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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

VICENTE CECHELERO

(1950-2000)

 

Nasceu em Ascurra, Estado de Santa Catarina, em 1950.  Licenciado em Filologia Portuguesa e Espanhola pela Universidade de São Paulo. Em 1981, seguiu o curso de especialização em ensino filológico e língua espanhola na Universidade de Madrid. Tem trabalhos publicados em revistas do Brasil e traduções.

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

MITOLOGIA REAL DE INVERNO

 

Nesse céu oneroso

galáxia peregrina, semens de divindades,

em certo entardecer, intermitências-luzes:

deriva a bestialidade fria das coisas

materiais vagando no intemporal, sem fim.

Enquanto a ingenuidade infantil dos animais

Em seu natural pesadelo, sonha `a deriva...

sem inveja dos homens e dos seus deuses,

sem querer saber se somos gente ou não.

Nesse céu oneroso.

 

         Amparo, 27.06.88

 

 

ECCE HOMO

 

         João, 19, 5

 

Ei-lo, despojado em suas vestes.

‘E, como vós, mortal e eterno,

feito de memória e esquecimento.

(Uma tarde,junto a Jerusalém, feriu-se

o pé ao pisar falso numa pedra.)

revela, em sonho, o seu passado

povoado de reis e de escravos.

 

Vítima do tempo e acaso,

como vós guarda histórias banais

de cortes, ditas e mortes.

Por que vos assusteis, se em seu seio

Corrói-lhe a sina de milagres e fracassos?

 

         Santiago de Compostela, 1981

 

         Só Matéria do Mundo, 1991

 

 

 

CECHELERO, Vicente.   A língua das sombras ou O livro dos desertos. PoemasSão Paulo: Editora Giordano, 1997.  47 p.  12x18 cm.  Col. A.M. 

 

 

 

UM ROSTO PRO TEU

 

Em que espelho ficou perdida a minha face?

CECÍLIA MEIRELES

 

No rosto da minha mãe, colada imagem.

Aos pedaços — no meu pai, irmãos, amados.

Ficou no rio da infância crivado de punhais vivos,

Foi-se com um lied de Schubert findando na vitrola.

Ficou num quadro do Fuji, no Japão.

Perdeu-se minha face no poema.

Ou afogou-se no rosto outro, narcisado no leito.

Nos hiatos, nos buracos do ser, no clamor do nada.

Foi Deus, além-matéria-tempo-nome.

A minha face se fundiu no esquecimento.

Lavrado pelas coisas, meu rosto se alter-ou:

transformou-se, amador, na coisa amada.

Foi Proteu, Narciso, filho, água, areia, saudade,

                                                 [ verbo.

 

Em que sombra se exilará a minha face?

Em que pedra se partirá o meu espelho?

Em que coisas restarão as nossas faces?

 

Com William Blake eu diria dessa metamorfose

desses pedaços de Deus: He whose face

gives no light, shall never become a star.

 

                                            S. Paulo, 94.

 

 

RAPSÓDIA TIBETANA

 

Variações sobre um mito.

 

 

Os lagos são olhos de deuses

que espreitam do fundo da terra.

 

Teus olhos dois lagos-espelhos

de terra tua mente de mito.

 

Dois focos dois fulcros de veres

quais luzes nascidas no abismo.

 

Em ti há dois brilhos de cores

das rosas estranhas do nada.

 

Há lagos de luzes da morte

que dorme entranhas da Terra.

 

A morte dorme entre os lençóis

do fogo, das águas, das asas.

 

A Terra é a cabeça de Deus

Que, se não pensar, não existe.

 

Seu corpo quintal-universo

Dos homens-crianças vertigem.

 

No horto os numes latejam

enquanto Ele se refaz, dorme.

 

E as coisas refazem-se sempre:

meu filho, tijolo do eterno.

 

Da Casa que Sísifo ergue,

 

Das águas, lágrimas do Ermo,

emerge da Casa a folhagem.

 

`A morte, portal-do-informe

Fecunda-a o húmus das coisas.

 

O ser se insinua em teus olhos

qual peixe esquivo aos meus sóis.

 

 

         São Paulo, 1983

 

         A Língua das Sombras, 1997

 ------------------------------------------------------------------------------    TEXTOS EN ESPAÑOL

 

Extraídos de

ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA

Org. y traducción de Xosé Lois García

Santiago de Compostela: Edición Loiovento, 2001.

 

 

MITOLOGíA REAL DE INVIERNO

 

En esse cielo oneroso

Galáxia peregrina, sêmen de divindades,

en cierto atardecer, intermitentes luces:

deriva la bestialidad fría de las cosas

materiales vagando en lo intgemporal, sin fin.

Mientras a la ingenuidad infantil de los animales,

en su natural pesadilla, sueña a la deriva...

sin envidia de los hombres y de sus dioses,

sin querer saber si somos gente o no.

en esse cielo oneroso.

 

         Amparo, 27.06.88

 

 

ECCE HOMO

 

         Juan, 19, 5

 

Helo ahí, despojado de sus vestidos.

Es, como vosotros, mortal y eterno,

hecho de memoria y olvido.

(Una tarde, junto a Jerusalén, se hirió

el pie al pisar en falso en una piedra).

Revela, en sueños, su pasado

poblado de reyes y de esclavos.

 

Victima del tiempo y quizás,

como vosotros, guarda historias banales

de cortes, dichos y muertes.

?Por qué os asustais, si en su seno

le corroe el destino de milagros y fracasos?

 

 

Santiago de Compostela, 1981

 

         Só Matéria do Mundo, 1991

 

 

RAPSODIA TIBETANA

 

Variaciones sobre un mito.

 

 

Los lagos son ojos de dioses

que observan desde el fondo de la tierra.

 

Tus ojos dos lagos espejos

 

Dos focos dos puntos de vista

como luces nacidas en el abismo.

 

En tí hay dos brillos de colores

de las rosas extrañas del nada.

 

Hay lagos de luces de la muerte

que duerme en las entrañas de la Tierra.

 

La muerte duerme entre las sábanas

de fuego, de las aguas, de las alas.

 

La Tierra es la cabeza de Dios

de los hombres niños vértigo.

 

En el huerto los dioses laten

mientras ‘El se rehace, duerme.

 

Y las cosas siempre se rehacen:

hijo mio, ladrillo de lo eterno.

 

De la Casa que Sísifo levanta,

si, si fue la piedra que yo puse.

 

De las aguas, lagrimas del yermo,

emerge de la Casa el follaje.

 

A la muerte, portal de lo informe,

la fecunda el húmus de las cosas.

 

El Ser se insinua en tus ojos

cual pez esquivo a mis soles.

 

 

         São Paulo, 1983

 

         A Língua das Sombras, 1997

 

 

Página publicada em janeiro de 2008; ampliada e republicaca em junho de 2013.



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