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JOSÉ DE SANTA RITA DURÃO

(1722-1784)

 

 

Frei José de Santa Rita Durão nasceu em Mariana, Minas Gerais, Brasil.  Estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e doutorou-se em Filosofia e Teologia por Coimbra. Entrou na ordem de Santo Agostinho, mas durante a repressão do período pombalino, fugiu para a Itália, onde levou uma vida de estudos, durante mais de 20 anos. Trabalhou em Roma como bibliotecário até a queda do Marques de Pombal.

 

Caramuru (1781) é um poema épico em que louva a figura legendária de Diogo Álvares Correia e de sua companheira indígena Paraguaçu. Pretendeu criar uma obra à Camões sobre a colonização do Brasil e as grandezas da terra natal. 



 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS /  TEXTO EN ESPAÑOL  

 

Caramuru

 

(Fragmento do canto VII)

 

xxxv

 

Das flores naturais pelo ar brilhante

É com causa entre as mais rainha a rosa,

 Branca saindo a Aurora rutilante,

E ao meio-dia tinta em cor lustrosa;

Porém crescendo a chama rutilante,

É purpúrea de tarde a cor formosa;

Maravilha que a Clície competira,

Vendo que muda a cor, quando o Sol gira.

 

 

XXXVI

 

Outra engraçada flor, que em ramos pende

(Chamam de S. João) por bela passa

Mais que quantas o prado ali compreende,

Seja na bela cor, seja na graça:

Entre a copa da rama, que se estende

Em vistosa aparência a flor se enlaça,

Dando a ver por diante, e nas espaldas

Cachos de ouro com verdes esmeraldas

 

 

XLI

 

Outras flores suaves, e admiráveis

Bordam com vária cor campinas belas,

E em vária multidão por agradáveis,

A vista encantam, transportada em vê-las:

Jasmins vermelhos há, que inumeráveis

Cobrem paredes, tetos, e janelas;

E sendo por miúdos mal distintos,

Entretecem purpúreos labirintos.

 

 

XLII

 

As açucenas são talvez fragrantes,

Como as nossas na folha organizadas;

Algumas no candor lustram brilhantes,

Outras na cor reluzem nacaradas.

Os bredos namorados rutilantes,

As flores de Courana celebradas;

E outras sem conto pelo prado imenso,

Que deixam quem as vê, como suspenso.

 

 

(De Caramuru)

 

HADAD, Jamil Almansur, org.   História poética do Brasil. Seleção e introdução de  Jamil Almansur Hadad.  Linóleos de Livrio Abramo, Manuel Martins e Claudio         Abramo.  São Paulo: Editorial Letras Brasileiras Ltda, 1943.  443 p. ilus. p&b  “História do Brasil narrada pelos poetas. 

HISTORIA DO BRASIL – POEMAS

 

CARAMURU

CANTO II

 

XLIII

 

Não era assim nas aves fugitivas,
Que umas fechava no ar, e outras em laços
Com arte o caçador tomava vivas;
Uma, porém, nos líquidos espaços
Faz com a pluma as setas pouco ativas,
Deixando a lisa pena os golpes laços.
Toma-a de mira Diogo e o ponto aguarda:
Dá-lhe um tiro e derriba-a co´a espingarda.

Estando a turba longe de cuidá-lo.
Fica o bárbaro ao golpe adormecido
E cai por terra no tremendo abalo
Da chama do fracasso e do estampido;
Qual do hórrido trovão com raio e estalo
Algum junto a quem cai fica aturdido,
Tal Gupeva ficou, crendo formada
No arcabuz de Diogo suma trovoada.

Toda em terra prostrada, exclama e grita
A turba rude em mísero desmaios,
E faz o horror que estúpida repita
Tupã, Caramurú, temendo um raio.
Pretendem ter por Deus, quando o permita
O que estão vendo em pavoroso ensaio,
Entre horríveis trovões do márcio jogo,
Vomitar chamas e abrasar com fogo.

Desde esse dia, é fama que por nome
Do grão Caramurú foi celebrado
O forte Diogo; e que escutado dome
Este apelido o bárbaro espantado.
Indicava o Brasil no sobrenome,
Que era um dragão dos mares vomitado;
Nem d´outra arte entre nós a antiga idade
Tem Jove, Apolo e Marte por deidade.

 

             (1ª  edição brasileira; Honorato – 1878).

