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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

EUCLIDES MARIANO

 

 

Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1962 no Golungo Alto. Obra 

publicada: “Cânticos de Sobrevivência” (1995).

 

 

Geografia do tempo

 

Verteram-se as raízes na terra

o tempo arrefeceu os gritos

e nasceu o oiro que irradiou a gente:

Sepultamos a escuridão que reinou

erguemos paredes de alegrais na terra,

em breve, a alegria e a floração,

verteram no cântico do sortilégio,

e a luz se converteu em miragem

- àquela que enterramos ontem ...

 

 

Voragem

 

Vieram os oceanos atiçar viagens

nas ruelas floridas com sonhos

 

foi o hálito da chuva e da mortalha

sobre a morfologia dos passos.

 

A terra naufragou na humildade das línguas

que nasceu da ressaca das palavras _

e caiu como gotas sobre as cinzas

das manhãs rutilantes de profecias.

 

No chão o ião desligou-se da vida

na foz o sol desligou-se das flores.

Os deuses assim mesmo se restauraram

atearam frases sobre os sonhos ...

 

 

O Vento do Verão

 

Passou o vento do verão

num tom plebeu persuadindo

que a expressão do luar em trevas

seria a vida nas palhotas.

Vítimas da desilusão

depararam-se os homens que aplaudiam

o temporal do verão

desprovidos de grinaldas

que o vento lhes prometera

 

e num gesto de soslaio

trocaram olhares humildes

como na antiguidade ...

 

Nos olhos a floração da amargura

vivida no silêncio da lirurgia

coloria o estado de ser

dos homens.

 

 

O Homem lendário

 

Eis que surgiu uma voz de fama

grande tumulto nas terras do norte

fundou o motim com sua sabedoria

com sua percepção atiçou a ira.

 

Fazendo soar o protesto da sua voz

logo os suspiros dos extremos da terra

exalaram os desejos exilados na luxúria

que governava os espíritos vivos.

 

Todo o homem se irou e arrancou pela raiz

a cruel vaidade que cegava a gente

houve justiça na aflição do instante

alguns dos lacaios da luxúria pereceram.

 

Eis que devoraram a voz de fama

derramaram a escuridão da crueldade

sobre os anseias populares daquela voz

e pereceu o motim das terras do norte.

 

 

O Cântico da terra

 

O campanário da partida foi o sonho

com colheitas vermelhas e orgias.

O chão fora amanhado no templo dos deuses

em sonhos pregados nas folhas de papel.

Nas searas molhadas de devoção

a leiva ficou algemada de castigos.

 

O oiro negro foi a anunciação da terra

foi o cântico que nutriu os palcos

 

com sonhos lindos de trigo e mutação.

Diluiu-se a dissociação dos homens

 

a vegetação dócil dos véus do talismã.

Nas veias dos deuses floriu o tantã

que inflamou Ou o som da aragem na terra.

 

 

Extraídos de:

VASCONCELOS, Adriano Botelho de, org. Todos os sonhos. Antologia da Poesia   Moderna Angolana.  Luanda: União dos Escritores Angolanos "Guaches da Vida",   2005.  593 p. 

 

 

Página publicada em junho de 2012

 

 

 
 
 
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