Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÂNGELO MONTEIRO 

 

MONTEIRO, Ângelo.  O ignorado.  São Luis do Maranhão: Print Editora, 2012.  130 p.  (Resistência Cultural - Biblioteca de poesia, 1) 13,5X21 cm. Prefácio: Ronald Robson.  Posfácio: Jessé de Almeida Primo.  “ Ângelo Monteiro “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Talvez na literatura brasileira este poema em prosa tenha, em sua feitura na confluência do ensaio, da poesia e da fábula, parentesco distante somente nos Cantos de Lúcifer (1954), de José Alcides Pinto; mas essa é obra de um possesso, enquanto este O ignorado é louvor de graça recebida. Socorrido ainda uma vez pelo ensaio clássico de T.S. Eliot sobre os metafísicos ingleses, arrisco dizer que Angelo está mais próximo dos "poetas intelectuais" que dos "poetas refletidos ou reflexivos": a integração entre conceito e expressão poética lhe ocorre, assim como àqueles, numa "apreensão sensorial direta do pensamento", não sendo só "poesia que pensa" ou, pior ainda, "poesia que quer educar", como sói ser a produção destes. Daí que a qualidade saliente deste texto é que mesmo o juízo mais analítico tenha a força de uma apreensão de dado do real em nível poético ou de tumultuadas possibilidades, o que por si só é revolta contra "a enorme façanha do nosso tempo, que é a de manter vivas cidades de homens mortos"; esses homens, sim, petrificados, incapazes de fidelidade a seus destinos, pois que "filisteus sem alma que, depois de cultivar as sílabas, passaram a cultivar ostensiva e exclusivamente a Letra".  RONALDO ROBSON

 

III

 

Estamos diante do Inelutável. Esta é a experiência. Podemos

não contar com nenhuma esfera transcendente, mas há o

coração da Vida. Entreguemo-nos a ele.

 

Deus é o Homem e o Homem é o Deus, Cristo é o Homem

e o Homem é o Cristo, a Mulher é Maria e Maria é a Mulher. O

caminho do Homem para Deus deve ser o mesmo do homem

para o Homem.

 

A Mulher é aquela que não foge. O Homem é aquele que

não pára de afirmar. A mulher deve recolher a afirmação, o

Homem deve recolher a dádiva. A Mulher é a Vida, o Homem

é a Palavra. No jogo de Cavaleiro e Dama o Homem é Menino,

a Mulher é Mãe. No outro pólo do jogo, o Homem é o senhor,

a Mulher é Serva.

 

Da nossa mais profunda dor sobe o apelo à Grande Mãe.

Sempre perdida, jamais encontrada, mas ainda assim ansiada

na perpétua agonia de nossas vidas volteando sem cessar ante

o altar da Mãe. Ah! O altar da Mãe é também o altar do Verbo.

Porque nele cresce e se debate o desespero - ainda que prenhe

da mais dolorosa esperança - da chama dessa vela que ora

morre, ora revive: nossa alma revolta e transviada que deseja

se fundir em algo melhor do que ela mesma, em sua necessidade, em sua culpa, em sua dor, em sua permanentemente frustrada aventura de alegria.

 

Onde encontrar a Mãe para nela, no seio dela, ser Menino

Deus? Onde encontrar a Mãe para nela afundar nossa angústia das raízes por nós perdidas antes mesmo de sermos e de

nos destroçarmos entre as arestas dessa indesejada existência?

Onde encontrar a Mãe para nela morrermos, a mãe redescoberta na menina que se fez serva para ser novamente mãe do Menino recuperado? Como o burguês poderá jamais entender esse mais doce que tremendo mistério?

 

A Mãe se perdeu: e raros a reencontraram em sonho e

preferiram, depois disso, abandonar a luz cansada desses dias

para se fixarem na nebulosa noite banhada pela Estrela remota

que ensinou aos homens o caminho do Menino e à Mãe o

caminho da Serva.

 

Mas estamos diante do Inelutável. E a Mãe quando começará a nascer?

 

 


Extraído de:
2011 CALENDÁRIO   poetas     antologia
Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2010.
Editor: Edson Guedes de Morais

 

/ Caixa de cartão duro com 12 conjuntos de poemas, um para cada mês do ano. Os poetas incluídos pelo mês de seu aniversário. Inclui efígie e um poema de cada poeta, escolhidos entre os clássicos e os contemporâneos do Brasil, e alguns de Portugal. Produção artesanal.

 

 

 

 

 

 

SAVARY, Olga, org. Carne viva.  1ª antologia brasileira de poemas eróticos.  Rio de           Janeiro: Editora Anima, 1984,  348 p.  14x21 cm.  Capa: ilustração de Sérgio Ferro. Inclui 77 poetas ativos no final do século 20.  Col. A.M. (EA)

 

o centauro

Teme a mim, que deito raízes
no limo de tua carne.
 Teme a mim, que trago a vertigem
dos polvos para enredar-te.

Ó teme a mim, que te cavalgo
sobre o sangue vicejante:
como a um pasto de claridade
aberto ao meu horizonte.

Como a um pasto a que eu sem freios,
e selvagem me descontraio,
teme: não tanto ao meu vermelho
mas à cor do meu desmaio.

Teme: não ao fogo desperto,
antes ao fogo dormido.
Não ao claro sol que te cresta
mas, ao que te rasga, escondido.

 

sol secreto

Entre túmidas colinas
de sedas mornas e claras;
nas tuas internas minas
queimas tua luz avara;

internamente lavrando,
sem que jamais se consuma,
seu fogo pobre, seu fogo
que de ser brando costuma.

 

 

Página publicada em janeiro de 2011; ampliada e republicada em março de 2015 com a colaboração de Sérgio Castro Pinto.

 

Voltar para o topo da página Voltar para a página de Alagoas

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar