MARDSON SOARES – DARIO SILVA
Nasceu em Bom Jesus (Piauí, Brasil), em 13 de setembro de 1992. Diplomado em Direito pela Universidade Católica de Brasília. Poeta, Cronista e Autor de Literatura para a Infância. Advogado. Servidor Público. Pertence à Associação Nacional de Escritores - ANE, sediada em Brasília-DF. Presidente e Cofundador da Academia de Letras, Artes e Ciências do Sudoeste, Octogonal e SIG – Acados (sede na RA XXII do Distrito Federal).
Há poemas seus em jornais, revistas e sítios literários do Brasil, de Portugal, de Angola, de Moçambique e de Cabo Verde.
Ex:. Subversa, InComunidade, Txon, mallarmargens, Jornal Plástico Bolha, Mbenga, Ruído Manifesto, Revista Literária Pixé, Tyrannus Melancholicus, Jornal da ANE, Correio Braziliense, Reanimando as Letras, Jornal Mundo Jovem, Festival de Poesia de Lisboa, Palavra & Arte, dentre outros.
Livros publicados:
Fabrício, poemas de Dario Silva (Patuá, São Paulo, 2018);
Roma Romã (Edição independente, Brasília, 2024);
Vai o vento em todo agora (Caravana, Ouro Preto, 2024).
Selecionado na categoria "Poesia" pelo trabalho "Ao Piauí, as enrribas!" para participar da 9ª edição do festival Bienal da UNE, em 2015
Ao Piauí, as enrribas!
I
Ao Piauí, as enrribas!
São tuas, brasas fogosas,
As vistas quietadas e rubras
Dos céus tomadas airosas
Costadas das serras maturas
Ao Piauí, as enrribas!
Dos ribeiros surgidos, cativadas
Enamoradas das serras eivadas
Tal tríade, oh serras, prostituídas!
De brasas ou rios indecididas
Ao Piauí, as enrribas!
Açoitam as águas ao Norte
Que bojo, oh terra, querias
Cuspido arriba consorte
Oh, Delta, rumado esfatias
Ao Piauí, as enrribas!
Morada barrosa teu rio
Ao Sul ante o Parnaíba
Cortada abaixo, Ovil
Tinhosa, terra, caraíba
II
Ao Piauí, as enrribas!
Jamão rumou-se dali
E deixou sua Rosa, desflorescida
Do peito a saudade crescida
Que vistas teriam, Piauí
Ao Piauí, as enrribas!
Jamão, a visão se lhe opunha
Que praguejo dissera, Quitéria
- Viçosa, Jamão, a pupunha
Que miséria, Deus, que miséria
Ao Piauí, as enrribas!
- Vai-te, Jamão, e não te olvides
De tua fralda e de tua rapadura
Pr'outro lado, que alivia a quentura
Donde não racha a terra dura
Ao Piauí, as enrribas!
Paga teu rosário, e vai-te
Dai a benção a Ioiô
E a tua madrinha, e vai-te
Dai a benção a Ioiô...
III
Ao Piauí, as enrribas!
À vista um fraquejo, tontura
Os olhos não clareia a Lua
De céus de estrelas, amargura
Asfalto e cimento desnua
Ao Piauí, as enrribas!
Jamão padeceu do ofício
Que labuta mealhar um trocado
Chinelos pros pés, sacrifício
Que pranto, que riso forçado
Ao Piauí, as enrribas!
Nem o canto dos mesmos vestruzes
Dali que tão grande, posta matéria
Nem o gosto, os mesmos cuscuzes
Que miséria, Deus, que miséria
Ao Piauí, as enrribas!
Nem o cheiro dos mesmos mastruzes
Dali que tão grande, posta matéria
Nem os rios, os mesmo afuses
Que miséria, Deus, que miséria
Mardson Soares
DARIO SILVA
DARIO SILVA é heterônimo de Mardson Soares.
Dario Magalhães Sucupira Barradas Lima e Silva (Brasília, DF, 1992- ) nasceu entre os pilotis e o verde da 308 Sul. Prestou vestibular para Geografia, na Universidade de Brasília, qual obteve aprovação. Todavia, abandonou o curso no 2º período, para dedicar-se à profusão poética.
