Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

KORI BOLIVIA

KORI BOLIVIA
(KORI YAANE BOLIVIA CARRASCO DORADO)

 

Filha do pintor boliviano Jorge Carrasco Núñez del Prado e da psicopedagoga Julia Dorado Llosa, nasceu em La Paz (Bolívia) em 22 de agosto de 1949. Chegou a Brasília em 1976 tornando-se também brasileira.

É licenciada em Letras, possui pós-graduações em Língua e Literatura espanholas, Tradução português-espanhol e espanhol-português. Tem Mestrado em Literatura Brasileira e em língua e Cultura Espanholas, tendo estudado na Bolívia, no Brasil e na Espanha. Trabalhou como professora de português e de espanhol na Universidade de Brasília, lecionou espanhol no Instituto Rio Branco (Academia Diplomática do Brasil - MRE) e em outras instituições brasileiras.

Sempre inquieta, aos três anos de idade foi premiada pela Prefeitura de La Paz por seu quadro “Mi papá y yo” no Concurso de pintura infantil, foi aluna do Conservatório de Música, foi membro do Teatro Experimental Universitário (TEU-UMSA) e do Teatro da Aliança Francesa na mesma cidade. É membro fundador da União Boliviana de Escritores onde foi secretária de Promoção e Difusão da Nova Literatura (1975) e é membro da Sociedad Boliviana de Escritores. É membro da União Brasileira de Escritores, da Associação Nacional de Escritores e do Sindicato de Escritores do Distrito Federal. Foi Presidente da Associação de Professores de Espanhol do Distrito Federal (1993-1996 e 2006-2008) e ocupa a cadeira XXXVII da Academia de Letras do Brasil.

Livros: Um grito Callado. La Paz-Bolivia, Editorial del Estado 1981; Espuma de los días La Paz – Bolivia, Editorial del Estado 1982; Poemas en cuatro tiempos Brasília-DF, Editora Thesaurus, 1994 e Despeinando sueños Brasília-DF, Editora Thesaurus, 1997; La Rosa dormida (livro inédito); O orvalho de tua voz (livro inédito, próxima publicação) – O indianismo na poesia de Jesus Lara e de Raul Bopp (ensaio-inédito); El texto literário (más que todo poético) em la clase de ElE (inédito); Tradução literária: trabalho difícil, porém gratificante (inédito).

Está presente em várias antologias de poesia e de crônicas de Brasília e da Índia, como também no Dicionário de Escritores de Brasília e na História da Literatura Brasiliense. Traduziu poemas do espanhol para o português e vice-versa de maneira individual e coletiva com outros poetas brasilienses, e realizou várias conferências sobre literatura, tradução e língua espanhola.  Escreve tanto em espanhol como em português.

“Os invito a entrar en el mundo secreto de Kori Bolivia, una poeta casi mística en un mundo deshumanizado” (Pedro Shimose - Madrid, 2006)

 

====================================================================================

KORI BOLIVIA cumpre sua trajetória de poeta com um lirismo que é mais nosso do que dela. Ela encarna uma condição humana que é vertida na linguagem da contensão mas sem limites, ou seja, sua capacidade de ser uma e múltipla, de expressar brechtianamente pelo outro que, no entender de Mário de Andrade (“sou trezentos”) está em nós. Explicando melhor: é contida, sem excessos verbais, mas sua voz ecoa além da linearidade do texto, por alcançar-nos no que temos de comum e universal.

Acompanho a caminhada dela entre nós. Veio da Bolívia, vive conosco em Brasília e conseguiu falar a nossa língua melhor do que nós, sem sotaque, cristalina como a voz que soa nos Andes na cimeira do mundo. E sua poesia verte nas línguas que domina, pois a língua é a forma de nossa expressão e a poesia é a fôrma em que ela consegue representar-nos, enquanto expressa os próprios sentimentos e visões do mundo. Mundo mundo vasto mundo... já dizia Drummond de Andrade.  Mas cabe reconhecer uma certa estranheza dela, alguma nostalgia, um certo sentimento contido. “Um labirinto de sonhos despertos”, “solidão irredutível”, “em íntimo sofrimento”. “Infinita voz, infinita”.  Vê-la sempre sorrindo, com uma delicadeza “exquisita” no sentido de cordial, no original castelhano, não configura sua angústia existencial, que é também nossa. Como são nossos, agora, os versos de “O orvalho de tua voz”, referindo a nós.

Antonio Miranda

 

 

POEMAS EM PORTUGUÊS  - EN ESPAÑOL

 

Quisiera

 

Quisiera desatar la noche de tus cabellos,

contemplar en tu mirada

la estrella de la vida.

Reposar en tus manos

mi fatigada sombra.

Quisiera sentir el galopar de la aurora

escuchando el sollozo de campanas desconocidas.

Presenciar, el último suspiro de una rosa roja.

(La Paz, 19-06-71, do livro Un grito callado)

 

¡ Duele!

 

Duele mi pueblo hambriento,

el niño con su faz descolorida.

Duele escuchar el viento

solitario de la patria empobrecida.

Esa carcajada misteriosa

hija de la muerte.

                              (La Paz, 24-10-74, do livro Espuma de los días)

 

Dói

 

Dói meu povo faminto,

a criança de rosto descolorido.

Dói escutar o vento

solitário da pátria empobrecida.

Essa gargalhada misteriosa

filha da morte.

 

         (Tradução de Anderson Braga Horta)

 

 

Pescador de sueños

 

Oh, pescador,

descuelga tus redes,

deja que los sueños sigan

navegando;

que naveguen

por la tarde y la noche,

por el día frío,

por la vida y el cuchillo.

Deja a la soledad

salpicando su vestido

entre hombres

y nombres

humedecidos de rocío.

