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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



CARLOS AUGUSTO LEÓN
(1914-1997)

Convivi com o poeta Carlos Augusto Leon em Caracas e o convidei para participar do I Festival de Poesia y Canción de Protesta que organizei com o diretor teatral Eduardo Gil, na Universidad Central de Venezuela, em 1969. Ele me havia dedicado um exemplar de seu livro de versos Interior Hombre , publicado no ano anterior pela Editora da UCV com uma emblemática dedicatória: “Para Antonio Miranda, este poeta que hace “poesia de protesta” desde 40 años atrás”. Ou seja, o poeta se considerava de protesta desde os inícios de sua carreira de bardo. De fato, sua poesia denuncia as mazelas e as misérias humanas.

 

Prometi, então, traduzir seu longo poema-título ao português. Como guardo tudo (sou um colecionador inveterado...), reencontro agora os originais daquela tradução trinta e seis anos depois... Manuscritos amarelados. Faltavam o final do poema. Não sei se cheguei a completar a tradução. Revejo e completo a tradução para, só agora, publicá-lo, como tributo ao poeta já desaparecido. Com saudade.

                                                                                            Antonio Miranda (dez. 2005)

 

TEXTO EN ESPAÑOL y/e TEXTO EM PORTUGUÊS

 

 

INTERIOR HOMBRE

      Quien pueda, seer suyo, non sea enajenado.

          Juan Ruiz, Arcipreste de Hita (siglo XVI).

 

      La esencia dei hombre no es una abstracción

      inherente al individuo. En su realidad, ella

      es el conjunto de las relaciones sociales.

           Carlos Marx (siglo XIX)

 

      y  platicar en él mi interior hombre,

     do va, do está, si vive o qué se ha hecho..

           Francisco de Aldana, eI Divino (siglo XVI)

 

 

EI hombre, yo, perdido

fabricando los objetos extraños,

tan fuera de mi ser,

que van a manos que yo nunm sabré

y que enriquecen

a hombres que yo no miro,

hombres que no me hablan,

que están lejos

pero que sin embargo

se adueñan de mi vida,

de esta vida

más limpia que Ia suya,

cercana de Ia tierra,

de Ia nube y deI pájaro,

cercana de los hombres,

vida de carne y hueso verdaderos

— y no de metal frio —

y que mueve Ias máquinas,

el tractor, el arado,

multiplícase

en cimiento y en torre,

en pan y trigo,

en todo cuanto el hombre

edifica y levanta.

Mas qué solo,

en el fondo más hondo

desierto estoy de mi.(1)  

 

Desierto estoy de mí.

Me han despojado

deI yo mismo más mío,

el que mi madre

me entregó muy pequeno

y ha crecido

entre Ia adversidad.

Ah. cómo es triste

Ia soledad de mí, este desierto

del propio ser. Ah cómo duele

esto de estarme lejos y disperso

en fin entre Ias cosas.

Mas buscando

de mí mismo perdida compañía

en otro ser me encuentro, solamente

al fondo del amor he estado vivo,

que tan sólo

abriendo con Ia llave de Ia entrega

un otro humano mundo despojado

como yo de su ser, también desierto,

es cosa extraña mas tal vez de este modo

en dulce olvido de mí mismo quedo. (2)  

 

¿Tienes Ia lIave, amor, de Ia alegría

para el hombre que vive en su desierto

del propio ser, de sí desamparado,

entre máquinas frías y tormentos,

su sangre por el hielo amenazada,

en frio metal tornándose su cuerpo,

su vida despojada en otras vidas

que no tienen su luz, su humano acento?

 

Hay que buscar Ia soledad ajena

que arranca y viene de Ia misma fuente

que nuestra soledad: un mundo torvo

hace a Ias hombres solos como fieras,

pero eI hombre es más fuerte —si lo quiere —

­para ir hacia otros hombres. Sin embargo

hasta consigo mismo se pelea:

híceme guerra contra mí. (3)  

 

Híceme guerra en contra de mi mismo,

guerra por sí, por no, por todo y nada,

en torbellino, en sombra y en abismo,

guerra voraz, tal vez descabe!lada.

 

¿Cuándo empezó, por quién fue declarada,

cómo llegó  tamaño cataclismo?

¿Dónde se alzó Ia gigantesca oleada

en que casi me ahogo yo em mí mismo?

 

Quiero Ia paz, quiero Ia paz conmigo,

no estar ya más hundido en Ia contienda

de un yo con otro yo que se desgarran.

 

Ser sólo uno, ser yo mi buen amigo,

o bien ser otro que cabal me entienda,

mas nunca dos que airados se desgarran.

 

Busca el hombre su paz y no Ia encuentra.

Quiere ser el amigo de sí mismo

y hay quien lo lanza contra sí, desierto

lo obligan a vivir de su presencia;

lejos el propio corazón, Ia mente;

en ausencia de si cuán solo vive:

ni el recuerdo de si que lo consuele!

Mas no hallará su propia compañía

aquel que em los demás no se acompaña.

