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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TU PAÍS ESTÁ FELIZ

 

 

 

 

MIRANDA, Antonio.  Tu país está feliz.  Tradução de Oleg Almeida.  Brasília:  Editora Thesaurus, Brasília, 2011.  136 p.  14x21 p.  ISBN 978-85-857062-981-4 Edição bilíngue português-russo. 

 

Programação visual de Gustavo Araujo, supervisão editorial de Tagore Alegria. Inclui um encarte em papel couchê com o poema “Resgate de Cristo” (em português e em russo) e foto da cena.Edição com o apoio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal.

 

Na capa, projetada por Tiago Sarandy, foto do ator Gustavo Gutierrez, da versão original de 1971. Na última capa aparecem duas imagens da remontagem da peça, realizada pelo diretor Carlos Giménez, em Caracas, Venezuela, no ano de 1984. 

 

 Vejam também a entrevista com o tradutor Oleg Almeida e a leitura que faz de poemas do livro em russo:

 

 

COMENTÁRIOS

Adorei mesmo o livro “Tu País está feliz”. Devorei-o de uma só tacada e voltarei a lê-lo da mesma forma que você me fez voltar a UM TEMPO rico de valores e pobre de liberdades. Um tempo mais ou menos oposto dos dias atuais. Será que alcançaremos um TEMPO MAIS EQUILIBRADO?  SANDRA FAYAD – DF, jul.2012

 

“Tu país está feliz  é um conjunto de poemas escritos em 1969 e impressos à época em mimeógrafo. São textos que clamam pela liberdade, inexistente aqui sob a ditadura militar, e que foram musicados e lançados em espetáculo em Caracas, Venezuela, onde Miranda estudava. De estrutura cênica, esses poemas deram ao poeta um êxito notável quando ainda era inédito no Brasil. Embora "datados", são textos de forte carga poética e emocional, que mesmo hoje subjugam o leitor.”  FERNANDO PY, in Tribuna de Petrópolis, 26 outubro 2012, Caderno Lazer, p. 5.

 

 

 

 

 

 

 

Por fim, seus poemas da juventude, que têm a peculiaridade de vir com uma tradução para o russo.  De fato, sente-se aquela indignação vibrante, altamente crítica dos tempos da juventude.  São poemas mais longos e mais discursivos.  O que neles seduz é essa voz mais direta.  O poeta jovem grita – como na imagem da capa – e até é capaz de tocar fogo nas vestes, conforme o poema “Versos Itinerantes II”.  Porém, já nessa fase anuncia-se uma poesia mais madura e reflexiva, como se vê no belo “O Corpo do Poema”.  E, claro, todo poeta jovem há que falar de amor, em suas diversas formas.  Destaca-se também um poema muito curioso, aquela “Autobiografia Tardia”, poesia satírica e carnavalizadora da melhor qualidade – um poema que realmente se lê com prazer e sem compromisso: o poeta se vinga e põe o mundo de pernas para o ar; sim, na poesia tudo se pode, especialmente quando se é jovem e não se está nem aí para reconhecimentos, prêmios acadêmicos e outros amaciantes do caráter.  Todo poeta jovem que se preza nem pensa em entrar para a ABL: quer é mudar o mundo.  O poeta jovem é, antes de tudo, aquele que aponta para a nudez do rei e de todos os reinos, como vc faz ao denunciar que “O Mundo Está Cheio de Palavras”; palavras que são consumidas como se fossem “pão”; situação que ocorre mesmo quando os vocábulos são de teor completamente falso, como “democracia”, “liberdade” e “felicidade”.  Audacioso, marcante e inesquecível “A Quem Possa Interessar”.  Recordo-me agora de que, por volta dos meus 20 e poucos, escrevi muitos poemas semelhantes a seu “Vivemos num Mundo de Absurdos Dualismos”; poemas longos, fundamentados numa crítica amarga a essas infinitas regras e ordens presentes em placas, letreiros, anúncios e – claro – na cultura burocrática; porém, não cheguei a publicá-los porque terminei passando para outra fase em que tais poemas não teriam lugar.  Já notei que quase todo poeta tem a sua “Pasárgada”; na sua juventude, pelo menos, sua Pasárgada foi a Lua; é o que se pode deduzir do interessante “Quando Eu For à Lua”.  “Vou Fechar para Inventário” é ótimo – “O ouro que toquei virou lata”. “Condicionados” dá continuidade ao longo poema anterior, poema aquele que praticamente termina por diluir-se em prosa, pois a revolta contra os costumes é tamanha que não se pode conter no equilíbrio e contenção que em geral se sugere aos versos;  já “Condicionados”, comparativamente, é surpreendentemente conciso, embora compartilhe do mesmo gênero de crítica, reclamando do condicionamento que faz com que as pessoas se comportem “feito gado” e é nesse poema que surge, pela primeira vez, o verso que dará título ao livro “Tu país está feliz”.  E, do verso final desse poema, emergirá o título homônimo do longo e satírico poema seguinte – a questão do diálogo entre os poemas, comentada a respeito do livro “Círculos”, aqui se mostra evidente.
RICARDO ALFAYA – Rio de Janeiro, fev. 2015

 

0 PAIS DE ANTONIO MIRANDA

por Anderson Braga Horta

extraído de

 

 

HORTA, Anderson BragaDo que é feito o poeta.  Brasília, DF: Thesaurus Editora, 2016.  412 p.  14x21 cm. Arte da capa: Tagore Alegria.  ISBN 978-85-409-0287-9     

 

Tu Pais Está Feliz. Antonio Miranda; trad. para o russo de Oleg Almeida. Thesaurus, Brasília, 2011.