Pescador de sueños,

escucha el mensaje de la altura,

prepara tu lágrima

y guisa el amor

mezclado con espuma.

-Sólo una entraña de plata

sentirá el olor del martirio-

 

 

         (Brasilia, 1977 – Poemas en cuatro tiempos)

 

 

Duele el mundo

 

Bolivia me duele en la garganta

como me duele el mundo

en esta hora ingrata.

Son voces estridentes,

son fuegos que retumban,

son llantos de madres e hijos,

son ríos rojos de fantasmas.

Y me duele Bolivia en los ojos

como duele el mundo

cautivo de espanto…

 

         (Do livro Despeinando sueños)

 

 

Libertad

 

La libertad es viento

que sopla sin rumbo

jugueteando con hojas

verdes y amarillas,

meciendo lilas,

despeinando sueños,

desatando piedras.

 

Libertad es el bostezo

sinvergüenza de un niño

en el colegio

frente a un libro abierto.

 

Libertad

son alas que van y vienen,

son pétalos que se abren,

son piececitos que corren

como el río sin parar

para pensar de dónde

vino el polvo

de los muebles viejos.

 

Libertad es una puerta

y la luz que por ella se filtra

como el gorjeo del día.

 

Libertad es todo

lo que eres, lo que soy,

…Libertad es vida…

 

         (1990, do livro Despeinando sueños)

 

 

O orvalho de tua voz

 

Se for noite

e os ventos calados

permanecerem à borda do mundo,

tecerei castelos de sonhos

no pêndulo do tempo.

 

Se for noite

e as mãos na pálpebra fechada

buscarem castelos e rodopios de sol,

colherei a madrugada

bebendo o orvalho de tua voz.

 

         (Do livro inédito O orvalho de tua voz)

 

 

 

BOLIVIA, Kori. O orvalho de tua voz.  Brasília: Thesaurus, 2011.  88 p.  13x19 cm.  Apresentação de Antonio Miranda.  Ilustração da capa: Cosmos”, do pintor boliviano Jorge Carrasco Nuñez del Prado. Ilustrações internas da autora. 

 

Sem saber

Hoje caminho sem saber
se meus passos
completarão a via
do onde e do quando.
Sinto ausências
e ausente eu de mim,
covarde cúmplice
que vira as costas
e procura no tato
o refúgio da verdade.
Hoje caminho sem saber,
derramada,
na encruzilhada do desassossego,
canção que levo
nas sombras internas do meu próprio corpo.
procuro o riso,
mãos, olhos,
lábios
e ainda reconheço
o céu e a terra
em momento de ausências,
na cabisbaixa luz
de qualquer estrela distante,
no amadurecimento da poesia.

 

Cotovia

Como demoraste, cotovia, para dar-me
a seiva do teu alento.
Eu, amarrada e triste,
queria matar as mãos
com as lágrimas do dia.

Surgiste então, em voo
pelo céu amanhecido.

  

Gorjeio quebrado

Meus pés sentem a terra
e se enterram na vida
como raízes de pensamento.

Minhas mãos, gaivotas caçadoras,
rasgam o azul amarrotado
do oceano de vocábulos em movimento.

Coração, gorjeio quebrado
em canto nem sempre sensato
perdido na névoa de um lamento.


Vastidão

Corro pela vastidão dos sonhos
sou parceira do vento e das estrelas,
entrego-me ao canto e ao riso
e um grito de espanto percorre-me o corpo.

Voo, plena pela vastidão do espaço.
Amarro um grito na garganta,
prolongo a memória na penumbra do tempo
e me dou inteira aos sentimentos.

 

Bonita

 

Se há momentos

em que me adjetivam bonita,

é que Amor de mim emana.

Profunda,

a emoção ilumina

e até a lágrima

é esperança de rima.

 

 

Apenas

 

Sou apenas palavras soltas

no silêncio de minhas

paredes rotas.

Palavras que na sombra desprotegida

de trôpegos segredos

são desassossego não desejado
no coração e na memória.

 

 

BOLIVIA, KoriNoturnidades. Poesia. Brasília, DF: Thesaurus Editora, 2016.  110 p. 13x18 cm. Apresentação de Anderson Braga Horta. Contracapa por Oleg Almeida. ISBN 978- 85- 409-0405-7 

 

         ¿¡AÑORANZA?!

        Se reconoce la ausencia
        por el silencio,
        por la gota que olvidada
        humedece la mirada,
        una mirada inerte
        que se choca
        con la nada.

                                06-12-2000

 

          HÁ QUEM…

        Há que, no silêncio da morte,
         sussurre segredos escondidos do além.

         Há quem, no silêncio da morte,
         escancara as janelas da alma e assim se mantém.

         Há que, na alegría da sorte,
         chore os sonhos enterrados, também.

         Há que, na alegría da sorte,
         invente caminos debruçado na madrugada que vem.

         Há quem, no burburinho da vida,
         apunhala a melodía do olhar que não tem.

         Há quem, no burburinho da vida,
         pense que é grão de areia na Praia de ninguém.

         Há quem, no vivém da vida,
         não sabe o valor que a vida tem.

                                               27.07.2001

 

         PAISAGEM REPETIDA

        Navegante da bruma,
         do silêncio, do tempo,
         afogado no mar de pétalas
         vermelhas que caíram
         das rosas não recebidas,
         não enviadas,
         não sentidas.
         Navegante da manhã nostálgica,
         da melancólica ausencia,
         insubmissa figura
         na Praia repetida.

                                      12-12-2001

                           

 

 

Página publicada em agosto de 2010; página publicada em novembro de 2016.

 

 

 

 

Voltar para o topo da página Voltar para a página da Bolivia

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar