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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





ASTRID CABRAL


ASTRID CABRAL Félix de Sousa nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Adolescente ainda transferiu-se para o Rio de Janeiro, diplomando-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ, e mais tarde como professora de inglês pelo ­IBEU. Lecionou língua e literatura no ensino médio e na Universidade de Brasília onde integrou a primeira turma de docentes saindo em 1965, em conseqüência do golpe militar. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute. Rio e Chicago. Com a anistia, em 1988 foi  reintegrada à UnB. Ao longo de sua vida profissional desempenhou os mais variados trabalhos, fora e dentro da área culturaL Com a aposentadoria desde 1996 passou a dedicar-se exclusivamente à literatura e à família. Colabora em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos.  Publicou, entre outros, os livros: Alameda (contos), 1963, 2 ed., 1998; Ponto de cruz (poesia), 1979; Toma-viagem (poesia), 1981; Lição de Alíce(poesia), 1986; Visgo da terra (poesia), 1986; Rês desgarrada (poesia), 1994; De déu em déu (poesia) [reunião de 5 livros], 1998; Intramuros, 1998; Rasos d´água, 2003. Prêmio Olavo Bilac, de Poesia, da Academia Brasileira de Letras, e vários prêmios da UBE- RJ. Membro do PEN Clube do Brasil.

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL


Veja também>>> POÈMES EN FRANÇAIS

See also:  POEMS IN ENGLISH & PORTUGUESE

 

 

ASTRID CABRAL

A poeta Astrid Cabra  numa das sessões magnas da I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASILIA (de 3 a 7 de setembro de 2008), no auditório do Museu Nacional de Brasília.

 

 

CABRAL, Astrid.  Lição de Alice, poemas.  Rio de Janeiro: Philobiblion, 1986.  111 p.  (Coleção Poesia, sempre, 7) 14x21 cm.    Ex. Biblioteca Nacional de Brasília, doação da família de Francisco Marques de Vasconcelos Filho.

 

 

         RITUAL

 

         Todas as tardes
         rego as plantas da casa.
         Peço perdão às árvores
         pelo papel em que planto
         palavras de pedra
         regadas de pranto.

 

 

        

         EVIDENTE SINA

 

         Como a vida irrompia à revelia
         no improviso das linhas tortas
         jogou no lixo a inútil régua
         com que traçava o destino
         a teoria d livre-arbítrio
         amassadinha entre os papéis.

 

 

 

CABRAL, Astrid.  Visgo da terra.    Manaus, AM: Edições Puxirum, 1986.  107 p.  14x21 cm.   Ex. Biblioteca Nacional de Brasília, doação da família de Francisco Marques de Vasconcelos Filho.

 

 

         TAREFAS
        
         Grelam grelam sobre a terra
         os cocos de tucumã.
         Cortam e cortam roseiras
         as saúvas com afã.
         Berram e berram cigarras
         socorro à luta tão vã.
         Jorram e jorram as águas
         da distante Tarumã.
         E rolando vai a terra
         manhã depois de manhã.


 

         BUSCA       

 

Minha infância é hoje
aquele peixe de prata
que me encarregou da mão
como se fosse sabão.
         Mergulho no antigo rio
         atrás do peixe vadio
         —Quem viu? Quem viu?
Minha infância é hoje
aquele papagaio fujão
No ar, sua muda canção.
         Subo nos galhos da goiabeira
         atrás do falaz papagaio
         — Me segura, me segura
         senão eu caio.
        
        

 

 

CABRAL, AstridSobre Escritos. Rastros de leituras.  Manaus, AM: EDUA, 2015.  445 p.  15x23 cm.  ISBN  978-85-7401-798-3    Prefácio: Rita Barbosa de Oliveira. Apresentação: Carlos Antônio Magalhães Guedelha.  A obra dividida em duas seções: “Convivência literária” com textos escritos por Astrid Cabral (resenhas literárias, apresentações de livros, etc) publicados em jornais e revistas; e “Olhar de Narciso”, com texto sobre a autora, principalmente entrevistas.