 

 

 

[  A FRANÇA ANTARTICA ]

 

 

25
No grão palácio em tintas retratados
Os que o governo do Brasil tiveram;
Os Sousas na Bahia decantados,
Os nobres Costas, que depois vieram;
Mas entre outros na guerra celebrados
Por troféus, que vencendo mereceram,
Mendo de Sá de gloriosa fama,
Que pai da pátria no Brasil se aclama.

 

26
Deste era prole o intrépido Fernando,
Que ali vi fulminando a forte espada;
E contra a feroz gente pelejando,
Deixou a morte com valor vingada:
Mas da Bahia os olhos levantando,
Vi discorrer no mar potente armada,
Que as ilhas ocupando e a vasta terra,
Movia o Brasil funesta guerra.

27
Parecia-me a frota belicosa
Francesa gente, que o Brasil tentava,
Pedro Lopes de Sousa em furiosa
Naval batalha o mar lhe contestava:
Noutra ação com esquadra numerosa
Luis de Melo e Silva pelejava:
Cristovam Jacques, que este mar corria,
Dous navios lhe afunda na Bahia.

28

Era de França sim a adversa gente;
Mas por culto inimigo ao rei contrária.
E ao rito calvinístico aderente,
Enviava ao Brasil tropa adversária:
E protegida da facção potente
Com as forças e armada necessária,
Queriam para infanda cerimônia
Fabricar a Calvino uma colônia.

29
Cavaleiro de Malta, e franco nobre
Era Villegaignon de forte peito,
Soldado antigo que o valor descobre,
Entre os hugnotes do maior respeito:
De mil promessas o partido cobre,
Havendo-o à empresa do Brasil eleito;
E abonada de um chefe de esperança,
Dá-lhe a mão a heresia em toda a França.

30
Este vi navegando a Cabo-Frio,
Seguido de outras naus na forte empresa;
E que tratando afável co´o gentio,
Explorava do sitio a natureza;
Mostrava aos naturais ânimo pio;
E arguindo-lh´a gente portuguesa,
Induz a nação bruta a que lhe assista
Na empresa do comércio e da conquista.

 

31
Voltou à França o cabo diligente,
Todo de ricas drogas carregado;
E convocando às naus armada gente,
Toma de turba ingente acompanhado:
Nem tarda do sertão  cópia potente
De um povo, que nas armas aliado,
Por amigo estimava mais sincero,
Menos inculto sim, porém mais fero.

 

32
Ali Villegaignon, que o troço aloja,
Às gentes do sertão se confedera;
E toda a costa a dominar se arroja,
De onde os nossos expulsar já espera;
Do seu comércio o português despoja,
Na fértil Paraíba, em que útil era;
Nem há costa do Brasil enseada,
Que o hugnote não tenha bloqueda.

33
Mendo de Sá, que adverte no perigo,
Três naus que em guerra cuidadoso armara,
Com oito de comércio tem consigo,
Além das que em socorro convocara:
E por ter força igual à do inimigo,
Sobre longas canoas, que ajuntara,
Guia contra os tamoios prepotentes
Do bravo carijó turmas valentes.

 

34
Nighe-teroi se chama vasta enseada,
Que estreita boca, como barra encerra,
Fechando em vasto porto à grande armada
Um lago, que em redondo cinge a terra:
Vê-se ilha penhascosa sobre a entrada,
Com fortaleza, que disposta em guerra,
Por boca dos canhões rumor fazendo
Fechava a barra ao valeroso Mendo.

35
Era a ilha de rochas guarnecida,
Que em torno tem natural muralha,
Donde à força das balas rebatida,
Faz inútil dos lusos a batalha;
Três dias foi dos nossos combatida,
Sem que o fogo incessante aos nossos valha,
Até que fatigado o invicto Mendo,
Invade à escala vista o forte horrendo.

36
Ente as frechas a balas destemido
Na penha o português trepando salta;
E deixando o francês esmoecido,
Degola, mata, fere, invade e assalta;
Nem do antigo valor cede esquecido
O francês animoso, até que falta
De sangue a brava gente na contenda,
Faz a perda e cansaço que a ilha renda.

37
Nem mais demora teve o invicto Mendo
Ao ver a gente adversa dissipada,
E a excelsa fortaleza desfazendo,
A costa visitou na forte armada;
E tudo ao nome seu sujeito havendo,
À Bahia tornou, que iluminada
Entre o som do clarim e alegre trompa,
Em triunfo a Mendo recebeu com pompa.

