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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




JOSÉ SANTIAGO NAUD

(Foto Juvenido Barbosa Moreira)

Poeta José Santiago Naud (Brasília set. 2005)

JOSÉ SANTIAGO NAUD

Nasceu a 24 de julho de 1930 em região missioneira, na cidade de Santiago,RS, Brasil. Poeta e ensaísta. Formado em Letras Clássicas, em Porto Alegre, foi diretor do Instituto do Livr ; professor pioneiro do nível médio, quando se inaugurou a Nova Capital  (1960), e fundador da Universidade de Brasília (UNB), em 1962. Lecionou literatura luso-brasileira em Yale e na UCLA; pronunciou conferências sobre cultura em outras universidades norte-americanas e européias. 

Bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa e da Comissão Fulbrigth, nos EUA, junto ao IWP “International Writing Program” da Universidade de Iowa. Prêmio de Poesia (1958), Festival Internacional da Revista “Quixote”, Porto Alegre, e Prêmio Nacional de Poesia (1965), no Encontro Nacional de Escritores, promovido pela Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília. De 1973 a 1985, contratado pelo Itamarati (MRE), foi Diretor do Centro de Estudos Brasileiros, sucessivamente em La Paz (Bolívia), Rosário (Rep. Argentina), Panamá e México.

Publicou vinte e um livros, inclusive antologias pessoais: Noite Elementar (Porto Alegre, 1958); Hinos Cotidianos (Rio de Janeiro, 1960); A Geometria das Águas (Porto Alegre, 1963); Ofício Humano (Rio de Janeiro, 1966); Verbo Intranqüilo (Rio de Janeiro, 1967); Conhecimento a Oeste (Lisboa, 1974); Dos Nomes (Rosário, Sta. Fe, 1977); Noção do Dia (Brasília, 1977); Promontorio Milenario (Panamá, 1983); Pedra Azteca (México, 1985) e Vez de Eros (Brasília, 1987); As colunas do templo (Brasília, 1989), O olho reverso (1993), Memórias de signos (Porto Alegre, 1993), O avesso do espelho (1996), Antologia Pessoal (Brasília: Thesaurus, 2001) e 20 poemas escolhidos e um falso haikai (2005).Vive em Brasília.

"Posso afirmar que encontrei na sua poesia alguns indício de ouro,para usar de uma expressão do poeta que lhe oferece a epígrafe para seu livro". CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

"Seus primeiros poemas já revelavam a preocupação mais recente da nossa poética — a visibilidade e a objetividade. J. S. N. tem a virtude da grandeza, é uma emoção transcendendo, seu mundo solicita formas que vai inventando ao sabor da sugestão, sua metáfora é sutil e dramática. Suas "coisas" estão diretamente implicadas em seu destino, em seu tempo,  no destino e no tempo do homem, o que dá universalidade e validade à sua experiência.".  WALMIR AYALA

"Un cántico sin efectismos, sin resabios, precisamente, de música simbolista. Porque en esta poesía hay tradición, pero una tradición cuya sustancia ha sido transformada en esencia. (...) No quiere esto decir que el poeta se aventure por caminos que desdigan de su inteligente y verdaderamente nuevo sentido de la tradición.  Sus versos son conenidos, sobrios, generalmente de arte menor (por la medida, es claro, y no por la calidad) pero, de vez en cuando, su modernidad, su sentido experimental, se agudiza.(...) / Pero Naud no va a abusar de estos recursos retóricos — de nuevo cuño — que son muy raros en su libro. Nos dan, sin embargo, la medida de una intensa preocupación formal."
ÁNGEL CRESPO - Revista de Cultura Brasileña,, Madrid, 1966.

 

Poemas em Português  Poemas em castellano 

Text in ENGLISH >>

O poeta José Santiago Naud, anfitrião de uma das sessões magnas da I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASILIA ( de 3 a 7 de setembro de 2008 ).

 

CANTARES DE NOSSA SENHORA

 

1.

Quero te falar de Maria.

 

Maria foi tão simples.

É muito anterior a Eva

e está noturnamente sozinha

na sua roca de Piedade.

 

2.

Era preciso que Deus baixasse

e nos desvãos da carne celebrasse

a aliança com o eterno.

Mas devia vir nu,

                             Deus,

sem uma pedra que lhe amparasse a cabeça,

nem placentas, submisso

e ancorado na vária geração.

 

Como nas vastas peregrinações

em que o homem equilibra

e partilha e o anseio,

se te exigia o máximo,

de virgem e de mãe.

Era preciso reunir

                             como o andarilho,

no olhar, todos os povos.

 

E tu ouviste o anjo.