 

 

Poemas Inéditos

 

BUENA DICHA NO LARGO DO MACHADO

 

Afastai-vos do pedaço

ó coloridas ciganas!

(fecho ambas as mãos em figa)

Seide sobra do passado

fácil é o futuro prever.

Não me adiantam os detalhes

que podeis acrescentar.

São inúteis feito tranças

brincos  pulseiras colar.

Tudo o que a mim interessa

é a volúpia da hora

que passa em pressa veloz.

sob o milagre do olhar.

A tarde desabrochada

em tanta luz provisória

banhando-me corpo e alma

Eu proprietária da terra

enquanto a festa durar!


 

LA BUENA DICHA EN EL LARGO DO MACHADO

             
Versión de Helena Ferreira


!
Apartaos de ese entorno,

oh multicolores gitanas!

(cual una figa* tengo cerradas las manos)

Conozco de sobra el pasado

el futuro resulta fácil prever

De nada me sirven los detalles

a que podéis añadir.

Hecho trenzas inútiles son

aros, pulseras, collares

Todo que a mí me importa

es la voluptuosidad de la hora

que pasa de prisa y corriendo

bajo el milagro de la mirada.

Se abre la tarde

con demasiada luz provisional

bañándome el cuerpo y el alma.

¡Propietaria de la tierra soy

mientras dure la fiesta!

 

 

 

*De origen latino (Picus), es el más antiguo amuleto contra el mal de ojo en forma de mano cerrada, en que el dedo pulgar está entre el índice y el medio.

 


AMOR EN EL PONTÓN

 

Lo confíeso: el amor por ti

no cruzó el mar.

Sólo se mojó las piernas en la espuma,

y temiendo a vagas, dunas

no quiso cabalgar el viento.

 

Lo confieso: el amor por ti

se dejó estar  en  el pontón

sin recorrer puente alguno

Desde Ia tierra saludabas de lejos

a la ventura de otra orilla.

 

Mi amor por ti se quedó a medias

rehén del miedo de riesgo.

Sólo me gustaría pasearme

a bordo de una goleta sin lastre.

Jamás viajar de verdad.


 

AMOR NO PÍER

 

Confesso: o amor por ti

não atravessou o mar.

Só molhou as pernas na espuma

e temendo vagas, dunas

não quis cavalgar o vento.

 

Confesso: o amor por ti

deixou-se ficar no píer

sem percorrer ponte alguma.

Acenavas terra ao longe

a ventura de outra margem.

 

Meu amor ficou no meio

refém do medo de risco.

Queria apenas passeio

a bordo escuna sem lastro.

Nunca a viagem de fato.

 


NO UMBIGO DO RIO

 

Inocente fui pela aragem da manhã

colher flores selvagens, dessas miúdas

de tufos baixos e corolas brancas

dessas que trocam sem problema

o chão dos campos por jarros na sala

até ficarem cinzentas, cobertas de pó.

Assim me extraviei entre moitas

atrás das tais sempre-vivas-do-mato ...

Ao sair do sol entrei num túnel de galhos

que levava à corrente e à pequena praia

de areias alvas como macaxeiras nuas.

Daí entrei num banho de águas castanhas

anoitecendo cada vez mais escuras

e logo me senti envolvida num abraço

que me puxava ao fundo, como se houvesse

alguma armadilha de peixe submersa

meus pés tentando em vão tocar o chão,

o grito quando eu vinha à tona, sumia

abafado no gorgolejo da correnteza,

e o caudal sempre me enrolando brutal

sem que eu pudesse me desvencilhar.

Pensei, em vez de flores quase eternas

vou colher agora a flor da minha morte

no olho deste abismo, no umbigo do rio.

Então deu-se o milagre! Um anjo, saído

do verde ou do céu, me salvou das águas.

Tudo isso aconteceu há meio século

e a paisagem de tão antiga evaporou-se.

Aqui estou vestida com a poeira do tempo

irmã das flores que buscava em meu passeio.

 

(in Visgo da terra)

 


Selecta de Rasos d’água

 

CORAÇÃO COURAÇADO

 

Tempestades em oceanos

ou em copos d'água

e não peço a Deus balsas

barcaças nem praias.