 

38
Mas a facção do Hugnote enfurecida
Villegaignon potente ao Brasil manda,
Que a ilha recobrando já perdida,
Guerra intenta fazer por toda a banda:
Vê-se a forte esquadra, que o francês comandas,
Dominante no oceano por tal modo
Que impedia o comércio ao Brasil todo.

39
Mais não tolera a lusa monarquia,
Que ao rei cristianíssimo aderente,
Contra a rebelde herética porfia
Armada põe na América potente:
Chefe Estácio de Sá prudente envia,
De válidos galeões com forte gente,
Que o herege expulsando da enseada,
Deixa nova cidade ali fundada.

 

Obsequioso abraçava o claro Mendo
O valeroso chefe seu conjunto,
Às forças da Bahia unido tendo
As que trouxer sobre o mesmo assunto:
Acomete o rebelde em liga junto,
Incorporando à armada lusitanas
Vasto esquadrão da turba americana.

41
Chama-se Pão de Açucar o penedo,
Em pirâmide às nuvens levantado,
Onde de um salto tinha já sem medo
A turba militar desembarcados:
Nadava pelo mar vasto arvoredo
Do gentio em canoas habitado;
E do ardente francês luzida tropa,
Que hábil n´arte de guerra fez a Europa.

42

Destes o luso campo acometido
De dardos, frechas, balas se embaraça,
Em sombra o sei todo escurecido,
Já dobra o Frio-Cabo a esquadra ingente,
E à vista do penhas lança a amarra:
As naus ocultam nuvens de fumaça:
E ao eco dos canhões entre o ruído,
Tudo está cego e surdo em campo e praça;
E no horrível relâmpago das peças
Caem por terra os bustos sem cabeças.

........................................................

 

44
Depois que largo tempo em márcio jogo
Dura a batalha com comum perigo,
Cessando o impulso do contrário fogo,
Todo o estrago aparece do inimigo:
Tinha cedido da contenda logo
Receioso o tamoio do castigo
E os franceses, que as naus mal sustentavam,

45
Não cessa o bravo Sá contra o gentio,
E a forte tropa pelo mato avança;
Entre as penhas o asilo procuravam.
Porque  abatendo orgulho e insano brio,
Se apartasse o sertão da aliança;
Ne, receia o tamoio o desafio,
Tendo no seu valor tanta confiança,
Que fugindo da aldeia ao mato e gruta,
A liberdade ao português disputa.

46
Era áspero o combate e lenta a guerra,
E sem efeito o assédio ao francês postos;
E o bárbaro, embrenhando dentro a terra,
Tinha emboscada ao português disposto:
Mendo, que n´alma o grão cuidado encerra,
Tendo de Estácio socorrer proposto,
Faz levas, busca naus e a gente incita,
E em auxílio dos seus partir medita.

 

47
Pasma o rebelde, vendo a armada à frente
Ocupar numerosa e estreita barra;
Une-se a frota ali da lusa gente;
E os mútuos casos vanglorioso narra,
Irmão a irmão, e o filho ao pai, festivo
Por ter chegado são, e achado vivo.

48

Chega aos braço de Estácio o forte Mendo,
E por festiva lava estrepitosa,
Faz que vomite o bronze o fogo horrendo
Contra a ilha, que avistam penhascosa;
E largamente consultado havendo
Os dous chefes da empresa gloriosa,
Contra o penedo tentam no mais alto,
A peito descoberto, um fero assalto.

 

49
Veem-se entre as penhas formidáveis bocas
De canhões e mosquetes trovejando;
E nas quebradas espantosas rocas,
Do bárbaro tamoio o infame bando:
Muitos ali das ásperas barrocas
Vão os nossos fuzis precipitando,
Outros de rôta penha em meia às gretas,
Cobriam contra nós o ar de setas.

50

Não cessava o rebelde belicoso
Com vivo fogo o assalto rebatendo,
Enquanto sobe o luso valeroso,
Trepando em fúria do penedo horrendo:
Quem, no meio do impulso impetuoso,
Cai na ruína, o próximo envolvendo,
Quem, ferido da frecha ou veloz bala,
Do mais alto da penha ao mar resvala.

.....................................................