La soledad es fuerte que nos cerca,

Pero ahora junto estaremos

Todos unidos contra la soledad. (4)

 

Todos unidos

a Ia conquista de ese ser de todos

que a todos nos arrancan y que vive

lejos de cada pecho en que viviera,

disperso entre Ias cosas, Ias tornillos

y ruedas y engranajes y otras veces

preso de una palabra, ajena idea,

refinado espejismo. Solamente

todos Ios hombres juntos venceremos

la propia soledad de cada uno.

EI mundo no será ya de hombres solos

desiertos de su ser, sino poblados

cada uno de todos, de la vida

dueña de sí que cada uno lleva.  

    • (1)     Francisco de Que vedo (siglo XVI)
    • (2)     Francisco de Figueroa (siglo XVI)
    • (3)     Francisco de Torre (siglo XVI)
    • (4)     “Nous seron tou unis contre la solitude” .
      Paul Éluard (siglo XX) en dedicatoria que hizo al autor de um libro suyo.

 

 

INTERIOR HOMEM

 

           Tradução de Antonio Miranda

 

           Quien pueda, seer suyo, non sea enajenado.

                Juan Ruiz, Arcipreste de Hita (siglo XVI)

 

            La esencia del hombre no es una abstración

            inherente al individuo. En su realidad, ella

            es el conjunto de lãs relaciones sociales.

                Carlos Marx (siglo XIX)

 

            Entrarme en el secreto de mi pecho

            y  platicar em él mi interior hombre,

            do va, do está, si vive ó qué se há hecho.

               Francisco de Aldana, el Divino (siglo XVI)

 

 

Eu, o homem, perdido

fabricando os estranhos objetos,

tão longe do meu ser,

que vão em mãos que nunca saberei

e enriquecem

homens qu’eu não vejo,

homens que me não falam,

que distante estão

e não obstante

se apoderam da vida minha,

desta vida

mais pura que a sua,

ligada à terra,

à nuvem e ao pássaro,

próxima dos homens,

vida de carne e osso verdadeiros

- e não de metal frio –

e que move as máquinas,

o trator, o arado,

multiplica-se

em cimento e em torre,

em pão e trigo,

em tudo quanto o homem

levanta e edifica.

E que somente,

no fundo mais profundo,

desierto estoy de mí.(1)

 

Deserto de mim estou.

Despojado

Do eu mais verdadeiro,

o que minha mãe

entregou-me quando menino

e que cresceu

entre adversidades.

Ah, como é triste

a solidão de mim, este deserto

do próprio ser! Ah, como dói

esse estar longe e disperso

enfim entre as coisas!

Porém buscando

de mim mesmo perdida companhia,

em outro ser me encontro, somente

no fundo do amor continuei vivo,

que apenas

abrindo com a chave da entrega

um outro humano mundo despojado

como eu do próprio ser, também deserto,

é coisa estranha mas talvez dessa maneira

en dulce olvido de mi mismo quedo. (2)

 

Você tem, amor, a chave da alegria

para o homem que vive no deserto

do próprio ser, dele mesmo desamparado,

entre máquinas frias e tormentos,

o sangue frio pelo gelo ameaçado,

em metal frio tornando-se seu corpo,

sua vida despojada em outras vidas

que não têm sua luz, seu humano acento?

 

Tem que buscar a solidão alheia

que irrompe e vem da mesma fonte

que a nossa solidão: um mundo torpe

transforma homens solitários em feras,

mas o homem é mais forte — quando quer —

para buscar os demais homens. No entanto

até consigo mesmo ele briga:

híceme guerra contra mí. (3)

 

Eu fiz a guerra contra mim,

guerra pelo sim, pelo não, contra tudo e nada,

em turbilhão, em sombra e em abismo,

guerra voraz, talvez desgrenhada.

 

Quando começou, por que foi declarada,

como chegou tamanho cataclismo?

Como cresceu a gigantesca onda

Em que quase eu mesmo me afogo?

 

Quero a paz, quero a paz comigo,

não estar mais metido na contenda

de um eu com outro eu em que se dilaceram.

 

Ser sozinho, ser meu bom amigo,

ou bem ser outro que cabal me entenda,

mas nunca que airados se desgarram.

 

Busca o homem sua paz e não a encontra.

quer ser o seu próprio amigo

mas há quem o lance contra si, deserto

o obrigam a viver de sua presença;

longe, o próprio coração, a mente;

em ausência de si quando só vive:

nem a lembrança de si que o console!

Mas não achará sua própria companhia

Aquele que nos demais não se ampara.

A solidão é fortaleza que nos cerca,

mas agora juntos estaremos

todos unidos contra a solidão. (4)

 

Todos unidos

na conquista desse ser de todos

que a todos nos arrancam e que vive

longe de cada peito em que vivera,

disperso entre as coisas, os parafusos

e rodas e engrenagens e outras vezes

refém de uma palavra, idéia alheia,

refinado espelhismo. Somente

todos os homens juntos venceremos

a própria solidão de cada um.

O mundo não será mais de homens sós,

desertos de seu ser, se habitados

cada um por todos, da vida

dona de si que cada um carrega.  

    • (1)   Francisco de Quevedo (século XVI)
    • (2)   Francisco de Figueroa (século XVI)
    • (3)   Francisco de Torre (século XVI)
    • (4)   Nous serons tous unis contre la solitude”.
      Paul Éluard (século XX), em dedicatória ao poeta Carlos Augusto Léon.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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