Só um coração couraçado.

Desses que no lombo

das ondas vão sem tombos

o convés em festa.

                            Iluminado.

 


 

CREPÚSCULO

 

Por que esta ânsia de sobreviver

assim se amoita no âmago de mim

sempre que as lerdas pálpebras da noite

baixam nas altas ramas com os morcegos?

Por que o poente assim me abala o eixo

e de fúnebre pompa alma me embrulha

tal qual mortalha um pouco prematura?

Por que me pesa suportar as trevas

que o implacável fim do dia instaura

quando já estagiei em precipícios

saltando trampolins perto de abismos?

Por que morrer me assusta e paralisa

se o que temo perder, de longe sei

nada tem de eldorado ou paraíso?

 



CANÇÃO TRÔPEGA

 

A vida não tem volta.

Sobra o séquito de sombras

e uma canção trôpega

atravessada no peito:

espada, rubra espada

cravada de mau jeito.

Aqueles rapazes esbeltos

ai, estrangularam-se

nas gravatas da rotina.

Ai, crucificaram-se

no lenho das doenças.

Aqueles rapazes tão belos

não fazem mais acrobacias

nem discursos inflamados

Arrastam chinelos e redes

ruminam silêncio amargo.

Um dia fui bela, filha,

digo a surpreendê-la.

Devo provar com retratos

o que tem ar de mentira. 

 


 

METAMORFOSE

 

Ainda nos chamam

pelos mesmos nomes.

Acaso seremos os mesmos

ou é a cegueira alheia?

Éramos formosos

afortunados donos

de sesmarias de sonhos.

Tínhamos frescor de frondes

ímpetos de fontes e fogos

destemor de duelos, dúvidas

que não machucavam quase.

Éramos potros selvagens

farejando precipícios

pelas pastagens do mundo.

 

No curral ainda nos sobra

a noção do tesouro perdido

e essa ração de memória

é a esmola que nos cabe.

 


 

ÁUREOS TEMPOS

 

Áureos tempos aqueles

quando na manhãzinha goiaba

colhíamos no cerrado gabirobas

ainda vestidas de orvalho.

Pés e patas competiam no capim

 pródigo de carrapichos.

Gestos elásticos ultra-rápidos

assustávamos insetos e aves.

Um séquito de suaves súditos

nos seguia em semi-adoração

nós, os príncipes daquele feudo.

Depois, o asfalto rasgou o campo.

Cogumelos de concreto brotaram.

Cresceram as crianças e a cidade.

Anãs ficaram as árvores aos pés

de edifícios colossais. Sumiram

pássaros gabirobas araçás.

Fim de passeios e piqueniques.

Só ficou a fome funda das frutas

no vão sem remissão das bocas .

 


 

CALAMIDADE

 

Águas na sala! Peixes nos quartos!

Quem entenderia?

Degredados das paisagens

contidos em urbanas grades

eles encharcavam

não só os chinelos de lama

a alma também de espanto.

Todos esquecidos

dos troncos derrubados

dos leitos rasos – antepassados

das chuvas dilúvio.

 




MORTE PORÁGUA

Da primeira vez

ninguém se deu conta do perigo.

Até a mãe sorriu pensando

como é dramática essa filha

e reviu-a sob um pé de acácias

desmaiada fingindo-se de morta.

Sorte que aos gritos de socorro

um anjo surgiu de entre as ramas

arrebatando-a ao umbigo do rio.

 

Da segunda vez

a muralha do mar desmoronou-se

mortalha sobre o vulto de sereia.

Mas rolava um tempo de amor cortês

e gestos de bravura. Sem demora

dois cavalheiros surgiram da areia

e cavalgando o dorso das ondas

venceram o monstro marinho

em vassalagem à jovem dama.

 

Da terceira e última vez

no peito sacudido por soluços

os olhos desataram cachoeiras.

Era a alma que morria embarcando

no esquife do filho rumo ao barro.

Dessa vez não escapou ao naufrágio.

Quando o corpo do fundo do poço

boiou, era cadáver ambulante

a alma decepada ao fio da dor.