 

54

E já no grão penedo tremulavam
As lusas quinas pelo forte Estácio,
E as lizes do penhasco se arrancavam,
Donde Villegaignon se ergue um palácio;
Pela roca os tamoios se arrojavam
E o valor luso dando inveja ao Lácio,
A guarnição francês investe à espada,
E abriga em duro choque à retirada.

55
O valente francês, que a bélica arte
Já com valor na Europa professara,
O peito à fuga opõe por toda parte,
E faz que volte o fugitivo a cara:
E quando Estácio só junto ao estandarte,
Que por chefe dos lusos se declara,
Cuida de um golpe terminar a empresa,
No general da gente portuguesa.

56
Não desfalece o capitão valente;
E de um e de outro lado acometido,
Rebate as balas sobre o escudo ingente,
E arroja-se ao rebelde enfurecido:
Lebrun despoja do mosquete ardente,
Com que muitos de um golpe tem ferido,
Outros do íngreme posto ao mar despenha,
E alguns expulsa da soberba penha.

57
E já fugia a tímida caterva,
Quando Rochefoucauld , que a pugna iguala,
Donde a viseira descoberta observa,
Lhe aponta desde longa ardente bala,
Caindo o herói na espada, que conserva,
Adora humilde a cruz, e perde a fala:
Banha-se em sangue o chão, e em tanta glória
Regada a terra produziu vitória.

58
Porque enquanto em segui-lo divertido,
Abandona o francês a fortaleza,
Tinha parte do exército subido,
A dar fim com vitória à forte empresa;
Admira Mendo o braço esclarecido;
E bem que do sobrinho o valor preza,
No juvenil ardor notou magoado
O tomar chefe as partes de soldado.

59
À pátria, o nobre Sá diz lagrimando,
Vítima irás da fé, da liberdade,
Vigor no sangue heroico à terra dando,
Donde se erga imortal nova cidade:
Tenham seus cidadãos da heroicidade
O caso acerbo aos pósteros contando,
Clara lição no fundador primeiro,
Glória eterna do Rio de Janeiro.

..................................................

 

    (CARAMURU — 1ª. ed. bras. – Rio – Honorato – 1878)

HOLANDESES NA BAHIA

 

77
Mas vi um tanto o lusitano império
Na Líbia ardente em sangue submergido,
E o seu domínio no índico hemisfério
Fo batavo nas água invadido:
E, ou por descuido governo hespério
Ou de mil contratempos combatido,
Cedeu no vasto mar por toda a banda
O império do Brasil à fria Holanda.

78
Dezesseis longos séculos contando,
Com anos vinte e quatro a vulgar era,
Vi a bátava esquadra o mar surcando,
Onde Willekens general modera:
Petre Petrid os mares assombrando
Por Almirante aos náuticos se dera
Poder que à Índia navegar fingia,
E contra a expectação veio à Bahia.

79
A fronte descobre da excelsa praça,
As armas governando o bom Furtado,
Que antevendo os efeitos da desgraça,
Tudo dispunha com valor frustrado:
Convoca quanto encontra, e tudo abraça
Por opor-se ao perigo ameaçado;
Mas dissipa-se a gente sem batalha,
Por faltar não valor, mas vitualha.

80
Dispunha assim o batavo experiente,
Antevendo que a turba mal unida,
Sem cauta providência que a sustente,
Esfriando no ardor toma fugida;
E vendo a multidão menos frequente,
E a plebe na tardança esmorecida,
Quando menos o espera a chusma fraca,
Ocupando um castelo, o povo ataca.

81

Ruiter e Duchs com legião potente
A porta invadem de S. Bento em fúria;
Mas rebatidos de impressão valente,
Cessam, fugindo da intentada injúria:
Mas tão funesto horror concebe a gente,
Que a guerra ignora com profunda incúria,
Que quando faz que Ruiter não se arroje,
Deixa o terreno, de vencido foge.

82
Furtado de Mendonça, que não vira
Jamais do medo vil a fronte escura,
Com setenta somente a face vira,
E sem mais que o seu peito e praça mura:
O amor da pátria, que o furor lhe inspira,
Faz que da vida, desprezando a cura,
Se arroje o luso ao batavo, que o inunda,
E um fira, um despedace, outro confunda.

83
Mas vendo na manhã, que o céu descobre
A cidade do povo abandonada,
Nem mais que o peito de Furtado nobre
Com poucos dos setenta na esplanada:
Temo que n´um só peito o valor sobre,
E que deixando a empresa retardada,
Socorro venha, desde bem partido
Ao bravo chefe se ofereceu rendido.

