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ENQUANTO HOUVER POESIA, HÁ ESPERANÇA.

 

Por ANTONIO MIRANDA

 

[Extraído do livro RELÓGIO NÃO MAR QUE AS HORAS, crônica de uma estada em Porto Rico. (1996).]

 

 

 

                   Sem exagero, os maiores avanços de nossa civilização no século XVIII foram a Independência dos Estados Unidos da América (1776); a Queda da Bastilha (1789) e, em seguida, a Proclamação da República de Haiti (1804). A primeira decretou o início do fim do colonialismo e reconheceu a força da iniciativa privada como fator de desenvolvimento coletivo; a segunda derrubou o absolutismo dos monarcas e permitiu o advento à burguesia, nas auras do enciclopedismo. A saga haitiana foi tudo isso e muito mais: colocou o negro na condição de igual, de livre, de capaz de autodeterminar-se.

Antes que o reconhecessem a própria democracia ianque e o igualitarismo francês, de cuja cultura Haiti era apêndice. Quem quiser os detalhes dessa extraordinária façanha que leia El siglo de las luces, do cubano Alejo Carpentier. Vai poder, então, desfrutar do auge do "real maravilhoso" de nossa literatura e constatar que a realidade supera a imaginação.

 

 

 

 

   O Haiti converteu-se depois em um hospício. Não por culpa de seus idealizadores, mas pela perversão ou adversidade de um desvio histórico. Ora, a França de Diderot e D'Alembert também caiu no messianismo imperial de Napoleão. O sonho haitiano continua sendo uma das páginas mais esplêndidas da aventura do homem sobre a terra. Mas a tirania, hoje, devora seres humanos e renega seus valores. Caderno de um retorno à terra natal é um poema telúrico. Aimé Cesaire abriu as chagas de sua pátria para desvendar, nesses versos vegetais, suas entranhas apodrecidas. Teve que esgarçar o francês para expressar a sua dor, toda a sua negritude. Mas a poesia é sempre libertadora. Enquanto houver poesia, há esperança.

 

 

 

Página publicada em abril de 2018

 


 

 

 
 
 
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