Seus avós paternos vieram do Piauí, seus avós maternos, do Rio. Sua formação elementar das letras nacionais trespassou, dentre outros autores, sob as leituras de Antonio Francisco da Costa e Silva, Francisco Gil Castelo Branco, Mário Faustino e Torquato Neto, por seu ramo paterno; Manuel Bandeira, Drummond, Cecília Meireles, Olavo Bilac e Raul Bopp, por seu ramo materno.
Tem alguns poemas publicados em revistas literárias, como a luso-brasileira Subversa e a revista brasileira Madame Eva.
ANTÃO
Amo-te, Antão, as tuas coxas!
Louvou-te meu olhar de afetação
No balanceio imodesto das pregas
Quão justas, as tuas, varão!
Amo-te, Antão, as tuas coxas!
Se pelicas, ou se espichas às cegas
Uma fitada ordenada atravesso
Como se apalmasse a visão
Amo-te, Antão, as tuas coxas!
Nem um riso, desaviso compresso
Nem um passo, antevista cisão
Furta a mirada da compostura
Amo-te, Antão, as tuas coxas!
Que bem afazeres, se te amado
Mas tão mais rija e formosura
Que o amar se defraudado
Amo-te, Antão, as tuas coxas!
Bem quis mirar o mais íntimo
Mas tão mais rija e formosura
Que cedeu o amar ao ânimo
[Poema extraído de: http://www.canalsubversa.com]
Poema presente no Livro Fabrício, poemas de Dario Silva
E na edição impressa n.5 da Revista Madame Eva.
Capa do livro Fabrício, poemas de Dario Silva (2018).
Imagem da capa: Obra de Cheo Gonzalez
Prefácio: Kori Bolivia
Fotografia: Javier Matta
Recital: Noélia Ribeiro e Roberto Medina
Apresentação Musical: Marcos Cabrera
Lançamento, 11 de dezembro de 2018
Ernesto Cafés Especiais da 108 Norte
Dario Silva
Damásio
(Diálogo)
I
Que Varão te degusta a carne, Helena?
E te paladeia o ventre, um glutão?
Que Rebento toda te garfa, pequena?
Té das sobras sacia, outro não?
Se Damásio te ofertasse de si
E de todo ruminasse de ti
Palitaria el’ o riso fugido
Do moço versado em fingido
Oh, Helena, te assombrarias!
Se acaso soubesses do fato
De Damásio querer das Marias
E se valer além, doutro ato
Que sabida não pranteasse
A sorte trazida do Afeto
Damásio é também o inverso
Oh, Helena, me cria morresse
Q’não querias Damásio de perto
Sabedora ser el’ um perverso
II
Oh, amigo, que a ti parece?
Damásio não mais só a mim estima?
O Rijo quedava comigo, tu crês?
Agora tão logo se vai, o cadimo
Damásio de outrem se apetece?
Cogito não tê-lo por sóbrio
Caso ébrio dele saibas – Oh, opróbrio!
Oh, amigo, não te emudeças!
III
Varoa, a mim me permite, que vejo
teu bojo carece! Não erro nele,
Helena! Que Damásio de pele
outra, pequena, encontra gracejo
IV
Amigo, que Moço! Que prenda!
Damásio não poupa contenda
Se a si vale a carne comida?
Que morro, minh’alma é despida!
V
Helena, não te faleças! Bojo algum
a Damásio consola! Pagão destemido
arremata outra coisa, com um
não contenta, moça, quer outro comido
VI
Que Rapagão meu moço se presta?
Buscar em outrem as delícias
Minha vista por ele suspira! Me resta
Que bocado de suas carícias?
VII
Helena, sê tola, varoa aviada!
O riso do Varão é furtivo
El’ não quer a ti desposada
Tomou outro rumo, o Altivo
23/10/2013
Sarau da luz vermelha 2026, Participação da Casa da Essência, Cruzeiro Velho-DF
Página atualizada 03/2026
Página publicada em julho de 2017