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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




ALFONSINA STORNI

Alfonsina Storni (1892-1938). Seus primeiros livros de poemas foram La inquietud del Rosal, El dulce daño e Irremediablemente. Entre outros livros, destacam-se entre suas obras Ocre), El Mundo de Siete Pozos e Mascarilla y trébol. Embora nascida no estrangeiro, viveu desde criança na Argentina, onde morreu lançando-se ao mar.

TEXTO EN ESPAÑOL y/e TEXTO EM PORTUGUÊS

 

BEM PODE SER

 

          Tradução de José Jeronymo Rivera

 

Bem pode ser que tudo o que em meu verso hei sentido

Não seja mais que aquilo que nunca pôde ser,

Não seja mais do que algo vedado e reprimido

De família em família, de mulher em mulher.

 

Dizem que nos solares dos meus, sempre medido

Estava tudo aquilo que se tinha a fazer...

Silenciosas dizem que as mulheres hão sido

Em meu materno lar. Ah, sim, bem pode ser...

 

Às vezes minha mãe terá sentido o anseio

De liberar-se, e logo viu subir-lhe do seio

Uma funda amargura, e na sombra chorou.

 

E tudo de mordaz, vencido, mutilado,

Tudo o que se encontrava em sua alma guardado,

Creio que sem querer fui eu quem libertou.

 

 

BIEN PUDIERA SER...

 

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido

No fuera más que aquello que nunca pudo ser,

No fuera más que algo vedado y reprimido

De familia en familia, de mujer en mujer.

 

Dicen que en los solares de mi gente, medido

Estaba todo aquello que se debía hacer...

Dicen que silenciosas las mujeres han sido

De mi casa materna... Ah, bien pudiera ser...

 

A veces en mi madre apuntaron antojos

De liberarse, pero se le subió a los ojos

Una honda amargura, y en la sombra lloró.

 

Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,

Todo eso que se hallaba en sua alma encerrado,

Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.

 

DUAS TRADUÇÕES DE OSVALDO ORICO

 

 

 

TU ME QUERES CASTA...

 

Tu me queres alva,

me queres de espuma,

me queres de nácar,

que seja açucena

mais casta que todas.

De perfume suave;

corola fechada.

Nem raio de lua

filtrado me toque.

Nem a margarida,

seja minha irmã.

Tu me queres nívea,

tu me queres branca,

tu me queres casta.

 

Tu, que as taças todas

já tiveste à mão.

Os lábios corados

de frutos e mel.

Tu, que no banquete

coberto de pâmpanos,

as carnes gastaste

festejando a Baco.

Tu, que nos jardins

escuras do engano,

lascivo e vermelho

correste ao abismo.

 

O’ tu, que o esqueleto,

não sei por que graça

ou por que milagre

conservas, intacto,

só me queres branca,

(que Deus te perdoe!)

só me queres casta,

(que Deus te perdoe!)

só me queres alva.

 

Foge para o bosque,

vai para a montanha,

purifica a boca,

vive na humildade.

Segura com as mãos

a terra orvalhada.

Alimenta o corpo

de raiz amarga.

Bebe a água das rochas

dorme sobre a geada,

renova os tecidos

com salitre e água.

Conversa com os pássaros,

lava-te na aurora.

E já quando as carnes

ao corpo te voltem.

E quando hajas posto

nos carnes a alma

que, pelas alcovas,

ficou enredada.

Então,—homem puro,—

pretende-me nívea,

pretende-me branca,

pretende-me casta.

 

 

A SÚPLICA

 

Senhor, Senhor, há muito tempo, um dia,

sonhei o amor, como ninguém houvera

inda sonhado, amor que fosse e que era

a vida toda todo uma poesia.

 

Passa o inverno e esse amor não chegaria,

passaria também a primavera;

o verão persistente volveria

e o outono, ainda me encontra à sua espera.

 

Ó Senhor, sobre minha espádua nua,

faze estalar, por mão que seja crua,

o látego que mandas aos perversos!

 

Que já anoitece sobre minha vida

e esta paixão ardente e desmentida

eu a gastei, Senhor, fazendo versos! 

 

 

^^Vejam o cartaz e um vídeo com a atriz Gelly Saigg com texto de Alfonsina..  VEAN EL POSTER Y UM VIDEO CON LA ACTRIZ GELLY SAIGG CON UN TEXTO DE ALFONSINA...^^

http://espetaculovestidademar.blogspot.com/

 

 

VESTIDA DE MAR

Direção:Ricardo César

Com Gelly Saigg

Dramaturgia e Direção:Ricardo César

Texto, Pesquisa e Tradução: Marcus Mota

 

 

 

 

TRADUÇÃO DE IVO BARROSO

 

 

Súplica

 

Señor, Señor, hace ya tiempo, un día,

Soñé un gran amor como jamás pudiera

Soñarlo nadie; algún amor que fuera

La vida toda, toda la poesía.

