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JÚLIO DANTAS 

Texto e poemas extraídos da obra:
Fontes de Alencar

ANOTAÇÕES DE POESIA
no Centenário da
REVISTA AMERICANA (1909-1919)

Brasília: Thesaurus, 2010.
ISBN 978-85-7062-925-8

  

                   Grande sucesso alcançaria o teatrólogo Júlio Dantas com A Ceia dos Cardeais. O drama dos purpurados, levado à cena em março de 1902 na casa de espetáculos do Visconde, resultou em êxito enorme, de estrépito não contido pelos céus lisboetas. Boa fama que se esparziu por outras terras da Europa e mesmo pelos mares da ilha de Cipango, da fantástica narração de Marco Polo, umas daquelas de Camões,

 

                                                                 “...ilhas onde

                            A natureza quis mais a afamar-se:

                            Esta, mea escondida, que responde

                            De longe à China, donde vem buscar-se,

                            E Japão, onde nasce a prata fina,

                            Que ilustrada será coa Lei Divina.”

                                                                  (Os Lusíadas – X, 131)

 

 

                   Em JULIO DANTAS – Uma Vida – Uma Obra – Uma Época o mencionado biógrafo diz da desinformação acerca do dramatista por vezes ocorrida: na Alemanha um jornal fê-lo “general do exército, português ..., falecido” ; no Japão o fizeram “sacerdote católico ...”. E o autor da peça – diz o mesmo Luís de Oliveira Guimarães – assim opôs reparo aos despropositados equívocos:

 

 

         “Nunca experimentei as alegrias do generalato e quanto                                     à notícia do meu falecimento tenho fortes razões para                                   supor que o jornalista  exagerou;        por   sua    vez,                                humildemente declaro que não me  lembro   de    haver                                     sido algum dia bispo ou cardeal e se, de fato, o fui,  ou

         o sou, devo fazer dura penitência porque  levei     uma

         vida demasiadamente profana.”

 

 

                   Da obra dantina mil e uma representações já ocorreram e certamente, vencendo o tempo, o seu prestígio continuará. O respectivo texto – no original, em versos alexandrinos – já foi vertido para vários idiomas. E seus personagens são relembrandos sempre e sempre. Conhecidos, não há esquecê-los:

 

CARDEAL GONZAGA

Confidências?

...

CARDEAL RUFO

Confidência de amor!

...

CARDEAL DE MONTMORENCY

Por que não há-de ser?

Em toda mocidade há um riso de mulher.

Contemos esse riso uns aos outros... Nós três...

Recordar um amor é amar outra vez!

...

CARDEAL RUFO

Eu começo, Eminências, -

...

Não matei em duelo o Sol, pelas alturas,

Só para não deixar Salamanca às escuras!

...

Detestava a mulher depois de conquistada:

A conquista era tudo: o resto, quase nada.

...

Eu peço perdão se me excedo, Eminência,

Mas aquela mulher era um anjo dos céus!

Se Deus a pretendesse, eu desafiava Deus!

...

Atirei-me de um salto, e em rápidos instantes,

sozinho contra vinte e tantos estudantes,

Contra uma Faculdade inteira, expondo vida.

...

 

CARDEAL GONZAGA:

Sozinho contra vinte! Uma luta sangrenta!

...

CARDEAL RUFO:

Vinte? Trinta! Ou talvez, contando bem, quarenta!

...

CARDEAL DE MONTMORENCY:

...

- Então, decidi-me, Eminências.

Compus a cabeleira, e em duas reverências,

O pé atrás, a mão na espada, à moda antiga,

Curvei-me ante essa bela e fidalga inimiga,

E disse: “A sua mão. Venha, minha senhora.

Não me detestará daqui a meia hora”

...

CARDEAL RUFO, acercando-se também

do CARDEAL GONZAGA

 

Em que pensa, cardeal?

CARDEAL GONZAGA...

Em como é diferente o amor em Portugal!

Nem a frase sutil, nem o duelo sangrento...

É o amor coração, é o amor sentimento.

...

O amor simplicidade, o amor delicadeza...

Ai, como sabe amar a gente portuguesa!

 

 

 

                   No Algarve, sul de Portugal, nasceu Júlio Dantas em 1876, na cidade de Lagos. Estreou-se como poeta aos vinte anos de idade, com o livro Nada.

 

 

O Minueto

 

         Ao canto do salão, olhos vagos no espaço,

         Ele em púrpura e outro, ela empoada à francesa,

         O senhor Cardeal e a senhora Duquesa

         Assistem, conversando, a um serão do Paço.

 

         Marca Lucas Giovine o solene compasso;

         Dança o minuete da Haydn a corte e sua alteza:

         E os dois velhos, lembrando a antiga gentileza

         E o tempo em que, amoroso, ele lhe dava o braço,

 

         Balbuciam, sorrindo, um tímido segredo,

         Escondem-se inda mais no biombo, quase a medo,

         Como fugindo à luz da sala enorme e acesa.

        

         E quando um criado vem servi-lhes os gelados

         Surpreende a dançar, velhinhos e curvados,

         O senhor Cardeal e a senhora Duquesa.

 

 

                   A Revista Americana, aquela fundada sob os auspícios do Barão do Rio Branco em 1909 no Rio de Janeiro, publicaria em 1911, - Tomo V, Fase. 1, - de Júlio Dantas, sob a clave Folhas dum livro, com  a indicação de Lisboa – 1910, sete poemas: Simplicidade, Rei, Dúvida, As duas máscaras, Os outros, Monstro e Eterna Canção.       

 

Passo aos leitores, com a necessária atualização ortográfica, duas dessas composições:

 

 

AS DUAS MÁSCARAS

 

Num doirado e antiqüíssimo sossego

Vi num museu solene e venerando

Duas máscaras velhas,figurando

As duas formas do teatro grego.

 

E ao olhá-las (contraste singular

Que não sei compreender nem discutir)

A face da Tragédia fez-me rir

                   E a da Farsa chorar.

 

De tão contrárias impressões colhidas

Arranquei esta lúcida verdade:

Nas dores mais sinceras, mais sentidas,

Só vê trejeitos a humanidade...

 

Fui aprender a esse mundo antigo

Que o sofrimento tem o seu pudor:

Por isso te aconselho, meu amigo,

Quando sofreres, guarda a tua dor

                   E chora a sós contigo.

 

 

 

OS OUTROS

 

Tu já deves ter tido quem to diga:

Desde essa noite em que te conheci,

Têm feito prodígios, minha amiga,

                   Para me afastar de ti.

 

E o que me espanta é que essa gente

Que me tem convencido e conquistado,

Lembrando-me as loucuras de um passado

                   Que já me não pertence.

 

Se no passado há coisas dolorosas

Que um dia ouvidas nunca mais esquecem,

Filha, também as pedras preciosas

Andam por muitas mãos que as não merecem...

 

Calcula tu, que espíritos pequenos

                   E que mundo este!

julgavam que eu podia amar-te menos

                   Sabendo que sofreste...

 

 

Página publicada em maio de 2010

 

 

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