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Foto: Archivo CNL-INBA
RAFAEL VARGAS
Nació en la Ciudad de México el 24 de agosto de 1954. Poeta y ensayista. Estudió Comunicación en la FCPYS de la UNAM. Ha sido agregado FCE; jefe de publicaciones de la UAM y editor de Casa del Tiempo; coordinador de actividades culturales del Centro Cultural Mexicano de la sre en San Antonio, Texas; director de actividades culturales y subdirector general de Difusión Cultural de la uap; miembro de los consejos de redacción de Rehilete, Melodía y Nexos; miembro fundador del Taller de Poesía Sintética (TaPoSin), con quienes editó Sitios. Traductor literario de Rush Rhees, Charles Hasty, Ezra Pound, John Berryman y Charles Simic. Colaborador de Artes de México, Biblioteca de México, Casa del Tiempo, Crónica Dominical, Cultura, Desfiladero, El Ángel, El Gallo Ilustrado, El Rehilete, Imagen, Ínsula, La Cultura en México, La Gaceta del fce, La Jornada Semanal, La Orquesta, La Semana de Bellas Artes, México en el Arte, Nexos, Pauta, Periódico de Poesía, Proceso, Revista Iberoamericana, Revista Universidad de México, Sábado, Sí, Último Reino, y Vuelta. Becario del Programa Internacional de Escritores de Iowa, 1980, 1977; y del Fideicomiso para Cultura México/Estados Unidos, 1995. Miembro del snca desde 1997.
Obra de consulta: Catálogo biobibliográfico de la literatura en México
POESIA SEMPRE - ANO 9 – NÚMERO 15 – NOVEMBRO 2001. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2001. 243 p. ilus. col. Editor Geral: Marco Lucchesi. Ex.bibl. Antonio Miranda
Sol de Capricórnio
O sangue atira seus dados ao Sul.
A graça de outra pronúncia, o aprendizado
de outros nomes, a doçura
de outro idioma em que o beijo guarda um largo acento.
Mais do que se viu, o que ainda está por vir:
caminhos, comidas, costumes, o visível ilude,
giros de paraíso desperdiçados, nações que surgiram truncadas,
novos círculos do inferno, milagres por vir...
O Sul: grande oratório de sol, aridez e umidade, que cobrem a alma.
Hei de chegar um dia a Salvador da Bahia?
Hão de sorrir as negras luminosas do Mercado Modelo?
Hão de provar meus passos as areias de Atacama?
Centelhas de pisco e caipirinha
rubras pimentas da serra sobre uma posta de peixe espessas substâncias se dissolvem no vatapá...
Vida breve, continente sem-fim, meu apetite redobra a tua beleza.
Trad. Lauro Ribeiro
O que me disse a poesia
Sou a mão
a extensão da espada
e o fruto vermelho da ferida
Trad. Lauro Ribeiro
BESTIARIO INMEDIATO – muestra de poesia mexicana contemporânea. Prólogo y compilación César Arístides. Ciudad de México: Ediciones Coyoacán, 2000. 129 p. +7 hojas. 13x21 cm. ISBN 970-633-171-9
N. 06 235 Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
TEXTO EN ESPAÑOL
ARMA PARA EL DESTINO
para Eduardo Lizalde
tigre mayor
dice el documental:
la mayor arma de caza del tigre
es su cerebro
que rige el finísimo olfato
el oído aguzado
la mirada infalible
que determina
la distancia que lo separa de su presa
sinónimo de la hermosura de las bestias
no quedan ya en el planeta
sin embargo
más que seis o siete mil ejemplares
su fortuna es
como la de la poesía
más aislada cada vez
cada vez más rara
desaparecer de un mundo
que no soporta la belleza
MENELAO MIRA UNA MOSCA
durante horas menelao
fija su vista en el muro.
sólo el fino temblor de una oreja
delata que no es una escultura
(una de esas figuras
que uno ve en algunas tiendas
y sólo puede imaginar
en casa de una solterona)
inmóvil también,
metro y medio arriba,
la mosca, impávida, dormita
se diría, sin embargo,
que mutuamente se escudriñan,
que se desafían con las miradas
(menelao abajo
héctor arriba
el sol lanzando destellos
en lo alto de la muralla)
el batir de alas acusa que despierta.
menelao yergue la cola
como si blandirá una lanza
antes de saltar,
como capitán presto a la aventura,
se atusa los bigotes.
se diría que mentalmente
va cerrando a su presa las salidas.
es un relámpago el gato,
la mosca es mosca perdida
TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS
UMA ARMA PARA O DESTINO
para Eduardo Lizalde
tigre maior
O documentário diz:
A maior arma de caça do tigre
é o seu cérebro,
que governa o seu olfato aguçado, a sua audição apurada e o seu olhar infalível,
que determina
a distância que o separa da sua presa.
Sinônimo da beleza das feras,
já não restam exemplares no planeta.
No entanto,
mais de seis ou sete mil espécimes ainda permanecem.
O seu destino é
como o da poesia,
cada vez mais isolado,
cada vez mais raro,
desaparecendo de um mundo
que não suporta a beleza
MENELAU OBSERVA UMA MOSCA
Por horas, Menelau
fixa o olhar na parede.
Apenas o leve tremor de uma orelha
revela que ele não é uma escultura.
(Uma daquelas figuras
que se vê em algumas lojas
e que só se pode imaginar
na casa de uma solteirona.)
Também imóvel,
um metro e meio acima,
a mosca, destemida, cochila.
Diríamos, no entanto,
que eles se examinam mutuamente,
que se desafiam com seus olhares.
(Menelau embaixo,
Heitor em cima,
o sol brilhando
no topo da parede.)
O bater de asas indica que ele está despertando.
Menelau ergue a cauda
como se brandisse uma lança
antes de saltar,
como um capitão pronto para a aventura,
alisando os bigodes.
Diríamos que mentalmente
ele está bloqueando as rotas de fuga de sua presa.
O gato é um relâmpago,
a mosca é uma mosca perdida.
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Página ampliada em fevereiro de 2026
Página publicada em julho de 2019
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