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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Fonte: http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Nuno+J%FAdice

 

 

NUNO JÚDICE

 

 

Escritor, poeta e ensaísta português, natural de Mexilhoeira Grande, Portimão, em 1949,. Estudou Filologia Românica na Universidade de Lisboa, sendo atualmente professor da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em 1989 com uma tese sobre Literatura Medieval.

 

Publicou o primeiro livro de poesia em 1972: A Noção do Poema. Seguiram-se Crítica Doméstica dos Paralelipípedos (1973), O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975), O Voo de Igitur Num Copo de Dados (1981), A Partilha dos Mitos (1982), Lira de Líquen (1985, Prémio Pen Club Português), A Condescendência do Ser (1988), Enumeração de Sombras (1989), As Regras da Perspectiva (1990), Um Canto na Espessura do Tempo (1992), Meditação sobre Ruínas (1994, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, 1995), O Movimento do Mundo (1996), A Fonte da Vida (1997), Raptos/Enlévements/Kidnappings (1998, poemas escolhidos, com ilustrações de Jorge Martins), Teoria Geral do Sentimento (1999), Linhas de Água (2000) e A Árvore dos Milagres (2000).

 

Recebeu os mais importantes prêmios de poesia portugueses: Pen Clube (em 1985), D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1990) e da Associação Portuguesa de Escritores (1994), este último com o livro Meditação sobre Ruínas que foi finalista do Prémio Europeu de Literatura, Aristeion. Nuno Júdice recebeu ainda o Prémio de Poesia Pablo Neruda e o Prémio da Fundação da Casa de Mateus.

 

Em 2001, publicou Pedro, Lembrando Inês e Cartografia de Emoções, um livro de poesia. No mesmo ano, Rimas e Contas, integrada na colectânea Poesia Reunida 1976/2000, foi reconhecida com o Prémio Crítica 2000, pelo Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários (AICL)

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  / TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

CARPE DIEM

 

Confias no incerto amanhã? Entregas

às sombras do acaso a resposta inadiável?

Aceitas que a diurna inquietação da alma

substitua o riso claro de um corpo

que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,

os instantes; e nos lábios dessa que amaste

morre um fim de frase, deixando a dúvida

definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,

para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,

nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;

e abraças a própria figura do vazio. Então,

por que esperas para sair ao encontro da vida,

do sopro quente da primavera, das margens

visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará

à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar

que me oferece o leito profundo da sua imagem!"

Louco, ignora que o destino, por vezes,

se confunde com a brevidade do verso.

 

 

ENCANTAMENTO

 

Vi as mulheres

azuis do equinócio

voarem como pássaros cegos; e os seus corpos

sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos

vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo

que traziam de uma infância de magma

calcinado. A água ficava negra, à sua volta;

e os ramos das plantas submersas pelas chuvas

primaveris abraçavam-nas, puxando-as num

estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor

do verso; estendi-as na areia grossa

da margem, vendo as cobras de água fugirem

por entre os canaviais. Espreitei-lhes

o sexo por onde escorria o líquido branco

de um início. Pude dizer-lhes que as amava,

abraçando-as, como se estivessem vivas; e

ouvi um restolhar de crianças por entre

os arbustos, repetindo-me as frases com uma

entoação de riso. Onde estão essas mulheres?

Em que leito de rio dormem os seus corpos,

que os meus dedos procuram num gesto

vago de inquietação? Navego contra a corrente;

procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.

 

 

OUTRA IMAGEM

 

Conheço o mundo dos mortos. É frio, com terra

por cima, restos de tábuas, ossos desfeitos pelos invernos.

Os mortos vêem-nos: de onde estão, eles chamam pelos nomes

familiares, num murmúrio, e o vento dispersa-lhes os sopros

— música de ciprestes. Por isso, há quem ande entre as campas,

ao fim da tarde, com os ouvidos tapados; quem reze,

entre lábios, datas estéreis como as antigas pedras;

quem persiga a própria sombra, temendo que ela desapareça

sob a erva fresca. Memórias vagas e finais, atormentando-me

num secreto espelho - no canto de mim, absorto

e pálido, quem, me diz o nome, em silêncio, sem olhos,

sem lábios, sem os cabelos que outrora toquei?

 

 

EM LISBOA

(fim dos anos 60)

 

Bebi numa taça a cera derretida do passado.

À superficial análise sentia-se um sabor humano

a desgraça; mas quando, seca, a língua a percorria,

um autêntico pavão animal abria o seu leque

descendo,

como um deus, pela escadaria ampla do corpo.

