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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

J.G. DE ARAÚJO JORGE

(20/05/1914 — 27/01/1987)

 

 

J. G. de Araújo Jorge pode estar esquecido pela crítica — e dificilmente terá lugar na história da poesia brasileira —, mas jamais pode ser menosprezado. É um dos poetas mais freqüentados nas páginas da internet e talvez seja um dos mais lembrados, lidos e copiados pelos enamorados.

 

Autor de vasta obra (36 livros), sem esquecer o trabalho de divulgação da poesia que ele desenvolvia, ainda é um dos poetas mais buscados nos sebos, já que sua obra não é — falta tino aos editores — reeditada.

 

Ele nasceu na Vila de Tarauacá (ACRE), onde passou a infância e cursou o primário. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, ainda ginasiano, sua primeira colaboração  na imprensa adulta: em 1931, publicou o primeiro poema "Ri Palhaço, Ri" no  "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932.
No Externato Colégio Pedro II, chegou a merecer, em certame, o título de o  Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto.

 

Foi locutor e redator de programas radiofônicos, e professor  de História e Literatura do Colégio  Pedro II. Foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal por três Legislaturas , chegando a exercer a liderança do MDB. Era conhecido como o Poeta  do Povo e da Mocidade, “pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático” — como assinalada acertadamente um site da internet.

 

Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.

 

Página preparada por Salomão Sousa

 

 

 

“Marca de leitura” ilustrada com poema,
criação de Edson Guedes de Moraes, Editora Guararapes.

 


 

VINHO

Do amor tu não dirás: provo, mas não me embriago,
que não basta provar para sentir o amor.
É preciso sorvê-lo até o último trago
se a embriaguez é que dá seu profundo sabor.

Teu amor deve ter profundidade e cor
não deve ser um sonho doentio e vago,
se assim for, então sim, podes te dar por pago
que este é o preço da vida e todo o seu valor.

Transborda a tua taça, ergue-a nas mãos, e brinda
o momento feliz que viveste e não finda,
que só o amor que embriaga e que nos leva a extremos

pode glorificar os sentidos e a vida,
e vencendo a razão que nos tolhe e intimida,
nos faz reaver, de pronto, as horas que perdemos!

 

 

BAZAR DE RITMOS

Nas vitrinas há luz!... Está em festa o bazar
de ritmos, de sons, estranhos e diversos,
- onde canta a minha alma dentro dos meus versos
como num búzio canta e ecoa a voz do mar!

Quantos versos compus!... E que diversidade
de momentos... de estado de alma... nos meus sons!
- traduz bem um bazar, a minha mocidade
na confusão febril das suas sensações...

Sensações que são minhas, por meu Ser sentidas,
mesmo aquelas talvez mais rubras... mais bizarras...
- sinfonia de uma alma onde há notas perdidas
de violinos, pardais, pandeiros e cigarras!

Violinos, - nos meus poemas vagos, doloridos...
pardais, - nos meus trinados de alegria e amor...
pandeiros, - na cadencia ruim de meus sentidos,
e cigarras, nos versos cheios de calor!

Há dentro do bazar a estranha sinfonia
que escrevi para o mundo em toda orquestração,
- é a música da vida, um ser de cada dia
a desdobrar os "eus" da minha multidão...

Há ritmos que riem! Ritmos que gritam!
- vibrações como guizos finos e estridentes...
- emoções como sinos brônzeos e soturnos...

E, assim, nessa alternância, no meu Ser se agitam
- pedaços de rapsódias vivas e contentes...
- trechos emocionais e tristes de noturnos!...

Nas vitrinas há luz!... Está em festa o bazar!
Há sonhos... ilusões... lembranças... e segredos...
Tudo isto para a vida criança vir comprar,
e insensível destruir meus últimos brinquedos!

 

 

DEDICATÓRIA

Este meu livro é todo teu, repara
que ele traduz em sua humilde glória
verso por verso, a estranha trajetória
desta nossa afeição ciumenta e rara!

Beijos! Saudades! Sonhos! Nem notara
tanta cousa afinal na nossa história...
E este verso - é a feliz dedicatória...
onde a minha alma inteira se declara...

Abre este livro... E encontrarás então
teu coração, de amor, rindo e cantando,
cantando e rindo com o meu coração...

E se o leres mais alto, quando a sós,
é como se estivesses me escutando
falar de amor com a tua própria voz!

 

 

AMO!

Amo a terra! Amo o sol! Amo o céu! Amo o mar!
Amo a vida! Amo a luz! Amo as árvores! Amo
a poesia que escrevo e entusiasta declamo
aos que sentem como eu a alegria de amar!

Amo a noite! Amo a antiga palidez do luar!
A flor presa aos cabelos soltos de algum ramo!
Uma folha que cai! Um perfume no ar
onde um desejo extinto sem querer inflamo!