 

Y pasaba el invierno e no venía

Y volvía a llegar la primavera,

Y el verano de nuevo persistía

Y me hallaba el otoño con mi espera.

 

Señor, Señor, mi espalda está desnuda;

Hay retallos allí con mano ruda

Del látigo que sangras a los perversos...

 

Que está la tarde ya sobre mi vida
Y esta pasión ardiente y desmedida
la he perdido, Señor, haciendo versos!...

 

 

Súplica

 

Senhor, Senhor, há muito tempo, um dia,

Um grande amor sonhei, que não pudera

Ninguém sonhar igual, um amor que era

A minha vida inteira de poesia.

 

Passava o inverno e, entanto, o amor não via;

E tornava a chegar a primavera,

O verão novamente aparecia

E o outono vinha me encontrar à espera.

 

Senhor, Senhor, meus ombros desnudados

Deixam-vos ver os golpes retalhados

Que ali deixaram látegos perversos...

 

E tomba a tarde já na minha vida!

E essa paixão ardente e desmedida,

Eu a perdi,' Senhor, fazendo versos!...

 

 

 

Silencio 

Un día estaré muerta, blanca como la nieve, 
dulce como los sueños en la tarde que llueve. 

Un día estaré muerta, fría como la piedra, 
quieta como el olvido, triste como la hiedra. 

Un día habré logrado el sueño vespertino, 
el sueño bien amado donde acaba d camino. 

Un día habré dormido con un sueño tan largo 
que ni tus besos puedan avivar el letargo. 

Un día estaré sola, como está la montaña 
entre el largo desierto y la mar que la baña. 

Será una tarde llena de dulzuras celestes, 
con pájaros que callan, con tréboles agrestes. 

La primavera, rosa, como un labio de infante, 
entrará por las puertas con su aliento fragante. 

La primavera rosa me pondrá en las mejillas 
—¡la primavera rosa!— dos rosas amarillas... 

La primavera dulce, la que me puso rosas 
encarnadas y blancas en las manos sedosas. 

La primavera dulce que me ensebara a amarte, 
la primavera misma que me ayudó a lograrte. 

¡Oh la tarde postrera que imagino yo muerta 
como ciudad en ruinas, milenaria y desierta! 

¡Oh la tarde como esos silencios de laguna 
amarillos y quietos bajo el rayo de luna! 

¡Oh la tarde embriagada de armonía perfecta: 
cuán amarga es la vida! ¡Y la muerte qué recta! 

La muerte justiciera que nos lleva al olvido 
como al pájaro errante lo acogen en el nido. 

Y caerá en mis pupilas una luz bienhechora, 
la luz azul celeste de la última hora. 

Una luz tamizada que bajando del cielo 
me pondrá en las pupilas la dulzura de un velo. 

Una luz tamizada que ha de cubrirme toda 
con su velo impalpable como un velo de boda. 

Una luz que en el alma musitará despacio: 
la vida es una cueva, la muerte es el espacio. 

Y que ha de deshacerme en calma lenta y suma 
como en la playa de oro se deshace la espuma. 

Oh, silencio, silencio... esta tarde es la tarde 
en que la sangre mía ya no corre ni arde. 
Oh, silencio, silencio... en torno de mi cama 
tu boca boca amada dulcemente me llama. 

Oh silencio, silencio que tus besos sin ecos 
se pierden en mi alma temblorosos y secos. 

Oh silencio, silencio que la tarde se alarga 
y pone sus tristezas en tu lágrima amarga. 

Oh silencio, silencio que se callan las aves, 
se adormecen las flores, se detienen las naves. 

Oh silencio, silencio que una estrella ha caído 
dulcemente a la tierra, dulcemente y sin ruido. 

Oh silencio, silencio que la noche se allega 
y en mi lecho se esconde, susurra, gime y ruega. 

Oh silencio, silencio... que el Silencio me toca 
y me apaga los ojos, y me apaga la boca. 

Oh silencio, silencio... que la calma destilan 
mis manos cuyos dedos lentamente se afilan...

 

            Silêncio 
                     
                    Tradução de Antonio Miranda*

          Um dia estarei morta, branca como a neve,
          Doce como os sonhos na tarde que chove.

          Fria como a pedra um dia morta estarei
          Quieta como o olvido, triste hera eu serei.

          Um dia o sonho vespertino terei logrado
          Onde acaba o caminho, o sonho bem amado.

          Um dia terei dormido com um sonho tão largo
          que beijos possam avivar o letargo.

