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Foto: http://www.atelie.com.br/
ÁLVARO CARDOSO GOMES
Álvaro Cardoso Gomes (Batatais, 28 de março de 1944) é um crítico literário, ensaísta, romancista e poeta brasileiro.
É formado em Letras pela USP, onde se tornou professor titular de Literatura Portuguesa. Especializou-se na literatura do final do século e em poesia e romance contemporâneo. Lecionou as cadeiras de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley e no Middlebury College e fez várias pesquisas em Portugal e nos Estados Unidos.
Suas obras A hora do amor, Para tão longo amor, O diário de Lúcia Helena e outras têm como cenário a cidade de Americana, onde passou a adolescência. Atualmente (2018) mora em São Sebastião (São Paulo).
É autor de diversos livros juvenis, além de livros de poesia, de contos, romances para adultos (entre eles O sonho da terra, que recebeu o Prêmio Bienal Nestlé) e obras acadêmicas. É também crítico literário e leciona atualmente no programa de pós-graduação da Universidade São Marcos, onde foi pró-reitor de graduação (2001-2003).
Veja a bibliografia do autor em https://pt.wikipedia.org/wiki
O PRISMA DE MUITAS CORES. Poesia de Amor portuguesa e brasileira. Organização Victor Oliveira Mateus. Prefácio Antônio Carlos Cortes. Capa Julio Cunha. Fafe: Amarante: Labirinto, 2010 207 p. Ex. bibl. Antonio Miranda
Palavras ao Coração
Nem sempre nos lembramos de dizer
0 que havia de ser dito,
Por inércia,
Por inaptidão,
Pelos temores dos compromissos.
Deixamos que o vento
Nos leve, antes de enunciadas,
As palavras.
As imprevistas,
Nascidas nos interstícios
Do dia-a-dia,
Meros sibilos, sopros,
Grãos de areia,
Em meio à infinitude das algaravias.
Deixamos de dizer e morremos
A cada passo,
Sem que
Nossa flor de sangue
Seja ferida
Pela aguda seta.
E ficamos tão sós,
Mudos para nós mesmos:
Feito espectros
Num espelho em que a ferrugem do tempo
Só desenhou sombras.
ANTOLOGIA SELVAGEM: UM BESTIÁRIO DA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA/ Alexandre Bonafim, Claudio Daniel e Fábio Júlio (org.) - Franca, SP: Cavalo Azul, 2025. 372 p. ISBN 978-65-83644-11-4
Exemplar da biblioteca de SALOMÃO SOUSA.
Morcego
Quand le ciel base et lourd pèse comme un couvercle
Quando o céu é escuro e sujo
Como a loja de um Antiquário,
Não há mais em meu coração
Nem alegrias e nem esperanças.
Quando o tempo é como um lago,
Cujas águas geladas
Há muito, estão mudas e paradas,
Vejo a Esperança como uma velha enrugada.
Quando os cabelos da noite
São mais brancos que a neve
Ou tão frágeis como as folhas secas,
Ouço os gritos das desesperadas árvores.
Eu não queria ser
Como um solitário morcego
Batendo as feridas asas
Contra as paredes,
E esperando em vão
Pelo bafo quente da noite.
*
Página ampliada e republicada em fevereiro de 2026.
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http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sao_paulo/sao_paulo.html
Página publicada em janeiro de 2021
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