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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 LUIS DE CAMÕES
(1525?-1580)

 

1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa. - 1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar. - 1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros. - 1551: Regressa a Lisboa. - 1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso. - 1553: É libertado; embarca para o Oriente. - 1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses. - 1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja. - 1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido. - 1567: Segue para Moçambique. - 1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara. - 1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas. - 1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.

 

 

MOTE ALHEIO

 

Perdigão perdeu a pena:

não há mal que lhe não venha.

 

Perdigão, que o pensamento
subiu em alto lugar,
perde a pena do voar,
ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
asas com que se sustenta:
não há mal que lhe não venha.

 

Quis voar a u'a alta torre,

mas achou-se desasado;

e, vendo-se depenado,

de puro penado morre.

Se a queixumes se socorre,

lança no fogo mais lenha:

não há mal que lhe não venha.

 

 

 

MOTE

 

De que me serve fugir
De morte, dor e perigo,
Se meu eu levo comigo?

 

 

 

VOLTAS

 

Tenho-me persuadido,

Por razão conveniente,

Que não posso ser contente,

Pois que pude ser nascido.

Anda sempre tão unido

O meu tormento comigo,

Que eu mesmo sou meu perigo.

 

E, se de mi me livrasse,
Nenhum g
osto me seria.
Quem, não sendo eu, não teria
Mal que êsse bem me tirasse?
Fôrça é logo que assim passe:
Ou com desgosto comigo,
u se gosto e sem perigo.

 

 

 

 

A  UM  FIDALGO  QUE  LHE  TARDAVA  COM UMA
CAMISA QUE LHE PROMETERA

 

Quem no mundo quisera ser
Havido por singular, »      
Para mais se engrandecer,
Há de trazer sempre o dar
Nas ancas do prometer.
E já que Vossa Mercê
Largueza tem por divisa,
Como todo o mundo vê,
Há mister que tanto dê,
Que venha a dar a camisa.

 

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 Tradução de Anderson Braga Horta

 

 

Extraído de: LEVE COMO UM BEIJA-FLOR.   São Paulo, SP: Laboratórios Wyeth-Whytehall Ltda, s.d.  64 p.  25,5X25 cm. Produzido por Segmento Farma. Fotos de beija-flores por Haroldo Palo Jr. Versos dos poetas Adélia Prado, Amadeu Amaral, Cecilia Meireles, Cora Coralina, Fernando Pessoa, Flavio Venturini Márcio Borges, Joyce Ana Terra, Judith Nunes Pires, Luis de Camões, Lupe Cotrim,  Nelson Angelo, Nelson Motta Rubens Queiroz, Olga Savary, Therezinha Guerra Del Picchia e Vinicius de Moraes.  “ Adélia Prado “ Ex. bibl. Antonio Miranda



 

ONDAS QUE PELO MUNDO CAMINHANDO

 

Ondas que pelo mundo caminhando

contino ides levadas pelo vento,

levai envolto em vós meu pensamento,

onde está a que onde está o está causando.

 

Dizei-lhe que vos vou acrescentando,

dizei-lhe que de vida no’há momento,

dizei-lhe que não morre meu tormento,

dizei-lhe que não vivo já esperando.

 

Dizei-lhe quão perdido me encontrastes,

dizei-lhe quão ganhado me sumistes,

dizei-lhe quão sem vida me matastes.

 

Dizei-lhe quão chagado me feristes,

dizei-lhe quão sem mim que me deixastes,

dizei-lhe quão com ela que me vistes!         

 

 

DE PEDRA, DE METAL, DE COISA DURA

 

De pedra, de metal, de coisa dura,

ó dura ninfa, a alma vos tem vestido,

pois o cabelo é ouro endurecido,

e mármore a fronte é pela brancura.

 

Os olhos, esmeralda verde e escura;

de romã são as faces; não fingido,

o lábio é um rubi não possuído;

os brancos dentes são pérola pura.

 

A mão é de marfim, e é a garganta

puro alabastro, onde qual hera medra

nas veias um azul mui rutilante.

 

Mas o que mais em vós toda me espanta

é ver que, por que tudo fosse pedra,

tendes o coração como diamante.          


 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

ONDAS QUE POR EL MUNDO CAMINANDO

 

Ondas que por el mundo caminando

Contino vais llevadas por el viento,

Llevad embuelto en vos mi pensamiento,

Do está la que do está lo está causando.

 

Dizilde que os estoy acrescentando,

Dizilde que de vida no hay momento,

Dizilde que no muere mi tormento,

Dizilde que no vivo ya esperando.

 

Dizilde quan perdido me hallastes,

Dizilde quan ganado me perdistes,

Dizilde quan sin vida me matastes.

 

Dizilde quan llagado me feristes,

Dizilde quan sin mi que me dexastes,

Dizilde quan con ella que me vistes!

 

 

DE PIEDRA, DE METAL, DE PIEDRA DURA

 

De piedra, de metal, de cosa dura,

El alma, dura ninfa, os ha vestido,

Pues el cabello es oro endurecido,

Y marmol es la fronte en su blancura.

 

Los ojos, esmeralda verde y escura;

Granata las mexillas; no fingido,

El labio es un robí no poseydo;

Los blancos dientes son de perla pura.

 

La mano de marfil, y la garganta

De alabastro, por donde como yedra

Las venas van de azul mui rutilante.

 

Mas lo que más en toda vos me espanta,

Es ver que, por que todo fuese piedra,

Tenéis el corazón como diamante.

