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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

DESPERTAR DAS ÁGUAS, PURA POESIA NO NOVO LIVRO
DE ANTONIO MIRANDA

Texto de

SILAS CORRÊA LEITE

 

Publicado originalmente em
http://www.gargantadaserpente.com/resenhas/33.shtml
Copyright © 1999-2011 A Garganta da Serpente

 

Mais forte do que você:

Seus sonhos, seus desejos

E as palavras que os transportam

(Alain Serres)

 

O poeta Antonio Miranda - que é mais do que um poeta, porque é dramaturgo, teatrólogo, crítico social, humanista, professor universitário, revolucionário (das palavras principalmente e inclusive) e um monte de coisas mais - lança, na continuação de sua vida-livro (quanta vitae) a sua nova obra "Despertar das Águas", Poemas, Editora Thesaurus, Brasília, DF. Muitas vezes você, pelo vício maroteiro próprio da crítica imediatista quer nominá-lo poeta social, e lá vem ele com lirismo, você quer rotulá-lo romântico e lá vem ele chutando o balde das aparências letrais, então você o coloca como grande poeta e ponto. Ponto uma ova, quero dizer, uma vírgula, uma exclamação admirativa, porque tudo em Antonio Miranda é de um belo desvario poético que não se rotula, não se camufla, não se prende a escola porque ele é por assim dizer, poeta pela própria natureza, cantador das loucuras humanas, das azarações humanas, dos deslizes humanas - ai de ti Brasília D.C. (Depois do Collor) e, sim, das brutezas bem pouco humanas. Mas ele entorna o caldo vernacular e lava a alma do ledor que adora poetas desse nível, pan-parabólico.

 

E Antonio Miranda diz dessa entressafra como pintura de signos, num memorial que vem do altivo descarrego de sua lucidez em belas releituras de trilhas, nódoas, andanças e vôos altamente criativos a partir de. Quanto de uma verdade, suporta, ousa um espírito? cobrou Nietzsche. Pois o extrativista Antonio Miranda faz do inferno da vida o picadeiro das miudezas imagéticas-rítmicas, e tira sal dessas águas que per/corre (através de, poetando). Sim, camaradas, ele tem duas almas: uma delas é a Poesia. Ferindo com garbo, dispõe-se: "Já comemos pêssegos europeus/Adubados com DNA/De seus mortos menos ilustres(...)/Estranha forma de interdependência."(In, Eu Não Quero Nascer). E ainda filosofa, no mesmo poema: "...nascer é sempre um risco permanente/De desastres"

 

Fala da vida, da poesia, do mundo, do seu corpo, de si como oportuno e eficaz contemplador, feito fugaz ourives de decantações a recolher mixórdias além das inutilezas da vida. Ocupa espaços na mente e na sensibilidade da gente. Periga ver. Odeia os poderes constituídos e escreve para os que não sabem ler, braveja ele, direto, na ferida. Nesses tenebrosos tempos bicudos, os artistas estão com birra. Os poetas com bilros tecendo as águas redespertas de si, para o apuro das limpezas pelo menos dos olhos, dos enfoques, dos prismas. Sonhar é preciso?. Deus não criou lixo? Acho que Antonio Miranda é meio Portinari hipertextual mesmo. Seu lugar-momento tem esse jeito todo seu de ser. Cria, logo existe. Fere-se do criar. A Poeta russa Marina Tsvetáieva dizia: O mundo são muros/A saída é o machado.

 

Com o seu machado reforçado de palavras por atacado, ele corta as águas que redespertou do menino que foi, que é e que queria ser sempre, acreditando no sonho impossível, nas mudanças de ventos, em tempos de paz para um mundo melhor, uma democracia social, sem máscaras. Ledo engano a utopia? Então se sonha a volta a mineralidade, depois de sonhos, luzes, fragmentos. Remissões em paroxismos e oxímoros?.

 

E ele continua extra/vazando o curtume de si, irônico-transversal, depois de muito bem se postar radar de tantas tristes havências:

 

Definitivamente vou ao hospício

Para recobrar a lucidez

(Meditações Sobre a Morte)

 

Só há verdade na literatura

(In, Eu Sou Trezentos)

 

Como tudo é instantâneo

Nem reflito

Espelho a derrocar a própria maquiagem

Sou um rito de passagem.

(In Eu Me Deleto)

 

Essa é uma pequena mostra da poética de Antonio Miranda, olhos de água, liquidificador de águas, lavando os poemas que tira de pedras, no galeio dos seus versos límpidos. Perplexo e atônito vai usando a alma como bateia?. Parafraseando Montaigne, podemos dizer que, Antonio Miranda, escrevendo (Poetando principalmente) estuda-se a si mesmo (e dá-se a si mesmo), pois esse criar é a sua metafísica. Antonio Miranda destila e limpa, ilumina e aponta, abre um leque e fomenta, define e critica, travando ele mesmo uma batalha para tirar véus de acontecências demarcadas no território de si e entorno, além de pragmatismos, também se faz contestador e lírico nessa arrebentação, dando o verbo poetar por válvula de escape.

 

Talvez a grande verdade dolorosamente humanóide, como pregou Darwin, seja a nossa linhagem ancestral que é a origem de nossas paixões malignas, pois o demônio em forma de macaco é o nosso avô. Antonio Miranda saca alvos, ironiza, pincela, gasta, e desliza seus poemas como recolhes de andanças que seu todo especial olhar ferino capta, vergasta, torna letral.

 

Então, no despertar das águas, pendurados no cipó da decadência social, cantemos meus irmãos, cantemos, antes que seja tarde demais, se já não for tarde, e, quando a espécie vier a pensar - o ano que faremos contato com o elo perdido - será apenas para simplesmente então nos apensarmos à carruagem de abóbora do PHDeus lucro e consumo e mais nada. Então a poesia estará ferida para sempre de água diluvial.

 

Acho que Antonio Miranda é muito mais visionário do que podemos captar por nós mesmos, no nosso limite do entendível. Seus versos são escritos com sangue humano. Humano?

 

 

 

 
 
 
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