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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MANUEL RUI

Fonte da foto: www.uea-angola.org/

 

MANUEL RUI

 

 

Manuel Rui nasceu em Nova Lisboa (hoje Huambo), Angola, em 1941. Com participação ativa em diversas áreas (política, social, cívica, ensino), alia a prática da advocacia, que exerce em Luanda, à escrita. Detentor de uma vastíssima, abrangente e multifacetada obra, tem colaboração dispersa em diversos jornais e revistas, figura em antologias de ficção e de poesia, e textos seus estão traduzidos em várias línguas. É membro fundador da União dos Artistas e Compositores Angolanos, da Sociedade de Autores Angolanos e da União de Escritores Angolanos. É cronista, crítico e ensaísta. Publicou até ao momento nove livros de poemas e mais de uma dezena de ficção: entre muitos outros títulos, Quem Me Dera Ser Onda (Prémio Caminho das Estrelas; adaptado para teatro e televisão e com várias reedições), Crónica de um Mujimbo, Rioseco, Um Anel na Areia, Conchas e Búzios (Infantil-juvenil), O Manequim e o Piano, Estórias de Conversa.
Fonte da biografia: http://namibianotombua.multiply.com/

 

 

 

EM JULHO N0 LUBANGO

 

Ha uma bruma matinal até o sol ser todo
luz que se filtra numa calma azul
sem nuvem o céu se faz de um infinito
para além dos largos ombros das colinas.

 

Em Julho nem todas as flores estão despertas.

Há no entanto o verde inatingível

dos arbustos que defrontam a geada.

No mais os troncos nus dos homens que atravessam

 

milhões de pensamentos e distância

na nómada paz de uma manada

e os meninos que são também pastores

de carne e leite laboriosa infância

à beira de estrada.

E os seios meios contrários do pudor

do frio. Em Julho e bem no alto

dos seios do Lubango os montes que o circundam.

ainda se vê um cristo miradouro

saudoso saudosista a despedir-se

de um tempo que abraçou

e que findou.

 

Em Julho no Lubango
oásis meio / caminho perto de um deserto / resistente

em Julho no Lubango para contar Novembro há sempre gente:

"E foi na serra a guerra as emboscadas

até chegar o dia da vitoria na cidade

e nós clandestinos já cá estávamos
 e havia muito povo

de armas na mão desenterradas."

 

 

 

MUSEU

 

De meus antepassados não recordo
mas invento em cada pedra colocada
em praças por seus braços noutros braços
onde pombas poisam e turistas fazem
souvenirs de sol e manuelinos

E pátrias não conheço

Assisto aos exercícios outonais
da morte sem idade   do cremar
olhos na distância por noivas adiadas
e mãos correndo terços das velhas esperando
a morte simplesmente

E deuses não conheço

Não fui navegador

embora me quisessem em vários continentes
em que sempre estive e disse nunca
para que naufragasse minha história com o peso
das grilhetas amarrado aos oceanos

E epitáfios não conheço

que ergueram meus braços
o está na Africa
a minha música
o está em Africa
a minha estatuária
não está em África

idem para o meu marfim
as minhas lanças
os meus diamantes
o meu ouro
idem
idem
idem

 

 

 

 

 

Página publicada em agosto de 2009; ampliada em janeiro de 2016


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