 

 

Extraídos de POETAS DO SÉCULO DE OURO ESPANHOL: POETAS DEL SIGLO DE ORO ESPANHOL / Seleção e tradução de Anderson Braga Horta; Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero.  Brasília: Thesaurus; Consejería de Educación y Ciência de la Embajada de España, 2000.  343 p.  (Coleção Orellana – Colección Orellana; 12) ISBN 85-7062-250======================================================

 

 

SONETO  9

                                                                          

Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida, descontente,

Repousa lá no céu eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.

 

Se lá no assento etéreo, onde subsiste,

Memória desta vida se consente,

Não te esqueças daquele amor ardente

Que já nos olhos meus tão puro viste.

 

E se vires que pode merecer-te

Alguma coisa a dor que me ficou

Da mágoa, sem remédio, de perder-te

 

Roga a Deus, que teus anos encurtou,

Que tão cedo de cá me leve a ver-te

Quão cedo de meus olhos te levou.

 

 

 

         SONETO  11

                                                                          

Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não  se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É um solitário andar por entre a gente;

É um não contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 

É um estar-se preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É um ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode o seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

 

        

         SONETO  17                                                             

 

Aquela triste e leda madrugada,

Cheia toda de mágoa e de piedade,

Enquanto houver no mundo saudade

Quero que seja sempre celebrada.

 

Ela só, quando amena e marchetada

Saía, dando à terra claridade,

Viu apartar-se de uma outra vontade,

Que nunca poderá ver-se apartada.

 

Ela só viu as lágrimas em fio,

Que de uns e de outros olhos derivadas,

juntando-se, formaram largo rio.

 

Ela ouviu as palavras magoadas

Que puderam tornar o fogo frio,

E dar descanso às almas condenadas.

 

 

        
        
SONETO 50

                                                                          

Doces e claras águas do Mondego,

Doce repouso de minha lembrança,

Onde a comprida e pérfida esperança

Longo tempo após si me trouxe cego:

 

De vós me aparto, sim; porém não nego

Que inda a longa memória, que me alcança,

Me não deixa de vós fazer mudança,

Mas quanto mais me alongo, mais me achego.

 

Bem poderá Fortuna este instrumento

De alma levar por terra nova e estranha,

Oferecido ao mar remoto, ao vento;

 

Mas a alma, que de cá vos acompanha,

Nas asas do ligeiro pensamento

Para vós, águas, voa, e em vós se banha.

 

 

 

        SONETO  107

                                                                                    

O dia em que nasci moura e pereça,

Não o queira jamais o tempo dar;

Não torne mais ao mundo, e , se tornar,

Eclipse nesse passo o Sol padeça.

 

A luz lhe falte, o Sol se lhe escureça.

Mostre o mundo sinais de se acabar,

Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,

A mãe ao próprio filho não conheça.

 

As pessoas pasmadas, de ignorantes,

As lágrimas no rosto, a cor perdida,

Cuidem que o mundo já se destruiu.

 

Ó gente temerosa, não te espantes,

Que este dia deitou ao mundo a vida

Mais desgraçada que jamais se viu.

 

 

         SONETO 178     

                                                                                    

Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel, serrana bela;

Mas não servia ao pai, servia a ela,

Que a ela só por prêmio pretendia.

 

Os dias na esperança de um só dia,

Passava, contentando-se com vê-la;

Porém o pai, usando de cautela,

Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

 

Vendo o triste pastor que com enganos

Assim lhe era negada a sua pastora

Como se a não tivera merecida,

 

Começou a servir outros sete anos,

Dizendo: “Mais servira, se não fora

Para tão longo amor tão curta a  vida!”

 

 

 

 

CAMÕES, Luis de.   Os Lusíadas.   Porto: Livraria Tavares Martins,
1975.  Prefacio de Gustavo Barroso.  Ilustrações de Guilherme Camarinho.  583 p.  10 x 15 cm.  Capa dura.  Ex. bibl Zelinton Gayoso. 

 

Uma das belas edições recentes deste clássico da literatura portuguesa.


 

***

SEXTINA

 

Foge-me pouco a pouco a curta vida
(se por caso é verdade que inda vivo)
vai-se-me o breve tempo d´ante os olhos;
choro pelo passado e quando falo,
se me passam os dias passo a passo,
vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena.

Que maneira tão áspera de pena!
Que nunca uã hora viu tão longa vida
em que possa do mal mover-se um passo.
Que mais me monta ser morto que vivo?
Para que choro, enfim? Para que falo,
Se lograr-me não pude de meus olhos?

 

Ó fermosos, gentis e claros olhos,
cuja ausência me move a tanta pena
quanta e não compreende enquanto falo!
Se, no fim de tão longa e curta vida,
de vós m´inda inflamasse o raio vivo,
por bem teria tudo quanto passo.

Mas bem sei, que primeiro o extremo passo
me há-de vir a cerrar os tristes olhos
que Amor me mostre aqueles por que vivo.
Testemunhas serão a tinta e pena,
que escreveram de tão molesta vida
e menos que passei, e o mais que falo.

 

Oh! que não sei que escrevo, nem que falo!
Que se de um pensamento n´outro passo,
vejo tão triste género de vida
que, se lhe não valerem tantos olhos,
não posso imaginar qual seja a pena
que traslade esta pena com que vivo.

 

N´alma tenho contino um fogo vivo
que, se não respirasse no que falo,
estaria já feita cinza a pena:
mas, sobre a maior dor quer sofro e passo,
me temperam as lágrimas dos olhos
com que fugindo, não se acaba a vida.
Morrendo estou na vida, e em morte vivo;
vejo seus olhos, e se língua falo;
e juntamente passo glória e pena.

 

                          (RIMAS, edição de 1595)


,

 

 

Página ampliada e reeditada em outubro de 2020

 



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