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ADRIANO SPÍNOLA

 

 

ADRIANO SPÍNOLA

De

Adriano Spinola
FALA FAVELA

Fortaleza: 1981

 


FALA FAVELA foi encenada, pela primeira vez,  em 1980, no Teatro Paschoal Carlos Magno, Teatro Universitário Universidade Federal do Ceará, pelo Grupo GRITA, dirigida por José Carlos Matos.

 

Observação: A verdadeira grafaia do nome do poeta é ADRIANO ESPINOLA, que ele passou a adotar nas edições de seus livros posteriores.

Para ler outros poemas, acessar : ADIANO ESPINOLA

 

aviso

 

não há lei nem rei

que me afronte:

meu poema é liberdade

minha casa uma ponte

 

não há rei nem lei

que me amedronte:

meu cartório é o vento

minha escritura é defronte

 

não há lei nem rei

que me afronte:

minha gleba é o homem

e a hora minha fonte

 

não há lei nem rei

que me amedronte:

trago um mandato do tempo

e a dor no horizonte.

 

 

 

Zé da Carminha responde

 a chico bernardino

 

- cumpadre Bernardino

  minha vida é bem outra:

   já não venho do sertão

   mas de outros sumidouros

 

  daqui mesmo da cidade

  por onde passou meu corpo:

  nas favelas em que morei

  como quem veste uma roupa

 

 

 

  roupa suja emprestada

  (pois a terra era dos outros)

  roupa de taipa apertada

  quase pregada nos couros

 

  e foi trocando tal roupa

  que vim parar onde estou

  morando neste quarto buraco

  como quem no barro se abotoa

 

  por isso cedo aprendi

  a viver como quem pousa:

  hoje no pó duma lagoa

  amanhã nas costas dum morro

 

  não por mim essa andança

  (pois sempre mudei à força)

   mas pelos donos da cidade

   que nos enxotam feito moscas

 

  cumpadre Bernardino

  deixe dizer-lhe outra coisa:

  um homem bem que se perde

   no próprio chão que povoa

 

  basta viver agoniado

  com a miséria em seu trono

  pelejando à beira-vida

  o dia que finda reimoso

 

  por passar por tantas mudas

  aprendi mais uma coisa:

  a casa de cada homem

  começa no próprio corpo

 

  que se estende nos filhos

  na mulher e nas coisas

  que ele coloca ao redor

  prá se sentir mais duradouro

 

 

 

 

  porém aqui nesta favela

  (bem como em qualquer outra)

  a vida fere com seus cacos

  pois nunca mostra seu todo

 

  morando assim desse jeito

  onde tudo é raso e pouco

  um homem pode sentir-se

  menos vivo do que morto

 

 

                                      O Tempo

 

                                      e tudo é tempo:

                                      o copo sobre a mesa

                                      a mosca sobre a massa

                                      o corpo sobre a mágoa

 

                                      o estalido do armário

                                      o estar-sendo pela sala

                                      a estação no quintal

 

                                      a voz entre paredes

                                      a vertigem entre paredes

                                      a vida entre paredes

 

                                      a memória com suas palavras

                                      a morte    com suas      lavras

                                      o medo     com suas     palas

 

                                      o homem com seu susto

                                      o homem com sua busca

                                      o homem com seu custo

 

                                      e tudo é tempo:

                                      deus na cumeeira

                                      a eternidade na soleira

                                      o poema na prateleira

 

 

 

Cena 1      

(ou poema vertebral para Francisco Gonçalves)

 

 

uma bala dentro do corpo

         eis minha casa

 

uma bala loteando a espinha

         eis meu espaço

 

uma bala habitando a fala

         eis minha sala

 

uma bala guardada nos gestos

         eis meu armário

 

uma bala varando o sono

         eis o meu quarto

 

uma bala na viga dos braços

         eis meu terraço

 

uma bala plantada no tempo

         eis meu quintal

 

uma bala posseira da fome

         eis minha paga

 

 

 

Os gran-proprietários

 

os gran-proprietários têm suas leis

suas finas-falas

suas balas

e a força de seus muros

                                  -engatilhada

 

 

faturam        faturam        faturam

a fome         a força         a fábrica

a favela        a fortuna      a fábula

fero             zzzzzzz         mente

 

só não o futuro

 

 

 

HÁ VAGAS para texto e traço. No. 2.    Brasília: 1983-     Revista. Capa: Chico Leite / Félix Valois.  Com o apoio do Decanato de Assuntos Comunitários da UnB.  Sul América Seguros. EMILIBRA – Empresa Litográfica Brasileira Ltda.   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Palavras chave : Poesia social – Poesia política – Poesia de protesto.

Teatro e poesia – favela - favelado

 

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