 

Tu foste a casa e a flor,

o jardim e a lareira,

ajudando

               para sempre

o espírito no tempo.  

 

3.

Em segredo,

um campo azul pendia

das paragens celestes, vasto

de muitas flores. E vinhas por ele

com as vestes vaporosas, ao lado

                                                      o touro

- de finas ilhargas e a frente poderosa.

 

Oh, Pastora da besta,

as alvas mãos aberta

sob os seios explícitos!

Caminhas, pastoreando

enquanto a língua bruta,

áspera e sedenta,

forte e obscura

vai passando entre os beiços

                                              (rorejados

de orvalho)

a grama, tenra.

Odores de terra sobem como chuva

a baba cintilante.

 

Simples, entre as mais simples

vejo a tua mão descer

sob o dorso selvagem

enquanto os flancos fremem.

Então, de rampa adusta

a pomba desce,

                          e adeja

no teu ventre a aspereza

portentosa do touro:

todas as flores que ele pasta

passam às tuas vestes

                                    e ficam

vivo esplendor.  

 

 

ORIGENS

 

Quando ainda não éramos,

víamos em toda a direção,

não obstante o Céu

por sobre nós conviesse

a cabeça terrena.

Mas, ai, o terrível instante

em que já não mais

o olho que vira se mantinha.

Tudo então se pensou.

E as nuvens, a cor

das águas azuis que se entregavam

em flores sexuais se entregavam

em flores sexuais se bipartiram

abrindo em volta de nós

os espaços da dor.

 

E eis nosso dia.


CAVALO MORTO

 

Morto.

A cabeça tão bela,

outrora insofrenável, agora

ropousando nos vermes. O corpo

terso, enorme,

                        inominável já,

colando-se na terra. E a grama

vencendo a repugnância

ensaia terna

                     uma cor mais nova.

 

Antes, uso. Agora,

memória mal exposta. Signo

do tempo. Meditação confusa.

Velocidade podre.

Das patas ágeis

- persistência patética –

restam os cascos,

apenas restos de cabelos escuros.

Sobre,

o arcanjo da destruição passa

sombrio, e enfeixa

aquela descomposta figura

nos silêncios da espada.

 

 

TOCADORA DE FLAUTA

 

Pelos campos de Osuna

ela havia de andar

ao mesmo vento

que ondulava o trigal.

                                   E o mesmo sol

que tirava a capa ao companheiro

havia de brilhar sobre os dois,

hoje imóveis.

Ah, virtudes de pedra

capaz de reter quanto, só

na alma, o espírito endurece

- este permanecer,

                                brilho

fugidio preso no homem

                                        (para logo voar)

quando o sexo se alça

ou a fome abre

quinas de morte.

 

Auletriz chamada, agora

auletriz a vejo. E digo

mais vivamente: tocadora de flauta.

                                                          Vem,

com teu canto de pedra,

costas voltadas ao companheiro gasto,

cunha da evocação.

                                 Vem,

com teu passo imóvel.

Fixa nos meus olhos,

deixa que os ventos de Osuna

soprem de novo o remoto,

e os campos dobrem na tua cinta cingida,

e o sol doure o cacho dos cabelos

cintados pela trança de palha do chapéu.

Que o trilo da flauta

                                  suba

a serpente dos montes,

enquanto a capa ondeie

                                        rígida

os frêmitos passados

e volte o companheiro a convergir

os passos para ti.

 

Num instante

as noites primitivas estão aqui.

                                                  Juntos,

cosemos rugas do tempo, recompomos

o mundo. E o dia

                              (íntegro)

se faz.

 

 

A DAMA DE ELCHE

 

Seus olhos

pararam no limiar. Mas a morte

participa também do mistério da vida,

e essas amêndoas que mantém

explícitas ao nada, anunciam

outra árvore em nós.

 

Toda a feição já se concentra

no que os olhos não dizem. Antes

fossem fechados,

como os lábios na dureza do mento,

e a ciência ou a razão que nos perturba

não deixariam no berloque aguerrido

essa espantosa serenidade gélida de amor.

 

Mulher-senhora. Mãe?

                                     Nos adornos

da espera, (nossa

a dúvida) fica a vida

que freme, e os abismos

que a beleza flanqueiam. Até que os pés

alados

despertem a princesa. Então,

Deus a recolhe,

                          e roça

nossas parcas medidas.  A morte

desancora. Pela rigidez

da inacessível máscara, escorre

como as chuvas

o seu íntimo trabalho de existir.   

 

Extraídos de Caminhos de Integração; antologia poética. Org. Sofía Vivo. Brasília: Thesaurus, 1993.  [edição trilingüe: português, espanhol, inglês].