À transparência manual do pescoço surgia, então,

um outonal jardim do Luxemburgo, de madrugada,

enquanto as cúpulas das igrejas e palácios emergiam

da nocturna névoa. Os barulhos da cidade juntavam-se,

no aro frio, com um sussurro de mar tempestuoso.

Tudo confluía numa determinada imagem de Norte.

Mas logo, dissipada a primitiva impressão do sonho,

chegavas com os teus dedos reais e ambos,

naquele recanto do café,

víamos chegar o inverno,

o beco sem saída das nossas vidas,

o tédio oficial dos primeiros jornais do dia.

 

 

VISÃO

 

Nas correntes frias onde morre a luz dos astros,

e entre os gritos rápidos dos condenados, encontrei o reflexo

de um amor antigo. Deixou-me um gosto de sangue nos dentes,

os lábios gretados num roxo de ânsia.

Rasgou-me a alma

num seco crepita de papel. Estava imóvel, encostado aos ventos

e à marés, e o seu corpo exalava o cheiro húmido dos litorais. Falava

baixo, num segredo de sombra, num horizonte de bocas de bocas sem alegria,

arrastando a voz num sussurro de litania. Fiquei de longe,

a olhar, enquanto o sol nascia.

 

De

POR DENRO DO FRUTO A CHUVA
Antologia poética
Seleção, organização e prefácio de
Vera Lúcia de Oliveira
São Paulo: escrituras, 2004
ISBN  85-7531-123-9

 

 

                               GÊNESE

 

Todo o poema começa de manhã, com o sol. Mesmo

que o poema não esteja à vista (isto é céu de chuva)

o poema é o que explica tudo, o que dá luz

à terra, ao céu, e com nuvens à mistura – a luz incomoda

quando é excessiva. Depois, o poema sobe

com as névoas que o dia arrasta; mete-se pelas copas das

árvores, canta com os pássaros e corre com os ribeiros

que vêm não se sabe de onde e vão para onde

não se sabe. O poema conta como tudo é feito:

menos ele próprio, que começa por uma acaso cinzento,

como esta manhã, e acaba, também por acaso.

com o sol a querer romper.

 

 

                            EPIGRAMA

 

A loucura é a grandeza dos simples:

assim são eles mais do que eles,

colhendo flores brancas e reles.

 

Os doidos, de olhos arregalados,

crescem devagar como as árvores:

só não dão folhas nem frutos.

 

Amo as suas frases sem sentido:

dobram nelas os sinos abstractos

de um campanário sem janelas.

 

Dai-me, ó loucos, a vossa razão

- esses remos de subir o tempo

até a fonte de um deus obsceno e nu.

 

 

                            VIAGEM

 

Há olhos que só olham o sonho; e, quando

o sonho se dissipa, ficam cegos.

 

Há pontes por onde não se passa, no inverno,

embora ninguém as guarde: pontes

sem arcos, abstractas como um arco-íris

e frias como a chuva da madrugada.

 

Um campo de erva que amadurece;

o feitiço fútil dos faróis quando a manhã

limpa as últimas névoas;

um bater de pálpebras como asas:

 

imagens que lembro

 

e me restituem os olhos

com que avisto a entrada da cidade.

 

 

                               PLANO

 

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor

que se deseja no copo da vida, até meio, como se

o pudéssemos beber de um trago. No fundo,

como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na

boca. Pergunto onde está a transparência do

vidro, a pureza do líquido inicial, a energia

de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta

são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa

da alma suja de restos, palavras espalhadas

num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira

hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,

esperando que o tempo encha o copo até cima,

para que o possa erguer à luz do teu corpo

e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

 

 

 

 

Extraído de:


2011 CALENDÁRIO   poetas     antologia
Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2010.
Editor: Edson Guedes de Morais

 

/ Caixa de cartão duro com 12 conjuntos de poemas, um para cada mês do ano. Os poetas incluídos pelo mês de seu aniversário. Inclui efígie e um poema de cada poeta, escolhidos entre os clássicos e os contemporâneos do Brasil, e alguns de Portugal. Produção artesanal.

 

 

 

 

Foto extraída de:

MORDZINSKI, Daniel. A literatura na lente de Daniel Mordzinski. Textos de Adriana Lisboa e Victor Andresco. São Paulo: SESI-SP editora, 2015. 412 p. ilus. col. ISBN 978-82075-604-2 Textos em português e castelhano.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducción de Vicente Araguas

 

  

CARPE DIEM

 

?Confías en el incierto mañana? ¿Entregas

a las sombras del azar la respuesta inaplazable?

