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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




OVIDIO MARTINS

(1928-1999)

 

 

Nasceu em São Vicente (17.9.1928), Cabo Verde. Poeta caboverdiano, jornalista, co-fundador do Suplemento Cultural (1958, São Vicente). O seu envolvimento em atividades de promoção da independência valeram-lhe a pena a prisão e o exílio nos Países Baixos.

 

Obra:  Caminhada, 1962 – Poemas; 100 Poemas - Gritarei, Berrarei, Matarei - Não ou para pasárgada, 1973 - Poemas em Português e em crioulo de São Vicente; Tchutchinha, 1962 – Novela. 

 

TEXTO EM PORTUGUÊS  /  TEXTO EN ESPAÑOL 

 

 

 

CABOVERDIANAMENTE

 

Detém-te lágrima

Não ferimos ainda o último combate

Ah este desejar loucamente o sol

          este ansiar febril por fontes que não há

Detém-te e espera

caboverdianamente espera

o dia em que

          devagarinho

                    penetrarás

a terra geminada de esperança

Detém-te lágrima

que estás no limiar

                    do reino

encharcado de sol

do belo reino encharcado de sol

a razão crioula da nossa luta

Detém-te e olha

as palavras feitas raízes

entrelaçadas de amor      

                    e sangue

confundidas na mesma seiva

que alimenta         

                    montes

e sargaços

Detém-te lágrima

e aguarda

calmamente aguarda

caboverdianamente

 

 

MEDO

 

Ah sempre este sonho ingrato

de reduzir a distância!

Meus gestos

          perdi-os

                    no aceno do mar

Meus olhos

          cansei-os

                    no afago das ondas

E agora este medo desesperado

de ter o sonho na palma da mão

e sem gestos

          para o acariciar

e sem olhos

          para o deslumbramento!

 

REIS DA BAÍA

 

Tiegs

catraeiro valente

que deixaste fama

na guerra com marinheiros

          mondrongos

(tu só brigaste contra sete

          não foi?)

que é Tiegs?

que luz brilha ainda

          em teus olhos cansados

tão diferente da que ilumina

olhos de

          comerciantes

funcionários

prostitutas ?

 

Dáss

carregador de cais

filho de inglês

e de mulher de terra

que é Dáss

que luz cintila

          em teus olhos

tão semelhante

à que anima

as pupilas cansadas

de Tiegs?

 

João Cabafume

rei da baía

que morreste indominado

e cuja cólera

todos temiam

que atiravas ao mar

os cabos-do-mar

se te faziam perder

          a paciência

que era João?

que luz era aquela

que faiscava

          em teus olhos

irmã gémea

da que vive

nos olhos de Tiegs

e cintila nos olhos

de Dáss o valente?

 

 

ADIADO O TEMPO PARA AMAR

 

Desculpa meu amor
não há tempo para o amor

 

          Quando melhor arfar o mar
                    o céu for mis azul
                    e lua menos leviana

 

Desculpa meu amor
´inda é cedo para o amor

          Quando fenderem os ares
          os pássaros da liberdade

Desculpa meu amor
teremos em breve nosso amor

          Quando soluçarem os tambores
          na Mãe-Terra distante
          Quando endoidecerem tinindo
          os sinos todos de Cabo Verde

 

 

Extraído de MÁKUA – ANTOLOGIA PÓETICA 2.  Luanda: Publicações Imbondeiro, 1963.

 

 

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POEMA SALGADO

 

Eu nasci na ponta-da-praia

por isso trago dentro de mim

todos os mares do Mundo

 

Meu correio são as ondas

que me trazem e levam

recados e segredos

 

E meus bilhetes

(meus bilhetinhos de saudade)

são suspiros salgados

que as sereias recolhem

da crista das ondas

 

Nas conchas e búzios

de todos os mares do Mundo

ficaram encerradas

minhas canções de amor

 

Que eu nasci na ponta-da-praia

Por isso trago dentro de mim

todos os mares do Mundo.

 

 

PARA ALÉM DO DESESPERO

 

Para além do desespero...

Apenas a criança

Numa paisagem de nada

 

A sua boca não ri

(Nunca soube

que uma boca de criança

foi feita para rir)

 

Os seus olhos não choram

(Não há lágrimas para além do desespero)

 

Os seus pés

não correm atrás de borboletas

e as suas mãos

não abrem covas na areia

(Não há borboletas nem areia

numa paisagem de nada).

 

Para além do desespero...

Também minha revolta

com cadeados nos pulsos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TEXTO EN ESPAÑOL 

POEMA SALADO

 

Yo nací en la punta de la playa

por eso traigo dentro de mí

todos los mares del mundo

 

Mi correo son las olas

que me traen y me llevan

recados y secretos

 

Y mis tarjetas

(mis tarjetas de nostalgia)

son suspiros salados

que las sirenas recogen

de la cresta de las olas

 

En las conchas y caracolillos

de todos los mares del mundo

quedaron encerradas

mis canciones de amor

 

Que yo nací en la punta de la playa

por eso traigo dentro de mí

todos los mares del mundo. 

 

Extraído de POETAS AFRICANOS CONTEMPORÁNEOS, org. Fayada Jamis, Virgilio Piñera, Armando Álvarez Bravo, Manuel Cabrera y David Fernándes. (Traductores). Madrid: Biblioteca Jucar, 1975.  

 



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