 

 

DA MORTE

 

A morte joga no descampado

o seu jogo de dados

mas é no íntimo de nós

no âmago

que os pontos contam.

Ela funda

                 no fundo de nós

sua raiz fecunda –

no ventre

como bicho faminto

no coração

como casa sem gente

na mente

como causa de causas sem motivo.

É a nossa companheira

                                       longinquamente

desde o berço

e muito antes ainda

pois quando nos embalava

ao doce enlevo da mãe

já modulava o canto

                                 antiqüíssimo

marcando o mais certo encontro conosco

para a miséria

ou para a glória.

 

Capas de alguns dos livros de José Santiago Naud:
Ofício Humano (Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1966);  A Geometria das Águas - 1952-1956 ( Porto Alegre: Editora Globo, 1963); Os Avessos do Espelho ( Brasília: Thesaurus, 1996); O Olho Reverso.  Brasília: Thesaurus, 1993.  


I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASÍLIA

3 a 7 de setembro de 2008
Poemas lidos pelo autor no evento.


CANTARES DE NOSSA SENHORA

(Inédito)

Livro I, 3

 

Era preciso que Deus baixasse

e nos desvão da carne celebrasse
a aliança com o eterno.

Mas devia vir nu, Deus,
sem uma pedra que lhe amparasse a cabeça,

nem placentas, submisso
e ancorado na vária geração.

 

Como nas vastas peregrinações
em que o homem equilibra
a partilha e o anseio,
se te exigia o máximo
de virgem e de mãe.
Era preciso reunir como o andarilho,
no olhar, todos os povos.

E tu ouviste o anjo.

Tu foste a casa e a flor,
o jardim e a lareira
ajudando, para sempre,
o espírito do tempo.


ROMANCE

Fruto de solidão
preso à fronde do vento,
lua, tu nos dás
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nós refere a terra,
que em nossa ânsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que não sofremos,
tudo o que não tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que não teremos
e tudo o que já viveram
corações noutros tempos.
Flanco de solidão,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos vão reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da infância.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

CÃO DE PLUMAS

Em cima
             ou embaixo
trazemos sempre conosco
o chão das metáforas —

cão de plumas
cão de estrelas
Cão Maior
                 ou menor
na curvatura dos céus.

E, mais para lá,
a memória.

 

 


Capas de alguns outros  livros de José Santiago Naud:
As Colunas do Templo (
Brasília: Linha Gráfica Editora, 1988?);   20 Poemas escolhidos e um falso haikai. ( Brasília: Thesaurus, 2005); Antologia Pessoal ( Brasília: Thesaurus Editora, 2001);   Fábrica de Ritos ( Brasília: Thesaurus, 2008).    

 

(Foto Juvenido Barbosa Moreira)

Poetas José Santiago Naud e Antonio Miranda (Brasília set. 2005)

 

JOSÉ SANTIAGO NAUD

 

CANTARES DE NUESTRA SEÑORA

 

 (versión del Autor, revisión final de Alma Sophia de San-Royal)

 

1.

Quiero hablarte de María.

 

María fue tan simple.

Es muy anterior a Eva

y está nocturnamente sola

en su roca de Piedad.

 

2.

Era preciso que Dios bajase

y en los desvanes de la carne celebrase

la alianza con lo eterno.

Mas debía venir desnudo,

                                           Dios,

sin una piedra donde apoyar su cabeza,

ni placentas, sumiso

y anclado en la plural generación.

 

Como en las largas peregrinaciones

en que el hombre equilibra

la partija y el ansia,

se te exigía lo máximo

de virgen y de madre.

Era preciso reunir

                             cual andarín,

en el mirar, todos los pueblos.

 

Y tú oíste el ángel.

 

Tú fuiste la casa y la flor,

el jardín y el hogar,

ayudando

                 para siempre

el espíritu en el tiempo.

 

 

3.

En secreto

un prado azul pendía

de los parajes celestes, vasto

de muchas flores. Venías por él

con las vestes vaporosas, y a tu lado

                                                            el toro

  1. -          finos lo ijares y la frente poderosa.

 

Pastora de la bestia,

¡de albas manos abiertas

bajo los senos explícitos!

Caminas, pastoreando

mientras la lengua bruta,

áspera y sedienta,

fuerte y oscura

va pasando entre los belfos

                                             (salpicados

de rocío)

la hierba, tierna.

Olores de tierra suben como lluvia

la baba centelleante.

 

Simple, entre las más simples

veo tu mano descender

sobre el lomo salvaje

mientras los flancos tiemblan.