84
Não tarda a fama a divulgar voando
Da capital brasílica o sucesso,
Enquanto o belga, que lhe ocupa o mando,
Recolhe a vitória o imenso preço:
Treme em Madri o trono, receiando
Que o bélgico leão, com tanto excesso,
Prostre o de Espanha, e como o vulgo narra,
No México e Perú lhe imprima a garra.

85

Cobre-se o mar de esquadras numerosas,
Move-se a lusa e hispana fidalguia,
Vão-se embarcando legiões famosas,
Tudo em náutica chusma o mar fervia:
Fabrique as naus hispanas poderosas,
Menezes as de Lísia prevenia,
Vendo-se terra e mar no caso incerto,
De petrechos, canhões e armas coberto.

86
Já pela barra entrava da Bahia,
Com sessenta e seis naus soberba a armada,
Doze mil homens de alta valentia
Ocupavam sobre elas a enseada:
De tanto nome em militar porfia,
Que a guarnição da praça assombrada,
Bem que finja valor nesta conquista,
Antes que ao ferro, se lhe abate a vista.


87
Dispõe-se em meia lua a armada inteira
Cerrando a fuga ao belga esmorecido,
Ocupa o forte exército a ribeira
Em dous quarteis aos lados dividido:
Mas o batavo Kyf na ação primeira,
Tendo o campo a Fabrique acometido,
Com sortida deixou no ardor insana
Suspensa a lusa gente, e rota a hispana.

88
Cheio o bela de orgulho na ação brava,
Porque mais prove pela pátria o sêlo,
Contra a esquadra, que os muros varejava,
Em dois baixéis arroja um mongibello:
Crê que a fuga o Menezes, que observara,
E move toda a esquadra sem prevê-lo,
E parece que Deus o impulso inspira,
Com que do oculto incêndio as naus retira.

89
Um giro a lua fez na azul esfera,
Enquanto os belgas de valor já faltos,
Ceder dispunham na contenda fera
Ao furor incessante dos assaltos:
E quando mais socorro não se espera,
Vendo que os mares se empolavam altos,
Cede o batavo humilde ao luso hispano
A capital do império americano.

 

        (CARAMURU – 1ª. ed. bras. – Rio – Honoato, 1878)

 

Extraído de POESÍA BRASILEÑA COLONIAL.  Traducción y prólogo de Ricardo Silva-Santisteban. Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1985.  117 p. (Tierra Brasileña. Poesía 23)

 

 

 

OLIVEIRA, Alberto dePáginas de ouro da poesia brasileira. Rio de Janeiro: H Garnier, Livreiro-Editor, 1911.   420 p.  12x18 cm Ex. bibl. Antonio Miranda
Inclui os poetas: Frei José de Santa Rita Durão, Claudio Manuel da Costa, José Basílio da Gama, Thomas Antonio Gonzaga, Ignacio José de Alvarenga Peixoto, Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, José Bonifacio de Andrada e Silva, Bento de Figuieredo Tenreiro Aranha, Domingos Borges de Barros, Candido José de Araujo Vianna, Antonio Peregfrino Maciel Monteiro, Manoel de Araujo Porto Alere, Domingos José Gonçalves de Magalhães, José Maria do Amaral, Antonio Gonçalves Dias, Bernardo Joaquim da Silva Guimarãaes, Francisco Octaviano de Almeida Rosa, Laurindo José da Silva Rabello, José Bonifacio de Andrada e Silva, Aureliano José Lessa, Manoel Antonio Alvares de Azevedo, Luiz José Junqueira Freire, José de Moraes Silva, José Alexandre Teixeira de Mello, Luiz Delfino dos Santos, Casemiro José Marques de Abreu, Bruno Henrique de Almeida Seabra, Pedro Luiz Pereira de Souza, Tobias Barreto de Menezes, Joaquim Maria Machado de Assis, Luz Nicolao Fagundes Varella, João Julio dos Santos, João Nepomuceno Kubitschek, Luiz Caetano Pereira Guimarães Junior, Antonio de Castro Alves, Luiz de Sousa Monteiro de Barros, Manoel Ramos da Costa, José Ezequiel Freire, Lucio Drumond Furtado de Mendonça, Francisco Antonio de Carvalho Junior, Arthur Narantino Gonçalves Azevedim Theophilo Dias de Mesquita, Adelino Fontoura, Antonio Valentim da Costa Magalhães, Sebastião Cicero de Guimarães Passos, Pedro
Rabello e João Antonio de Azevedo Cruz.   