Amo os rios! E a estranha solidão em festa,
dessa alma que possuo multiforme e inquieta
como a alma multiforme e inquieta da floresta!

Amo a cor que há nos sons! Amo os sons que há na cor!
E em mim mesmo - amo a glória de sentir-me um Poeta
e amar imensamente o meu imenso amor!.

 

 

OS VERSOS QUE TE DOU

 

Ouve estes versos que te dou, eu

os fiz hoje que sinto o coração contente

enquanto teu amor for meu somente,

eu farei versos...e serei feliz...

 

E hei de fazê-los pela vida afora,

versos de sonho e de amor, e hei  depois

relembrar o passado de nós dois...

esse passado que começa agora...

 

Estes versos repletos de ternura são

versos meus, mas que são teus, também...

Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que

possa perturbar vossa ventura...

 

Quando o tempo branquear os teus cabelos

hás de um dia mais tarde, revive-los nas

lembranças que a vida não desfez...

 

E ao lê-los...com saudade em tua dor...

hás de rever, chorando, o nosso amor,

hás de lembrar, também, de quem os fez...

 

Se nesse tempo eu já tiver partido e

outros versos quiseres, teu pedido deixa

ao lado da cruz para onde eu vou...

 

Quando lá novamente, então tu fores,

pode colher do chão todas as flores, pois

são os versos de amor que ainda te dou.

 

 

LIBERDADE

A liberdade é o meu clarim de guerra
e eu sou, no meu viver amplo e sem véus,
como os caminhos soltos pela terra,
como os pássaros livres pelos céus.

 

Ela é o sol dos caminhos ! Ela é o ar
que os enche os pulmões, é o movimento,
traz num corpo irrequieto como o mar
uma alma errante e boêmia como o vento.

 

Minha crença, meu Deus, minha bandeira,
razão mesma de ser do meu destino,
há de ser a palavra derradeira
que há de aflorar-me aos lábios como um hino.

 

Liberdade: Alavanca de montanhas!
Aureolada de louros ou de espinhos
há de cingir-me a fronte nas campanhas,
há de ferir-me os pés pelos caminhos.

 

Sinto-a viva em meu sangue palpitando
seja utopia ou seja ideal, - que importa?
Quero viver por esse ideal lutando,
quero morrer se essa utopia é morta !

 

 

SER MÃE

1
Quando todos te condenem
quando ninguém te escutar,
ela te escuta e perdoa,
por ser mãe - é perdoar!

2
Quando todos te abandonem
e ninguém te queira ver,
ela te segue e procura
pois se mãe - é compreender!

3
Quando todos te negarem
um pão, um beijo, um olhar,
ela te ampara e acarinha
por ser mãe - sempre é se dar!

 

 

 

JORGE, José Guilherme de Araujo.   Tempo será.  Rio de Janeiro: Record, 1986.  240 p.     x   cm.. Capa: Nélson Macedo.  Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

         CANTO RESIGNADO

         Sou um poeta
         dionisíaco,
         visionário,
         resignado, em seu destino
         sedentário.

         Sonho, como os pássaros
         que se vão a cada alvorada
         e adormecem, à música da aragem,
         com seus violinos
         na folhagem

         Envelheço
         diante dos mesmos horizontes,
         braços estendidos a abrigar
         o cansaço dos viajantes
         invejando-lhes o destino
         sem  coragem de ver
         seus passaportes.

         Um poeta
         cumprindo sua missão: desabrochar
         versos (como flores)
         e encher de sons o espaço
         como as ramagens
         ao arco do vento.

         Um poeta
         que nasceu pássaro,
         e infeliz,
         cumpre o seu destino
         de raiz...     

 

 

Éder Aleixo de Assis mais conhecido como Éder 
ou ainda 
Éder Aleixo, (Vespasiano, 25 de maio de 1957).

 

O GOL DE ÉDER

(O terceiro gol brasileiro contra a Escócia no campeonato mundial
de futebol na Espanha, 1982)

É uma asa ou um pé?

Súbito,
como num rápido balé,
sobre o palco de grama
ele avança.

Corre, dribla, voa
ou dança?

A bola é um misterioso imã
que o atrai,
e ele a toca de leve, e ela, em suave
parábola,
lá vai...

Como se a trave fosse um ramo
onde pousar;
é um pássaro que sobe e docemente
se aninha nas redes
devagar...

O goleiro não crê no que vê,
e acompanha se voo, desolado,
preso ao chão,
enquanto em coro, num glorioso grito
de gol
explode a multidão!

 

  

 

ÁLBUM DE POESIAS.  Supplemento d´O MALHO.   RJ: s.d.   117 p.  ilus. col.  Ex. Antonio Miranda


 

 

 

Página publicada em setembro de 2009; ampliada e republicada em janeiro de 2019; ampliada em abril de 2019


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