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PAÍS IMAGINÁRIO. ESCRITURAS Y TRANSTEXTOS – POESIA EN AMÉRICA LATINA 1960-1979.

Selección y notas: Mario Arteca, Benito del Pliego, Maurizio Medo. Edición Maurizio Medo.  Madrid: Bolombolo, 2014.  631 p. (Colección Once)   ISBN 978-84-1614902-5  Inclui apenas dois poetas brasileiros: Virna Teixeira e Delmo Montenegro.  Ex. bibl. Antonio Miranda

[Se você ainda não leu a primeira parte deste Editorial — Editorial n.  47:

  1. PAÍS IMAGINÁRIO – POESIA DA AMERICA LATINA 1960-1979 – (I)  UMA VISÃO E DEMONSTRAÇÃO DOS RUMOS DE NOSSA POESIA, aqui está o link:

http://www.antoniomiranda.com.br/editorial/pais_imaginario_I.html

  1. PAÍS IMAGINÁRIO – POESIA DA AMERICA LATINA 1960-1979 – (II)  A TRA(D)IÇÃO DA RUPTURA, aqui está o link:

http://www.antoniomiranda.com.br/editorial/pais_imaginario_II%20_%20tradicao_da_ruptura.html

 

III

E AGORA, JOSÉ ? QUAL É O CAMINHO?
ENCONTROS E DESENCONTROS NA POÉTICA.

Por Antonio Miranda

 

   “o resto de uma civilização que nunca existiu, a da utopia.”  

“Novidade não é o mesmo que originalidade.”

Os selecionares e prefaciadores Mario Arteca, Benito del Pliego e Maurizio Medo, da antologia PAÍS IMAGINÁRIO. ESCRITURAS Y TRANSTEXTOS – POESIA EN AMÉRICA LATINA 1960-1979 — mas devemos lembrar que o período 1960-1979 corresponde ao nascimento dos poetas e não ao período em que produziram os poemas... — . depararam com movimentos literários na contramão, com situações paralelas contraditórias. É o caso dos poetas indígenas, muitos na oralidade ou ensaiando textos em castelhano, ou seja, estrangeiros em seu próprio território; e a situação de muitos poetas “desterrados“, exilados, da Europa para a América Latina, e desta para outros países, vizinhos ou distantes.

No caso brasileiro, lembremos de Ferreira Gullar escrevendo seu “Poema Sujo“, em Buenos Aires, da perspectiva de seu exílio ou “ estrangeiridade”. No meu caso pessoal (Antonio Miranda), na Venezuela, criando em outra língua, sem abandonar as origens e valores.

Mas a situação peculiar apresentada na presente Antologia continental que estamos resenhando, é o confronto da “periferia” com os conceitos culturais opostos da “ cultura oficial “ (p. 68). Além da questão do ateísmo em face da tradição cristã. E o suposto “fim as ideologias”, o confronto com o conservadorismo e o fanatismo ensejando o verso profético de João Cabral de Melo Neto — “Fé cega, faca amolada”. Questão de identidade sexual, feminismo, quebra dos valores xenofóbicos, diversidade cultural... Violência urbana, ainda as lutas de classe e os percalços com os direitos humanos, liberdade de expressão.

A Antologia ressalta os testemunhos de muitos autores, entre os quais Montserrat Álvarez, e seu Zona Dark (1971), ressaltando que “O purgatório é dos homens./ Todos os cães vão pro céu/ Todos os gatos pro o inferno.” (p. 68).

Também existem as linhas divisórias no ofício poético, visões diferentes que, repetindo Álvarez “o cotidiano inicia o fantástico/ talvez o fantasmal.” (p. 70).  Lugar para a polifonia, o confronto, o utópico e o realista, “a independência da cabeça separada do corpo” (p.70), visão da cubana Damaris Calderón. Etimologias desencontradas. Vasos comunicantes?

Certificações de tradições como Maurizio Medo, de origem italiana, que pretendeu “repovoar a gramática”, em “um lugar incerto. Já não regulamentado pela eficácia da normatividade, do eminentemente poetizável” (p. 75).

Existem antologias de poetas da fronteira mexicano-norte-americana, outra de poetas do LGBT, de poemas religiosos, pornográficos; uns contra tudo e outros contra todos. Valha tanta criatividade, tanta diversidade, com resultados que vão da genialidade à mediocridade. E os textos com uma linguagem de “casa” e outra da “cidade”... Lembremo-nos do paradoxo de um personagem ambíguo, descrito pelo sociólogo Roberto da Matta, revelando um brasileiro que é liberal na rua e autoritário e conservador dentro de casa... E agora, José, que pedras superar pelo caminho?