 

 

CARAMURU

 

A MORTE DE MOEMA

 

(Canto VI)

 

 

E' fama então que a multidão formosa
Das damas, que Diogo pretendiam,
Vendo avançar-se a nau na via undosa,
Eque a esperança de o alcançar perdiam :
Entre as ondas com ânsia furiosa
Nadando, o esposo pelo mar seguiam,
E nem tanta agua que fluctua vaga,
O ardor que o peito tem, banhando, apaga.

 

Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada:
E ignorando a ocasião da estranha empresa,
Pasma da turba feminil, que nada;
Uma, que às mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela, do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau, se apega ao leme

 

Bárbaro (a bela diz) tigre, e não homem...
Porém o tigre por cruel que brame,
Acha forças amor, que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame:
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas pagar tanto amor com tédio, e asco...
Ah ! que o corisco és tu... raio... penhasco.

 

Bem puderas, cruel, ter sido esquivo,
Quando eu a fé rendia ao teu engano;
Nem me ofenderas a escutar-me altivo,
Que é favor, dado a tempo, um desengano:
Porém deixando o coração cativo
Com fazer-te a meus rogos sempre humano,
Fugiste-me, traidor, e desta sorte
Paga meu fino amor tão crua morte?

 

Tão dura ingratidão menos sentira,
E esse fado cruel doce me fôra,
Se a meu despeito triunfar não vira
Essa indigna, essa infame, essa traidora:
Por serva, por escrava te seguira.
Se não temera de chamar senhora
A vil Paraguaçu, que sem que o creia,
Sobre ser-me inferior, é néscia, e feia.

 

Enfim, tens coração de ver-me aflita,
Flutuar moribunda entre estas ondas;
Nem o passado amor teu peito incita
A um ai somente, com que aos meus respondas
Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,
(Disse, vendo-o fugir) ah! não te escondas
Dispara sobre mim teu cruel raio...
E indo a dizer o mais, cai n'um desmaio.

 

Perde o lume dos olhos, pasma, e treme,
Palida a cor, o aspecto moribundo,
Com mão já sem vigor, soltando o leme,
Entre as salsas escumas desce ao fundo,
Mas na onda do mar, que irado freme,
Tornando a aparecer desde o profundo,
Ah! Diogo cruel! disse com magoa,
E sem mais vista ser, sorveu-se n'agua.

 

 

 

 

TEXTO EN ESPAÑOL

Traducción de Ricardo Silva-Santisteban 

 

Caramuru

 

(Fragmento deI canto VII)

 

 

XXXV

 

De las flores, en el aire brillante,

reina con más justicia es, pues, la rosa,

blanca emerge la Aurora rutilante,

al cenit time la color lustrosa;

pero creciendo en llama rutilante,

roja es de tarde la color hermosa;

pasmo que contra Clicie ya conspira,

pues muda de color cuando el Sol gira.

 

 

XXXVI

 

Otra agraciada flor que en ramos pende

(la llaman de San Juan) por bella pasa

más que cuantas el prado allí comprende,

bella es la color, tenue cual gasa:

en la coposa rama que se extiende

con vistosa apariencia allí se enlaza,

delante dando a ver y en las espaldas

ramos de oro con verdes esmeraldas.

 

 

XLI

 

Otras flores hay dulces y admirables

bordando su colar campiñas bellas,

y en varia multitud por agradables,

la vista encantan, transportada al vellas:

bermejos jazmines que incansables

cubren paredes, techos y las huellas;

no siendo por menudos muy distintos

púrpuras entretejen laberintos.

 

 

XLII

 

Las azucenas son tal vez fragantes,

tal las nuestras en la hoja organizadas;

en el candor algunas son brillantes,

el tinte otras relucen nacaradas.

Enamorados bledos rutilantes,

las flores de Courana celebradas;

y otras sin cuento por el prado inmenso

que a quien las ve, lo dejan en suspenso.

 

 

Extraído de POESÍA BRASILEÑA COLONIAL.  Traducción y prólogo de Ricardo Silva-Santisteban. Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1985.  117 p. (Tierra Brasileña. Poesía 23)

 

 

Página republicada em novembro de 2017



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