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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




MÁRCIA CAVENDISH WANDERLEY

 

Nasceu em Recife e vive no Rio de Janeiro desde 1976. É autora de A Voz Embargada: Imagens de Mulher em Romances Brasileiros e Ingleses do Séc. XIX (EDUSP), de artigos em revistas e jornais, e de capítulos nos livros Mulher, Gênero e Sociedade (Elo Editora) e Literatura e Feminismo: propostas teóricas e reflexões críticas, (Ed. Relume-Dumara).

 

 É professora aposentada da graduação do Departamento de Sociologia da UFF e segue radicada à pós­graduação do mesmo Departamento onde leciona Sociologia da Literatura. Mestra em Sociologia, Doutora em Literatura Brasileira, realizou estudos de pós-doutorado nas Universidades de Yale e Montreal. Nos últimos três anos organizou e publicou três livros póstumos de Jorge Wanderley e participou da antologia Sete Vozes, organizada pela Editora da Palavra, quando aparece pela primeira vez como poeta.

 

Seu primeiro livro de poesias é O TERCEIRO JARDIM (Rio de Janeiro: Editora da Palavra, 2006), de onde extraímos os seguintes poemas:

 

 

 

WANDERLEY, Márcia CavendishO Terceiro jardim.  Rio de Janeiro: Editora da Palavra, 2006.   70 p.  14x21 cm.  ISBN 85-98348-07-4    Capa: imagem de Clara Cavendish.   “ Márcia Cavendish Wanderley “  Ex. bibl. Antonio Miranda

  

 

o terceiro jardim

 

para Romero

 

Não era primeiro nem segundo

dividia seus caminhos entre as rodas de patins

e o peito de um jovem pombo.

A Foto Fatal registrou a cena

da juventude a meio

entre paixões e ódios

que no jardim cavavam seus canteiros.

 

Futuro e mar em frente pareciam mansos,

coniventes.

Não foram ... mas embarcamos neles para sempre.

 

No terceiro jardim ficou o sonho

repetido agora a cada noite nos lençóis da cama

entre espumas marinhas e sargaços.

 

O Recife já morto e sufocado

na leveza desta areia e desta aragem,

na promessa da volta a esta praia.

Da Boa Viagem.

 

 

Corpo

 

O corpo é para estar deitado,

nesta redoma espessa que é a cama.

Aqui se encontra a vera forma

de quem ama.

 

Não dá para estar em pé, mas cercado

pelo dossel invisível

da sombra de um outro corpo,

que o cobre, imperceptível.

 

Este é o corpo ideal,

horizontal e vazio,

mas pleno do mais sagrado

veneno,

em prazer transfigurado.

 

 

Amor líquido

 

Um amor líquido me tantaliza.

Sua presença sólida me paralisa.

Escorre de meus dedos, é chumbo quente,

queima,

e deixa para sempre a marca

do ausente.

 

 

Amor líquido II

 

Um amor líquido escorre por meus dedos,

penetra em meu corpo lentamente,

e vai

até a fonte do meu bem.

Um amor chacal me prende em suas patas,

com garras afiadas rasga a fonte do meu mal.

Com ele atinjo meu prazer total.

 

 

Visitantes

 

Os visitantes do outono têm humores chuvosos.

Cinzentos me procuram e se instalam em minha cama.

Sinto meus pés molhados, meu coração encharcado,

mas contente.

 

Os visitantes do outono são gentis e falam baixo.

Não querem incomodar, mas incomodam.

Chegam muito lentamente e permanecem.

Por tempo indeterminado.

 

Quando o outono acabar vou conhecer o inverno

e seus hóspedes gelados.

Sempre mais úmidos, talvez mais ternos,

mas nunca quentes, como os dos verões passados.

Visitantes que hoje dormem

encantados.


Foto por Clara Cavendish
 


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