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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


PAULO MENDES CAMPOS  

 

Nasceu em Belo Horizonte em 1922 e faleceu 1991. Poeta e cronista, dos mais notáveis das letras brasileiras. Merece ser relido sempre pelas novas gerações pela qualidade de seus textos. Aqui vai apenas uma pequena mas significativa mostra de seu enorme talento: dois poemas escolhidos de seu livro Testamento do Brasil e O Domingo Azul do Mar , publicado pela Editora do Autor, em 1996, no Rio de Janeiro.

 

 

SENTIMENTO DO TEMPO

 

Os sapatos envelheceram depois de usados

Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados

E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés.

As coisas estavam mortas, muito mortas,

Mas a vida tem outras portas, muitas portas.

Na terra, três ossos repousavam

Mas há imagens que não podia explicar: me ultrapassavam.

As lágrimas correndo podiam incomodar

Mas ninguém sabe dizer por que deve passar

Como um afogado entre as correntes do mar.

Ninguém sabe dizer por que o eco embrulha a voz

Quando somos crianças e ele corre atrás de nós.

Fizeram muitas vezes minha fotografia

Mas meus pais não souberam impedir

Que o sorriso se mudasse em zombaria

Sempre foi assim: vejo um quarto escuro

Onde só existe a cal de um muro.

Costumo ver nos guindastes do porto

O esqueleto funesto de outro mundo morto

Mas não sei ver coisas mais simples como a água.

Fugi e encontrei a cruz do assassinado

Mas quando voltei, como se não houvesse voltado,

Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso.

Meus pássaros caíam sem sentidos.

No olhar do gato passavam muitas horas

Mas não entendia o tempo àquele tempo como agora.

Não sabia que o tempo cava na face

Um caminho escuro, onde a formiga passe

Lutando com a folha.

O tempo é meu disfarce.

 

 

O MORTO

 

Por que celeste transtorno

tarda-me o cosmo do sangue

o óleo grosso do morto?

 

Por que ver pelo meu olho?

Por que usar o meu corpo?

Se eu sou vivo e ele morto?

 

Por que pacto inconsentido

(ou miserável acordo)

Aninhou-se em mim o morto?

 

Que prazer mais decomposto

faz do meu peito intermédio

do peito ausente do morto?

 

Por que a tara do morto

é inserir sua pele

entre o meu e o outro corpo.

 

Se for do gosto do morto

o que como com desgosto

come o morto em minha boca.

 

Que secreto desacordo!

ser apenas o entreposto

de um corpo vivo e outro morto!

 

Ele é que é cheio, eu sou oco.

 

DJANIRA - últimas pinturas e gravuras
 - Paulo Mendes Campos - poemas.
           
Apresentação Paulo de Aquino.
Rio de Janeiro: Editora Fontana, 1980.
formato  35 x 50 cm  capa dura
ex. n. 983        c/ autógrafo de poeta.

DJANIRA -

 

CANTIGA PARA DJANIRA

O vento é o aprendiz das horas lentas,
traz suas invisíveis ferramentas,
suas lixas, seus pentes finos,
cinzela seus cabelos pequeninos,
onde não cabem gigantes contrafeitos,
e, sem emendar jamais os seus defeitos,
já rosna descontente e guaia
de aflição e dispara à outra praia,
onde talvez enfim possa assentar
seu momento de areia — e descansar.


TEMPO-ETERNIDADE

O instante é tudo para mim que ausente
do segredo que os dias encadeia
me abismo na canção que pastoreia
as infinitas nuvens do presente.

Pobre de tempo fico transparente
à luza desta canção que me rodeia
como se a carne se fizesse alheia
à nossa opacidade descontente.

Nos meus olhos o tempo é uma cegueira
e a minha eternidade uma bandeira
aberta em céu azul de solidões.

Sem margens sem destino sem história
o tempo que se esvai é minha glória
e o susto de minh´alma sem razões.

