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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANTÓNIO SILVA GRAÇA


António Silva Graça nasceu em Moçambique em 1937. Veio para Lisboa aos dezoito anos ingressando na Faculdade de Medicina. Nos anos sessenta participou, no movimento associativo. Concluída a licenciatura viu-se impossibilitado de seguir a carreira hospitalar ou universitária por razões políticas.

 

Em 1966 entrou como investigador para o Instituto Gulbenkian de Ciência, que acabara de ser criado. Foi galardoado com o 1° Prémio Pfizer. Após um estágio na Alemanha começou a preparar a tese de doutoramento que interrompeu a 25 de abril. Suspendeu então a actividade de investigador, ocupando diversos cargos públicos como Secretário de Estado da Juventude e Desportos, vereador de Lisboa e deputado. Abandonou a vida política activa em 1985. Regressou ao Instituto Gulbenkian de Ciência, tornando-se também assessor da Associação Protectora de Diabéticos de Portugal.

 

 

GRAÇA, António Silva.  Invenção da sombra. Lisboa: Relógio D´Água Editores, 1989.   60 p.  Col. A.M.


INVENÇÃO NA SOMBRA

 

Como posso definir-te?

 

Uma luz lógica

transforma o teu limiie

numa fronteira inútil.

 

Só uma ciência incerta

é capaz de descobrir-te.

De morder o teu perfil.

De possuir-te inteira.

 

O rigor desta ciência

enche-me de conceitos.

De preconceitos cegos.

Ao tocar-te, perco-te.

 

Depois, invento-te na sombra.

 

CONFISSÃO

 

Eu sou o inimigo.

Alisei a pele

 

rugosa de um instante.

Escondi-me nele.

 

Dotado de um instinto hostil

aliciei o verbo. Dei-lhe

formas, versos, metáforas

de porte duvidoso.

 

Confesso. Admito que

a lisura é bem pior. Que

o destino de uma sombra é

denso. Confesso tudo. E assino.

 

 

FUSÃO DAS LITURGIAS

 

Fusão física de cores

que recolho em fios de luz.

Luz suspensa na noite,

instante caído de uma pétala.

 

Leio as nuvens e reparo

que o léxico celeste confere

uma vontade sólida.

 

Na solidez deste dia

vou separando as águas da minha mitologia

das outras que retornam, serenas.

As horas são agora

modelos equilibrados

da organização do tempo.

 

E os dias,

revoltas de uma qualidade sóbria.

A luz deixou de ser de bronze

para ser um fio dolente

iluminando com minúcia cada hora.

 

No cadinho liso do silêncio

fundo liturgias.

 

Página publicada em outubro de 2013



 

 

 
 
 
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