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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
AFFONSO MANTA

Foto: http://blogdosangiovanni.blogspot.com.br/

AFFONSO MANTA

 

Affonso Manta Alves Dias: Salvador (BA), 23.08.1939-    .  Cursou Ciências Sociais, na Universidade Federal da Bahia, não chegando a concluir. Inspetor aposentado da ECT.

 

Publicou os seguintes livros de poemas: A Cidade Mística (1971); O Colibri, a Cidade Mística e outros Poemas (1980); Canção da Rua da Poeira e outros Poemas (1994); O Falso Crente; A Princesa Nua; O Pássaro e o Poeta e O Estranho na Terra (1995).

 

OBRA POÉTICA:
Caderno de Sonetos. Poções: Gráfica da Folha do Povo, 1975.

O Retrato de um Poeta. Vitória da Conquista: Ricardo Benedictis

Editores, 1983.

Ato Meio da Estrada. Poções: Gráfica Poções Ltda, 1990.

Poemas. In: BRASIL, Assis. A Poesia Baiana no Século XX (antologia). Rio de Janeiro: Imago; Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia

1999. (Coleção Poesia Brasileira).

 

A poesia de Affonso Manta é marcada de profundo lirismo, oscilando (como dividi a antologia que dele organizei e foi lançada no ano passado) entre a poética confessional, a amorosa, a de temática variada e a de cunho religioso ou místico. Minha amizade com o poeta começou na juventude: eu com treze ou catorze anos, ele com dezesseis ou dezessete. Todas as tardes nos sentávamos no coreto do jardim de Poções, ao lado da velha Matriz, perto da qual ele viveu grande parte da vida, e conversávamos até depois do crepúsculo. Ou, mais exatamente, ele falava e eu escutava — maravilhado com aquele rapaz que já tinha lido tanto e se referia desenvoltamente a ficcionistas, filósofos, sobretudo a poetas e poesia.

                                 RUY ESPINHEIRA FILHO

 

 

A PAIXÃO PREMEDITADA: Poesia da Geração 60 na Bahia.  Org. Simone Lopes Pontes  Tavares.  Rio de Janeiro: Imago; Salvador, BA: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2000.  368 p.     (Bahia: Prosa e Poesia)  ISBN 85-312-0737-1  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

ANJO DE FOGO

 

E como um ser de forte claridade,

Anjo de fogo do celeste empíreo,

Eu sentia nas asas do delírio

A dimensão da grande liberdade.

 

Passava nos lugares rotineiros

Colhendo todo mundo em meu abraço,

Confundindo noções de tempo e espaço,

Embaralhando fatos verdadeiros.

 

Ia nos quatro pontos cardeais.

Andava sobre a linha do equador.

Via o céu da manhã mudar de cor.

Percorria os espaços siderais.

 

Ia mais longe do que qualquer nave.

Voava mais depressa do que a luz.

Entendia as palavras de Jesus

Como uma criancinha entende uma ave.

 

Achincalhava todas as mentiras.

Todos os fariseus desmascarava.

Os ídolos do hipócrita quebrava.

A roupa do impostor deixava em tiras.

 

E como um ser de etérea realeza,

Adornado de estrelas e de luas,

Saía a percorrer todas as ruas

À procura da forma da beleza.

 

E encerrava meu curso luminoso

Num lugar pelos homens habitado,

Onde era pelos guardas algemado

E preso como um louco furioso.

 

 

LÁ VAI AFFONSO MANTA

 

Com estrelas na testa de rapaz,

Com uma sede enorme na garganta,

Lá vai, lá vai, lá vai Affonso Manta

Pela rua lilás.

 

Coroa de alumínio sobre o crânio,

Lapelas enfeitadas de gerânios

E flechas no carcás.

 

Manto florido de madapolão,

Bengala marchetada de latão,

Desfila o marechal,

 

O rei da extravagância, o sem maldade,

O campeão de originalidade,

O peregrino astral.

 

 

RAIOS

 

O amarelo impreciso, incerto, vago,

Do vestígio do tempo no retraio.

 

Um voo sinuoso de andorinhas

Na calma das igrejas pobrezinhas.