Impossível pensar numa língua e escrever em outra; toda tradução é traição; só é possível criar em nível adequado de assunção, de ser o personagem idealizado, em crescimento e repaginação... “E logra com acréscimo, sim, mas sem poder (nem querer) subtrair-se da outra, aquela de suas origens” (p. 75), e mais: “para que as linguagens (e, no sucessivo, as culturas) entrem, saiam e orquestrem entre si.” Ou seja, mais que ser um “um idioma de mestiçagem”. Um “não-lugar”, não no sentido de deslocamento e momentaneidade proposto por  Marc Augé, mas por desmaterializar e desterritorializar o real. Qual caminho? “O poema, pelo contrário” — conforme Mario Montalbetti, p. 79 — “ parece ser um objeto literalmente fora-de-série. E este caráter “desseriado é exatamento que o exclui de qualquer consideração ética.”

 Em direção contrária, Andrés Fisher, afirma que  “cada série aparece com uma variação dentro de um sistema de seriação.” (p. 79). Escritura em processo de produção, “ ininterrupto, sequencial em seu livro “ Séries”, modular, mas revelando uma unidade. Uma “viagem”.

Lugar e momento para tudo. Até ao non-sense de Nicanor Parra e sua antipoesia, alucinações de Pedro Montalegre na trilha de Paul Célan, Char e Cesaire. Com a densidade formulada pelo conterrâneo, e pioneiro, Vicente Huidobro.

No caso brasileiro existe o fenômeno da poesia em portunhol, exercida por “aqueles que resistem em adotar uma das línguas” (p. 82) vizinhas — o português o espanhol convivendo na fronteira. Bipolaridade vivencial. Aliás, todas as línguas se bifurcam, umas devorando as outras, até ampliar os horizontes de cada uma, numa babel poética que supera o desconcerto e adota uma convivência criativa.

Por quê? O poeta paraguaio Jorge Kanese, que vive em país bilinguístico (espanhol e guarani) julga que “o idioma é algo insuficiente”. E a poesia não se basta com o patrimônio dicionariográfico, buscando outros recursos comunicacionais além da escrita melopéica, fanopéica e logopéica proposta por Ezra Pound. Cita o caso do brasileiro Wilson Bueno, autor do emblemático Mar Paraguayo (1992).

No texto de Wilson Bueno” (não incluído na Antología, mas mencionado) “são consideradas apenas três línguas, como se fossem únicas no mundo: duas vivas (espanhol e guarani) e uma terceira intervindo na primeira, inspirando aglutinações da segunda na primeira.”  Refere-se, certamente, ao portunhol. “O exílio da língua”. (p. 90).

Devemos atentar também para as invasões ou interseções do inglês em poemas em nossas línguas, sobretudo quando escrevemos sobre temas globalizados: a cultura pop, o reggae e o rap, na “lírica do rock”, além das tentativas de introduzir as gírias, os regionalismos e os códigos “secretos” dos jovens e das “galeras” nos textos.

Cabe também ressaltar o caso do pernambucano Delmo Montenegro, incluído na Antología, que denuncia o “fundamentalismo católico” implantado no Brasil pelo “Portugal invasor”, motivo para os prefaciadores recorrerem à irônica invectiva de Oswald de Andrade: “Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil havia descoberto a felicidade” (p. 85).

E abre espaço para o caso singular de Jerónimo Pimental, prosaico, identificado com “este tempo — o fim das utopias, e com ele o descrédito das religiões, a nulidade do questionamento do sistema político-econômico, a obsolescência das lutas generacionais” (p.87).

Sem dúvida, no dizer de Juan José Rodrigues Santamaría, “arde a ampliação dos limites”, conforme  atesta Diego Ramírez, numa espécie de polifonia.  A da poesia do período em questão, “composto por fragmentos, citações, collages e falas de diversos registros, imagens fugazes e cruzamentos (da linguagem culta com a fala comum, da alta literatura com a popular, desde um fluxo coral desarticulado)”; concluem os prefaciadores desta Antología neste capítulo, abrindo espaço para novas perspectivas e interrogações, sem uma reposta definitiva sobre os caminhos a seguir. E agora, José?

 

 

 

                                                                                   

                                                        

 

 
 
 
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