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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 



SÁ DE MIRANDA
(1485-1558)

 

Francisco de Sá de Miranda (1481-1558) nasceu em Coimbra, doutorou-se em Direito na Universidade de Lisboa e frequentou a Corte até 1521, data em que partiu para Itália. Regressou a Portugal em 1526, depois de um convívio com escritores e artistas italianos que iriam influenciá-lo grandemente. Fruto dessa viagem, trouxe para Portugal uma nova estética, introduzindo o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas e os versos de dez sílabas. Além de composições poéticas várias, escreveu a tragédia Cleópatra, as comédias Estrangeiros e Vilhalpandos, e algumas Cartas em verso, sendo uma delas dirigida ao rei D. João III, de quem era amigo. Faleceu em Amares, no Minho, na quinta para onde se retirara por não se ter adaptado à vida da Corte.

 

 

TEXTO EN ESPAÑOL / TEXTO EM PORTUGUÊS

 

 

¿QUIÉN DARÁ A LOS MIS OJOS UNA FUENTE

 

¿Quién dará a los mis ojos una fuente

de lágrimas, que manen noche y día?

respirará siquiera esta alma mía,

llorando, ora el pasado, ora el presente?

 

¿Quién me dará, apartado de la gente,

suspiros, que en la mi luenga agonía

me valgan, que el afán tanto encubría?

¡Siguióseme después tanto accidente!

 

¿Quién me dará palabras con que iguale

a tanto agravio cuanto amor me há hecho,

pues que tan poco el sufrimiento vale?

 

¿Quién me abrirá por medio este mi pecho,

do yace tanto mal, donde no sale,

a tanta cuita mía y mi despecho?

 

 

 

TEXTO EM PORTUGUÊS

Tradução de Anderson Braga Horta

 

 

QUEM AOS OLHOS DAR-ME-Á UMA VERTENTE

 

Quem aos olhos dar-me-á uma vertente

de lágrimas, que manem noite e dia?

Ao menos a alma, enfim, respiraria,

chorando, ora o passado, ora o presente.

 

Quem me dará, longe de toda gente,

suspiros, que me valham na agonia

já longa, que o afã tanto encobria?

Sucedeu-me depois tanto acidente!

 

Quem me dará palavras com que iguale

tanto agravo que amor já me tem feito,

pois que tão pouco o sofrimento vale?

 

Ah! quem ao meio me abra este meu peito,

onde jaz tanto mal, por que se exale

tamanha coita minha e meu despeito?

 

 

 

Extraídos de POETAS DO SÉCULO DE OURO ESPANHOL: POETAS DEL SIGLO DE ORO ESPANHOL / Seleção e tradução de Anderson Braga Horta; Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero.  Brasília: Thesaurus; Consejería de Educación y Ciência de la Embajada de España, 2000.  343 p.  (Coleção Orellana – Colección Orellana; 12) ISBN 85-7062-250-7

 

 

 

SONETO   11                                                                        

 

Em tormentos cruéis, tal sofrimento,

em tão contínua dor, que nunca aliva,

chamar a morte sempre, e que ela, altiva,

se ria dos meus rogos, no tormento!

 

E ver no mal que todo entendimento

naturalmente foge, e quanto aviva

a dor mais o vagar da alma cativa,

a quem não fará crer que é tudo um vento?

 

Bem sei uns olhos, que têm toda a culpa,

e são os meus, que a toda parte vêm

após o que vêem sempre e os desculpa.

 

Ó minhas visões altas, meu só bem,

quem vos a vós não vê, esse me culpa,

e eu sou o só que as vejo, outrem ninguém!

 

 

         SONETO  17                                                                               

 

Este  retrato vosso é o sinal

ao longe do que sois, por desamparo

destes olhos de cá, porque um tão claro

lume não pode ser vista mortal.

 

Quem tirou nunca o sol por natural?

Nem viu, se nuvens não fazem reparo,

em noite escura ao longe aceso um faro?

Agora se não vê, ora vê mal.

 

Para uns tais olhos, que ninguém espera

de face a face, gram remédio fora

acertar o pintor ver-vos sorrindo.

 

Mas inda assim não sei que ele fizera,

que a graça em vós não dorme em nenhuma hora.

Falando que fará? Que fará rindo?

 

 

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COMIGO ME DESAVIM

 

Comigo me desavim,

sou posto em todo perigo;

não posso viver comigo

nem posso fugir de mim.

 

Com dor, da gente fugia,

antes que esta assi crescesse;

agora já fugiria

de mim, se de mim pudesse.

 

¿Que meo espero ou que fim

do vão trabalho que sigo,

pois que trago a mim comigo,

tamanho imigo de mim?

 

 

 

“Nos séculos seguintes, até o fim da Idade Média e durante o Classicismo, que vai até meados do século XVIII, o poeta continua a tecer variações em tomo da ideia exposta por Sá de Miranda, no poema transcrito na abertura deste capítulo, Comigo me Desavim, que significa "me desentendi comigo mesmo". Que ideia é essa? Sendo - ou julgando-me, tanto faz - diferente de todo mundo, não encontro ninguém que se pareça comigo; a cada tentativa de me conhecer, isto é, a cada poema, fico mais surpreso e perplexo. Não sei quem sou... Por isso, sou inimigo (imigo} de mim mesmo.”
            Comentário de Carlos Felipe Moisés, em
Poesia não é difícil (introdução à análise do texto poético).  Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1996.  p..23

 

 

 

 



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