¿Aceptas que la diurna inquietud del alma

substituya la risa clara de un cuerpo

que te exige el placer? Te huyen, por entre las dedos,

los instantes; y en los labios de esa que amaste

muere un final de frase, dejando la duda

definitiva. Un nombre inútil persigue tu memoria,

para que lo robes al sueño de los sentidos. Sin embargo,

ningún rostro le da la forma que desearías;

y abrazas la propia figura del vacío. ¿Entonces,

por qué esperas para salir al encuentro de la vida,

del aliento caliente de la primavera, de las orillas

visibles de lo humano? «No», dices, «nada me obligará

a la renuncia de mí mismo - ¡ni ese mirar

que me ofrece el lecho profundo de su imagen!»

Loco, ignora que el destino, por momentos,

se confunde con la brevedad del verso.

 

 

ENCANTAMIENTO

 

Ví las mujeres azules del equinoccio

volando como pájaros ciegos; y sus cuerpos

sin alas ahogándose, despacio, en los lagos

volcánicos. Sus labios vomitaban el fuego

que traían de una infancia de magma

calcinado. El agua estaba negra, a su vuelta;

y los ramos de las plantas sumergidas por las lluvias

primaverales las abrazaban, empujándolas en un

estertor de imágenes. Las tapé con el cobertor

del verso; las extendí en la arena gruesa

de la orilla, viendo las culebras de agua huir

por entre los cañaverales. Les aceché

el sexo por donde se escurría el líquido blanco

de un inicio. Pude decirles que las amaba,

abrazándolas, como si estuviesen vivas; y

oí un rastrojar de criaturas por entre

los arbustos, repitiéndome las frases con una

entonación de risa: ¿Dónde están esas mujeres?

¿En qué lecho de río duermen sus cuerpos,

que mis dedos buscan en un gesto

vago de inquietud? Navego contra corriente;

busco la fuente, el silencio frío de una génesis.

 

 

OTRA IMAGEN

 

Conozco el mundo de los muertos. Es frío, con tierra

por encima, restos de tablas, huesos deshechos por los inviernos.

Los muertos nos ven: desde donde están, llaman por los nombres

familiares, en un murmullo, y el viento les dispersa los alientos

—música de cipreses. Por eso, hay quien ande entre los túmulos,

al final de la tarde, con los oídos tapados; quien rece,

entre dientes, fechas estériles como las antiguas piedras;

quien persiga la propia sombra, temiendo que desaparezca

bajo la hierba fresca. Memorias vagas y finales, atormentándome

en un secreto espejo — ¿en mi lugar, absorto

y pálido, quien pronuncia mi nombre, en silencio, sin ojos,

sin labios, sin los cabellos que otrora toqué?

 

 

 

Poemas extraídos do livro JÚDICE, Nuno. ANTOLOGÍA. Ed. De Vicente Araguas.  Madrid: Visor, 2003.  247 p. (Colección Visor de Poesía   - ISBN 84-7522-509-8

Contato com a editora: www.visor-libros.com

 

***********

Traducciones de

XOSÉ LOIS GARCÍA

 

EN LISBOA

(finales de los años 60)

 

Bebi en una taza la cera derretida del pasado.

Al superficial análisis se sentia um sabor humano

la desgracia; pero cuando, seca, la lengua la recorría,

um auténtico pavo real animal abria su abanico

descendiendo,

como un dios, por la escalera amplia del cuerpo.

A la transparencia manual del cuerpo surgía, entonces,

un otoñal jardín de Luxemburgo, de madrugada,

mientras las cúpulas de las Iglesias y palacios emergían

de la nocturna niebla. Los ruidos de la ciudad se juntaban,

en el aire frío, como un sussuro de mar tempetuoso.

Todo confluía en uma determinada imagen de Norte.

Pero después,disipada la primitiva impresión del sueño,

llegabas con tus dedos reales y ambos,

en aquel rincón del café,

veíamos llegar el invierno,

el callejón sin salida de nuestras vidas,

el tédio oficial de los primeros periódicos del día.

 

 

VISIÓN

 

En las corrientes frías donde muere la luz de los astros,

y entre los gritos rápidos de los condenados, encontre el reflejo

de un amor antiguo. Me dejó un gusto de sangre en los dientes,

los labios agrietados en un morado de ansiedad. Me rasgo el alma

en un seco crepitar de papel.  Estaba inmóvil, apoyado en los vientos

y a las mareas, y su cuerpo exhalaba el olor húmedo de los litorales. Hablaba

bajo, en un secreto de sombra, en un horizonte de bocas sin alegria,

arrastrando la voz en un sussurro de letanía. Permanecí lejos,

mirando, mientras el sol nacía.


Página ampliada e republicada em novembro de 2009; ampliada em novembro de 2017


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