          Um dia estarei sozinha, como a montanha
          Entre o largo deserto e o mar que a banha.

          Será uma tarde cheia de doçuras celestes
          Com pássaros que emudecem, com trevos agrestes.
 
          A primavera, rosa, com um lábio de infante,
          Entrará pelas portas com seu alento fragrante.

          A primavera rosicler nas maçãs de meu rosto
          Duas rosas amarelas haverá então posto...

          A primavera doce , a que me pôs rosas
          Encarnadas e brancas nas mãos sedosas.

          A primavera doce que me ensinara a amar-te,
          A primavera mesma que me ajudou a conquistar-te.

          Oh, a tarde derradeira sendo eu morta imaginária
          Como cidade em ruínas, deserta e milenária!

Oh, a tarde em silêncio de lagoa se situa
como sob os quietos e amarelos raios da lua!

Oh, a tarde embriagada de harmonia correta:
Quão amarga é a vida! E a morte que reta!

A morte justiceira ao olvido nos leva
Como o pássaro errante ao ninho se eleva...

E cairá em minhas pupilas uma luz benfeitora,
A luz azul celeste da derradeira hora.

Uma luz tamisada que descendo do céu
porá nas minhas pupilas a doçura de um véu.

Uma luz que na alma sussurrará em compasso:
A vida é uma cova, a morte é o espaço.

E que me desfaça (em calma lenta) e resuma,
Como na praia de ouro se desfaz a espuma.

Oh, silêncio... silêncio... esta tarde é a tarde
Em que meu sangue já não corre ou arde.

Oh silêncio, silêncio... em torno de minha cama
Tua boca bem amada docemente me chama.

Oh silêncio, silêncio que teus beijos sem ecos
Se perdem em minha alma trêmulos e secos.

Oh silêncio, silêncio em que a tarde se alarga
E põe suas tristezas em tua lágrima amarga.

Oh silêncio, silêncio que uma estrela caiu
Docemente na terra, calma e docemente ruiu.

Oh silêncio, silêncio que a noite se entrama
E em meu leito se esconde, sussurra, geme e clama.

Oh silêncio, silêncio... que o silêncio me toca
E me apaga os olhos e me apaga a boca.

Oh silêncio, silêncio... que em calma destilam
Minhas mãos cujos dedos lentamente perfilam.
         

     

*Tradução feita por Antonio Miranda quando vivia em Caracas na década de 60 do século passado.


ARIAS DE LA CANAL, Fredo, org.  Veinte poemas para Alfonsina.  Ciudad de México:          Frente de Afirmación Hispanista, A. C., 2016.  40 p.  14x21 cm.  Ex. bibl. Antonio Miranda

"Alfonsina Sorni (1892-1938), en su poema cósmico Crepúsculo de su libro Mundo de siete pozos, presintió que algún día regresaría al mar."  FREDO ARIAS DE LA CANAL

 

        CREPÚSCULO

        El mar inmóvil,
        desprendido de sus mandíbulas,
        exhala un alma nueva.

        No tiene fondo,
        buques hundidos,
        almas, abrazadas
        a sus algas.

        Recién nacido,
        la cara de Dios,
        pálida,
        lo mira.

        Buques no la escribieron.
        Hombres no lo descifraron.
        Peces no lo pudrieron.

        Baja a buscarlo
        el sol,
        precipitandose en llamas
        entre bosque violáceos,
        y al tocarle la frente
        abre puertas de oro
        que calan — túneles —
        espacios desconocidos.
        Escalinatas lentas
        descienden al agua
        y llegan, desvanecidas,
        a mis pies.
        Por ellas
        ascenderé
        un día
        hasta internarme
        más allá del horizonte.

        Paredes de agua
        me harán cortejo

        en la tarde
        resplandeciente.
       

       

        CREPÚSCULO*

        O mar imóvill,
        desprendido de suas mandíbulas,
        exala uma alma nova.

        Não tem fundo,
        barcos afundados,
        almas, abraçadas
        às suas algas.

        Recém nascido,
        a cara de Deus,
        pálida,
        fita-o.

        Barcos não a descreveram.
        Homens não a decifraram.
        Peixes não a apodreceram.

        Desce para busca-lo
        o sol,
        precipitando-se em chamas
        entre bosques violáceos,
        e ao tocar-lhe a face
        abre portas de ouro
        que calam — túneis —
        descem a água
        e chegam, desvanecidas,
        aos meus pés.
        Por elas
        ascenderei
        um dia
        até internar-me
        muito além do horizonte.

        Paredes de água
        vão me cortejar

        na tarde
        resplandescente.

 
                 (Tradução de Antonio Miranda, em 2017)

 

Página ampliada e republicada em julho de 2017

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