 

A sucessão dos dias angustiados.

O campo místico dos enamorados.

 

Os versos doloridos que componho

Num estado de mágica e de sonho.

 

A despedida, o derradeiro beijo,

Os lábios sequiosos do desejo.

 

O mendigo que morre na calçada

E todo mundo passa e não diz nada.

 

A paisagem da infância já perdida.

A saudade da Terra Prometida.

 

Anjos e querubins pelos espaços.

Os foguetes buscando outros planetas.

 

E esse brilho de sóis e de cometas

Que eu sinto acompanhando meus cansaços.

 

 

 

IARARANA – revista de arte, crítica e literatura.  Salvador, Bahia.  No.  9 – agosto 2004.    Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

MANTA, Afonso.   Antologia poética. Organizador Ruy Espinheira Filho.  Salvador, BA: Assembléia Legislativa, Academia de Letras, 2013.  170 p.  (Coleção Mestres da Literatura Baiana, v.4
Ex. Bibl. Antonio Miranda

 

 

.O PRÍNCIPE LOUCO

       Para Ângelo Roberto

 

 Acendeu uma rosa na cabeça
E saiu a dançar, iluminado,
Aquelas valsas tristes do passado,
Dizendo: “Que a aflição desapareça!


Eu sou a profecia que não erra.
Eu sou o rio ungido e coroado
Eu vou fazer o sol ficar parado.
Eu vou inaugurar a paz na terra.

Eu, o príncipe louco da Bahia,
Vou restabelecer a monarquie,
Num transe de poesia verdadeiro.”

 

 E foi pela cidade a declamar:
“Algum dia o sertão vai virar mar!”!

 Como se fosse Antonio Conselheiro.

 

 

 

 ASTRO VIOLETA

Eu não vivo, eu transito entre miragens.
De uma a outra, à procura de nenhuma.
Ou talvez à procura dessa bruma,
Que é o resumo de todas as paisagens.

Eu não existo, eu movo-me entre os dias,
Numa febre vermelha a me queimar.
Os meus minutos custam a passar.
As minhas mão são pobres e vazias.

Eu não nasci, eu vim de um astro errante.
Um astro de matéria violeta,
Que me jogou de chofer no planeta
E se desintegrou no mesmo instante.



OLHANDO

Olhando as águas correntes,
Que vão sem fazer espuma,
Há um mundo suficiente
Em não querer coisa alguma.

Olhando as águas correntes,
Olhando só por olhar,
O denso rio da mente
Flui e deságua no ar.

 

 A alma se expande em lentos
E serenos pensamentos
Que se perdem calmamente,

Enquanto, como um poema
Que insiste no mesmo tema
Passam as águas correntes...

 

 

 

 NENHUMA AURA

 

 Não vou deixar,
Para a posteridade,
Aquela aura
Da celebridade.

Devo deixar,
Provavelmente,
Só na memória
De alguns amigos,
Uma lembrança
Satisfatória.

 

 

 

 JIBÓIA

 

 Com desvelos de cobra e com mil troços,
Fizeste do meu ser um caixão de ossos.
Se um dia eu for mordido pelos cães,
Dirás, para constar, palavras vãs.

E, quando eu não dormir ou ficar mudo,
Descobrirás um mau sentido em tudo.
São coisas que eu espero lentamente.
Como quem bebe um copo de aguardente.

Inventarás que o rei era a rainha.
Que não existe dor igual à minha
E que tudo que eu toco se transforma.

E mais: que estou cansado de estudar,
Que devo tomar sol, banhos de mar
E romper o silêncio de outra forma.

 

 

 

 MARÍTIMA

Com o teu raciocínio flutuante,
Que oscila em ondas dentro de si mesmo,
Eu me sinto no mar, errando a esmo
No tombadilho de um navio mercante.

Com essa tua candura de menina,
Fácil de olhar, mas não de se pegar.
Os homens que pretendem te alcançar
Ficam a ver navios na neblina.

 

 

*

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Página ampliada em maio de 2021

 

 

Página publicada em novembro de 2014; ampliada em junho de 2019

 


 

 

 
 
 
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