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ELIAS MEDEIROS FERRO (frei)

Frei Elias Medeiros Ferro, pseudônimo de Natalício Medeiros Ferro, poeta nascido Palmeira dos Ìndios, Alagoas, em 1905.

Obra poética: Cânticos do Arrebol Poesia, 1961; Flores do Outono Poesia.  1956; Poesias Completas,  Poesia, 1964; Poesias Escolhidas, Poesia,  1968; Tarde de Outono, Poesia. 

 

JESUS AÇOITADO

“Mandou Pilatos que Jesus fosse açoitado”,
Refere o Evangelista: o mais feroz tormento,
Que, para serenar o povo turbulento,
Ordenara o pretor, injusto e amedrontado.

O Cordeiro de Deus, sem revide ou lamento,
Entrega as santas mãos para ser amarrado
Ao alto da coluna e com o corpo força,
Aguarda, resignado, o horrendo sofrimento.

Vergastam-no com raiva e sádica alegria
— como soem fazer os asseclas do inferno,
As ordens de satã que os estimula e guia.

E a vítima divina, elevado o olhar terno
Ao céu, aceita a imensa e pungente agonia
E por nós a oferece a Deus — seu Pai Eterno.


         (De Poesias Escolhidas, 1968)


D E U S

As nebulosas mil do imenso firmamento,
Os astros de esplendor e formas multifárias,
Os globos siderais - quais lindas luminárias
A povoar o céu de raro encantamento.

A extensa atmosfera, a luz, a chuva, o vento,
As nuvens que no azul se manifestam várias,
Os raios e trovões e as auroras diárias
Nos falam desse belo e adorável Portento,

Desse Deus Eternal que, entre tantos primores,
Pôs o mundo a girar nas enormes alturas,
Em derredor do sol que dá vida e fulgores,

Que criou nesta terra o oceano e as planuras,
O monte, a mata, o rio, os animais, as flores
E o homem, ao qual fez o rei das criaturas.

 

A ROMÃZEIRA E A ROSA

 

A Romãnzeira rica ri da rosa

Rubra e ridente, na rural rechã,

Eum raio em risca, ou raia rogorosa,

Rápido rompe o ramo da romã.

 

Resvala o ramo e ríspido reclama

Rangendo ao raio em rijida reação:

Repele e rosna um ronco que rebrama

Da roça em rumo e ao rórido rincão

 

A rosa, a restaurar a rasgadura,

Recuar resoluta à ribanceira,

Repõe radiante a raspa da rotura

E restitui o ramo à romãnzeira.

 

Retoca o resto em roda da ramada,

Recorta a relva, e, rúbida respira;

Revê, regando, a raiz renovada,

E realça a ré que, rindo, a repelira.

 

Rompem no riso a rosa e a romãzeira,

Roçando em ruído a rama revoltosa.

E na ruidosa e rústica ribeira,

Rende-se a rica romãzeira à rosa.

 


         CONTRASTE

         Jaz na igreja, estendido em caixão precioso,
Um membro da nobreza... Em pranto estão rendidos
Os filhos seus, a viúva; e esta, a chamar o esposo,
Roga-lhe em alta voz que atenda os seus gemidos.

Os circunstantes, ante a cena, comovidos,
Põem-se a soluçar pelo amigo saudoso;
Uns, refletem, talvez, que também são maridos
E um dia a morte vem roubar-lhes todo do gozo.

Mais tarde um outro esquife é posto na capela...
— O silêncio domina o ambiente funéreo,
Em volta do plebeu, sobre  a tumba singela...

Daqui, o último sono ao descanso transfere-o,
Pois dormiu no Senhor, que os humanos nivela,
Quando a vida findar, no pó do cemitério.

 

 

Página publicada em janeiro de 2009

 


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