De severas escarpas

desciende la paloma,

                                   y aletea

en tu vientre la aspereza

portentosa del toro:

todas las flores que pasta

pasan a tu veste

                           y se quedan

vivo esplendor.

 

 

ORÍGENES

 

(traducción de Trina Quiñones y Sofía Vivo)    

 

 

Cuando aún no éramos

veíamos en toda dirección,

no obstante el Cielo

por sobre nosotros viese

la cabeza terrena.

Pero, ay, el terrible instante

en que ya no más

el ojo que viera se mantenía.

Todo, entonces, se pensó.

Y las nubes, el color

de las aguas azules que se entregaban

en flores sexuales, se bipartieron

abriendo a nuestro alrededor

los espacios del dolor.

 

Y, hélo aquí, nuestro día.

 

 

CABALLO MUERTO

 

(traducción del Autor)

 

 

Muerto.

Su cabeza tan bella,

otrora irrefrenable, allí está

entre gusanos. Su cuerpo

terso, enorme,

                        ahora innombrable,

pegándose en la tierra. Y la hierba

venciendo el asco

                             un color más nuevo.

 

Antes, era el uso. Ahora

memoria contrahecha. Signo

del tiempo. Meditación revuelta.

Podrida velocidad.

 

De sus patas ligeras

  1. -          persistencia patética –

quedan los cascos,

restos no más de pelos oscuros.

Y encima,

el arcángel exterminador pasa

sombrío, amontonando

aquella descompuesta figura

con los silencios de su espada.

 

 

TOCADORA DE FLAUTA

 

(traducción de Trina Quiñones y Sofía Vivo)

 

Por los campos de Osuna

ella había de andar

por el mismo viento

que ondulaba el trigal.

                                    Y el mismo sol

que sacaba el manto al compañero

había de brillar sobre los dos,

hoy inmóviles.

Ah, virtudes de piedra

capaces de retener aquello

que sólo en el alma, el espíritu endurece

  1. -          esa permanencia,

                                          brillo

huidizo, preso al hombre

                                         (para súbitamente volar)

cuando el sexo se eleva

o el hambre despierta

las esquinas de la muerte.

 

Auletris invocada, ahora

auletris te veo. Y digo

fervorosamente: tocadora de flauta.

                                                          Ven,

com tu canto de piedra,

dorso volcado hacia el compañero gastado

cuña de evocación.

                                Ven

con tu paso inmóvil.

Fíjate en mis ojos,

deja que los vientos de Osuna

soplen nuevamente lo remoto

y los campos doblen tu cintura ceñida

y el sol dore los racimos de tus cabellos

rodeados por la trenza de paja de sombrero.

Que el trino de tu flauta

                                       suba

los serpientes de los montes,

mientras que la capa ondée

                                             rígida

los rumores del pasado

y vuelva tu compañero a dirigir

sus pasos hacia ti.

 

En un instante

las noches primitivas están aquí.

                                                     Juntos,

cosemos las arrugas del tiempo,

reconstruimos el mundo.  Y el día

                                                       (íntegro)

se hace.

 
 

 

LA DAMA DE ELCHE

 

(traducción del Autor)

 

 

Se quedaron sus ojos

ante el umbral. Mas la muerte

completa igual el misterio de la vida,

y esas almendras que sostiene

abiertas hacia la nada, anuncian

otro árbol en nosotros.

 

Su talla entera se concentra

donde los ojos no hablan. Antes

fuesen cerrados,

como los labios en su duro mentón,

y la ciencia o la razón que nos perturba

no abandonaran en el pinjante aguerrido

esa espantosa y gélida serenidad de amor.

 

Mujer-señora. ¿Madre?

                                       En los adornos

de la espera,, (es nuestra

duda) quédase la vida

y vibra, los abismos

que a la belleza flanquean. Hasta que pies

alados

despierten la princesa. Entonces,

Dios la recoge,

                         y roza

nuestras parcas medidas. Su muerte

desancora. Por la rígida

máscara inaccesible, escurre

como las lluvias

su íntimo trabajo de existir.  

 

Extraídos de Caminos de Integración; antologéa poética. Org. Sofía Vivo. Brasília: Thesaurus, 1993.  [edição trilingüe: português, espanhol, inglês].

   

 

DE LA MUERTE

 

(trad. de Saúl Ibargoyen)

 

 

La muerte en el descampado juega

su juego de dados

pero es en lo íntimo de nosotros

en la médula

donde los puntos cuentan.

Ella funda

                 en lo hondo de nosotros

su fecunda raíz –

en el vientre

como bicho hambriento

en el corazón

como casa sin nadie

en la mente

como causa de causas sin motivo.