 

NESTE SONETO

Neste soneto, meu amor, eu digo,
um pouco à moda de Tomás Gonzaga,
que muita coisa bela o verso indaga,
mas poucos belos versos eu consigo.
Igual à fonte escassa no deserto,
minha emoção é muita, forma, pouca.
Se o verso errado sempre vem-me à boca,
só no meu peito vive o verso certo.
Ouço uma voz soprar à frase dura
umas palavras brandas, entretanto,
não sei caber as falas de meu canto,
dentro da forma fácil e segura.
E louvo aqui aqueles grandes mestres
das emoções do céu e das terrestres.
 

 

DJANIRA -

CAMPOS, Paulo MendesAntologia poética. Ilustrada com 5 águas-fortes de Djanira.   Rio de Janeiro:  Fontana Expressão e Cultura, 1978.  55 p.  25,5x25,5 cm.      Direção: Edson Avellar da Silva.  Tiragem; “100 exemplares numerados de 1 a 100, 10 coleções de provas de artista para uso do gravador, todos assinados pelo poeta”. Impresso nas oficinas do Museu de Armas Ferreira da Cunha, papel de fabricação nacional Klabin, tipo craft, composição em linotipo da Compositora Helvética Ltda,, e estojos confeccionados pela Brindes e Encadernações Lucro Ltda.  Os calcogramas de Djanira assinados pela autora.  Exemplar n. 51.  Col. A.M.  (LA)

 

CAMPOS, Paulo Mendes.  A palavra escrita.  Niterói, RJ: Edições Hipocampo, 1951.  s.p.  15,5x24 cm.  14 cadernos soltos de duas folhas dobradas cada um, com poemas, de papel Ingres Ecoles, protegidas por uma capa de papel especial em forma de envelope. Uma gravura ponta-seca original de Athos Bulcão (ex. 34/70) na Col. A.M. No colofão informa que “tiraram-se centro e vinte e seis exemplares, em papel Ingres, autenticada pelo autor: de 1 a 100 para os subscritores, de I a XX para o poeta, de A a F para os editores Geir Campos e Thiago de Mello”.  Poemas: Neste soneto; Marinha; No verão; A festa; Brasão; Sentimento do tempo; Três coisas; O tempo; tempo-eternidade; Soneto de paz; It’s better to be happy (apenas o título em inglês); A uma bailarina; Despede seu pudor; Renascimento; Poema de dezembro; Poema indivisível; Domingo em Paris; Um poeta no mundo; Um dia de homem; Amor condusse noi ad una morte (poema em português); Rural; A morte; Em noite tropical; O suicida; Os lados; Sonho de uma infância; Translúcido; Hino à vida; Em Belo-Horizonte; Poema de Paris; O bêbado; A pantera; Canção romântica; Cântico a Deus; O homem da cidade; O visionário. Col. A.M.( LA)

 

Dois poemas do livro:

 

NESTE SONÊTO

Neste soneto, meu amor, eu digo,
Um pouco à moda de Tomás Gonzaga,
Que muita coisa bela o verso indaga
Mas poucos belos versos eu consigo.
Igual à fonte escassa do deserto,
Minha emoção é muita, a forma, pouca.
Se o verso errado sempre vem-me à boca,
Só no meu peito vive o verso certo.
Ouço uma voz soprar à frase dura
Umas palavras brandas, entretanto,
Não sei caber as falas de meu canto
Dentro de forma fácil e segura.
          E louvo aqui aqueles grandes mestres
          Das emoções do céu e das terrestres.

 

O TEMPO

Só no passado a solidão é inexplicável.
Tufo de plantas misteriosas o presente
Mas o passado é como a noite escura
Sôbre o mar escuro

Embora irreal o abutre
É incômodo meu sonho de ser real
Ou somos nós aparições fantasiosas
E forte e verdadeiro o abutre do rochedo

Os que se lembram trazem no rosto
A melancolia do defunto

Ontem o mundo existe

O agora é a hora da nossa morte

 

 

 

 

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