora
é semente tenaz, que depois medra,
banhada pela luz de grande aurora.

 

 

Extraídos de: LYRA, Pedro.  A POESIA DA GERAÇÃO 60; introdução e antologia. Assessoria: Verônica Aragão.  Rio de Janeiro: Topbooks; Fundação Cultural de Fortaleza; Fundação Rioarte, ??


 

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