Es nuestra compañera

                                     lejanamente

desde la cuna

y aún mucho más

pues cuando nos arrullaba

al dulce éxtasis de la madre

modulaba ya el antiquísimo

                                 canto

marcando el más seguro encuentro

con nosotros

para la miseria

o para la gloria.  

 

Extraído de Versos Comunicantes I – Poetas Iberoamericanos.  Coord. de José Ángel Leyva. México: Ed. Alforja, 2002.

 

 

MIENTRAS EL VIENTO RUEDA

 

(trad. de Saúl Ibargoyen)

 

Mientras el viento allá afuera rueda

y una hoja amarilla golpea la vidriera

la lámpara allá adentro fluye esa flor de luz

en torno a la mesa

y el chantre conversa con la esposa

en tanto compone su música. Tranquilidad

de hacer el pan para todos

sin estar de lámpara al revés

ni encendería para dejarla debajo de la cama.

Más afectuoso todavía, el perro

se enrosca en medio de sus piernas

y él deja estar así

un perro astuto

prisionero del sueño y del tiempo

como un ovillo. Dulce paz

y dorado instante

que duran mientras allá afuera se sueltan los vientos

y ruge la destrucción-convulsión del mundo

sin perro ni gato, ratón

royendo lo perfecto

en tanto la música armoniza las puras disonancias

y entre marido y mujer la lámpara

incendia el aquí

pero habita sin tiempo

el centro de la armonía.

 

 

EN LA CALLE SOLITARIA

 

(trad. de Saúl Ibargoyen)

 

En la calle solitaria

con el Sol de mediodía

una línea de oro se extiende

oscureciendo todo

y tiñendo las cosas.

Un haz de espanto

el grito del loco raya el cielo

azul

en línea opuesta a la sombra del árbol.

Al amparo materno del umbu

se parten paz y sosiego, la dulzura

y el punto justo

son de pronto un rayo en la desmesura del grito del loco

con su alma en andrajo en un lecho de llamas

que despedaza los ojos del niño

presos en el silencio de la plaza.

De la sensación quedó

el pavor dominado, aquel preciso instante

de la visión de un revoque rojo

en el muro desconchado,

los ladrillos a la vista

y la acera

dura,

asperezas,

fascinación,

audacia,

y el grito del loco

rayando de sangre el cielo azul.

Así también (oculta)

la cadena de la herencia espiralaza

la explicitud de las formas, apariencia pura

con el espíritu adentro desde los espacios abiertos,

un acto hecho en nosotros:

Dios

escribiendo la pieza que dijimos

con la memoria de las células

orden y miedo de cumplir

la hora prescrita,

el tiempo cierto de salir –

claro mandala.

Como remonta el salmón la corriente

para dejar a la suerte del río sus huevos

y allí

fluyendo

comenzar a morir, así

el loco grita

o nosotros, apoderados de la razón, retrocedemos.

Sólo un perro por compañía

que vuelva nuestros ojos hacia la luz

o en la tiniebla ajuste nuestros pasos.

Dentro de la gruta

espesa

nuestros nervios palpitan impacientes

y pasa de padre a hijo el relámpago de las madres.

De pronto

las ruinas circulares de los derrumbes fatales están allí

y son

como el grito del loco

en una línea de oro

el cuadrado de la plaza – un rayo

de saudade

ahora

aquí

total recordación,

fiel presencia

para siempre fatal

en su sombra iluminada.  

 

 

Extraídos de la revista Alforja, XIX, invierno 2001.  

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José Santiago Naud e Antonio Miranda. (Brasília. 2010?)

TEXT IN ENGLISH 

JOSÉ SANTIAGO NAUD


                  ORANGE ON A PLATE


Poem by José Santiago Naud
Translated by Roy MacGregor-Hastie



With the exactness of a n egg
 precise                    yellow
on a plate, dark, harsh
an orange
offers itself.
All around, silence.
Not even a buzz disturbs
that acid solitude.
Centred in so much space,
hungry
no longer.
Encircled
wholly itself, concentrated
at the periphery protected
by its own sweet mute.
Restricts the act, fact, of being
no longer effect.
Alone
soul of things, yet maturing
the moment of consumption,
for ever remaining
night               an            sign.

(from “Unquiet Word”, 1967)

 

Reencontro dos poetas JOSÉ SANTIAGO NAUD,  LUIS TURIBA e ANTONIO MIRANDA durante o 33a. Feira do Livro de Brasília, no dia 20 de junho de 2017, instalada no Shopping Pátio Brasil.     Turiba era, na ocasião, o Curador do evento.

 

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