 

Em fins de 1970, inícios de 1971, um jovem poeta brasileiro, estudante na Venezuela, teve um gesto absolutamente romântico: com poemas de sua autoria (que haviam sido lançados em 1969, em edição mimeografada, como era comum na época) ensaiou um espetáculo, ele é quem o diz, "em estilo jogral", inicialmente na Biblioteca Pública Paul Harris, depois encenado no teatro do Ateneo de Caracas. Os textos transpiravam liberdade, num momento em que o país do autor era sufocado pela ditadura militar, e em que noutras plagas latino-americanas pião eram mais saudáveis os ventos políticos. Com a música de Kulio Formoso, esses poemas cénicos, cuja simples leitura já lhes demonstrava a generosidade e riqueza, no dizer do autor pia mise-en-scène, o argentino Carlos Giménez, agigantaram-se e se transformaram num "violento e maravilhoso grito de rebeldia", que se fez canto e empolgou o público. Assim, nosso poeta, antes mesmo de se fazer conhecido no Brasil, se tornou sucesso de público e de crítica e viu sua peça exibida não apenas na capital, mas também no interior venezuelano; teve enorme sucesso no mais famoso dos eventos congêneres da região naqueles tempos, o Festival de Teatro ne Manizales, na Colômbia, além de ter-se apresentado no Equador, na Argentina, no Chile, em Costa Rica, em Cuba, na República Dominicana, chegando ao México e vencendo festival em Porto Rico. Treze anos depois, conforme relata o autor em palavras reproduzidas na primeira edição em português de Tu  País Está Feliz (Thesaurus, Brasília, 1991; bilíngue), volta Venezuela e reencontra a peça em cartaz no Ateneo de Caracas!  
          Reencenada em 2003, acaba de ser remontada em Caracas, num festival em Valença e ainda em Barcelona. Cabe mencionar que Tu País Está Feliz propiciou o surgimento dos grupos teatrais Rajatabla (Caracas, Venezuela) e Cuatro Tablas  (Lima, Peru), que seguem ativos até hoje.  
          Diante de tal invejável trajetória, é natural que se cogite de apresentar esse vitorioso poema dramático —assim o qualifica a edição de 1991— a povos de outras latitudes e s idiomas.

          Esta nova edição (a 12.a), também bilíngue, tem em mira o leitor de língua russa. Esse novo público potencial, privilegiado pelo acesso direto a uma literatura riquíssima, profundamente humana e —nem seria preciso lembrá-lo— naturalmente aberta a questões existenciais e sociais, decerto receber com simpatia o texto jovem e vibrante que lhe oferece Antonio Miranda. E para vertê-lo ao russo, ninguém melhor que o bielo-russo Oleg Almeida, que, transplantado para estes trópicos, abrasileirado de tronco e família, exerce com proficiência o ofício de tradutor, e se revela poeta original e forte com os recém-saídos versos de Memórias dum Hiperbóreo (7Letras, Rio, 2008).
          Voltemos, entretanto, aos poemas que resultaram em Tu País Está Feliz. Não foram a estréia de Miranda, cujos primeiros livros já haviam surgido, em Caracas mesmo, uns poucos anos antes; nem seriam o termo de sua lavrança poética, acrescida de diversos volumes que não cabe enumerar — mas não deixarei de citar pelo menos três: Retratos & Poesia Reunida, de 2004, Despertar das Águas (2006) e Eu, Konstantino Kaváfis de Alexandria (2007). Tem publicado outras obras, de teatro, romance, novela, conto, crônica, história, sem falar na produção relacionada com sua condição de doutor em Ciências da Comunicação, mestre em Ciência da Informação, graduado em Biblioteconomia.

          Os poemas deste livro têm, decerto, notórios aspectos sociais, mas não se limitam a essa vertente: são filosóficos, de auto-indagação, líricos, de um lirismo comovente, que envolve e conquista o leitor/ouvinte/espectador. Completam o espectro poético de Miranda os livros seguintes, com o bom-humor e a ironia presentes, por exemplo, em Brasil, Brasis, a homenagem a ilustres vultos pátrios, como em Canto Brasília, e ainda o metafísico, o metapoético, o lúdico, encontráveis ao longo de sua caminhada. E a esta altura, já que esbocei um retrato do autor, cabe mencionar, ainda que de passagem, suas atividades de escultor, professor, botânico diletante — que mais?
          Maranhense por nascimento, homem do mundo por vocação, com trânsito principalmente pela América Latina, como já tive oportunidade de dizer, Antonio Lisboa Carvalho de Miranda viveu em Buenos Aires, Caracas, Bogotá e Londres, tendo-se fixado afinal em Brasília, onde é professor universitário, no momento "descansando" para carregar nos ombros a grande responsabilidade de fazer funcionar uma Biblioteca Nacional novinha em folha, mas ainda em fase de montagem. Em qualquer de todas as suas atividades, a força motriz é a poesia, que explodiu, verdadeiramente, naquele início da década de 70, em Caracas, e, como vemos, continua a arder, como uma estrela.

Lidas as páginas deste livro, e meditado o resumo de vida canhestramente tentado nas linhas que se vão encerrando, o leitor de Tu País Está Feliz, lusófono ou russófono, concluirá que a pátria de seu poeta não pode ter endereço exclusivo em sua terra natal, nem em nenhuma das nações ou das cidades aqui mencionadas. O país de Antonio Miranda está onde quer que se reúnam homens de boa vontade, e em qualquer lugar onde se oficie o culto da Liberdade.
          E baste dizê-lo para reafirmar o alto valor deste poema.

 

 

 

 

 

 
 
 
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