 

(in Rasos d'água)

(Publicado em 01/02/2006)

 

 

 

ASTRID CABRAL LENDO POEMAS EM BRASILIA

 

Astrid Cabral apresentou-se no evento X BRASA organizado pelos brasilianistas no dia 23 de julho de 2010n em Brasília. Aqui apresentamos a poeta lendo "Água Doce", "O Boto e o Corpo" e "Fim da guerra". Duração: 2: 48 minutos, imagens tomadas por Juvenildo Barbosa Moreira.

 

 

 

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De
CABRAL, Astrid.  Intramuros.  
2ª edição revista pela autora.  Manaus: Valer Editora, 2011. 
114 p.  N. 03 396

 

JOGO DE CASA

 

Sob telhas

      centelhas fagulhas borralho

      olhos-d'água água na talha

Sob telhas

      galhos alhos coalhos

      molhos repolhos toalhas

Sob telhas
                agulhas retalhos
                malhas fitilhos ilhoses

Sob telhas
                rodilhas presilhas
                palmilhas sapatilhas

Sob telhas
                mulheres abelhas
               colheres talheres

Sob telhas
                parelhas filhos filhas
                espelhos ilhas

Sob telhas
                armadilhas navalhas
                batalhas partilhas mortalhas

 

 

 

COMUNHÃO

 

Debulho feijões de corda

como quem debulha auroras.

 

As vagens entre meus dedos

outras falanges mais finas.

 

Terra sol chuvisco lua

no verde ambíguo distingo.

 

Sinto a seiva das neblinas

toco a saliva do orvalho.

 

Penso no abismo da queda

entre paisagem e panela.

 

Caninos trincando auroras

antecipo a comunhão.

 

 

 

De
CABRAL, Astrid.  Palavra na Berlinda. 
Rio de Janeiro:  Ibis Libris, 2011.  60 p  ISBN  978-85-7823-076-0  
Um livro dedicado à metapoesia, metapoemas da autora.

 

PARTO

 

O poema cresce

silente e sutil

resguardado em ventre

feito ser de carne.

 

Palpita discreto

na soturna entranha

de sonho ou vigília

o feto em enigma.

 

Até que maduro

lá do escuro aflora.

Mas sem reduzir

o mistério à luz.


PALAVRA

 Passagem do abstrato
ao vicário real.

Ponte do invisível
ao audiovisual.

Parto da penumbra
ao raiar da aurora.

Paulo do fundo
à própria tona.

Palavra:
alma encarnada.

 

 

 

CABRAL, AstridInfância em franjas.  Poemas de Astrid Cabral.  Rio de Janeiro: editora KD, 2014.  64 p.  ilus. 13x17,5 cm.   Tiragem: 300 exs.  Ex. col. Antonio Miranda 

 

Na chuva

 

Nunca entendi

os guarda-chuvas.

Sombrinhas, sim

abrigavam do sol.

Se o chuveiro do céu

se abria, queria banho.

Corria atrás de maio

sabonete e pente.

Ávida penetrava

as frias cortinas d'água

rio em pé peneirando.

Fechava as pálpebras:

estrelas aterrissassem

falseando em minha face.

Até que voz antipática

me gritasse a ordem:

Já já pra dentro de casa!

 

 

Xixi em nossos pés

 

Era casa só de meninas

bonecas fitas linhas

agulhas vidros de cheiro

batons grampos espelhos.

O menino ficou ali

poucos dias e trouxe

bola estilingue peteca.

Nosso alvoroço pensar

no rabinho entre as pernas

que nem o cachorro Fly

e o macaco xerimbabo.

Foi no sossego da sesta

que ousamos fazer o cerco.

— Mostra a salsicha.

Não se fez de rogado

e começou a fazer xixi

respingando em nossos pés.

 

 

A surpresa da morte

 

Mal entrei em seu quarto

ele parou de respirar.

Dei as costas pensando

é o soninho da sesta

acabou de almoçar...

Logo depois a amiga

me abraçou aos prantos

Papai... papai—morreu...

Dizia haver escapado

a desastres acidentes

de trem avião e carro

naufrágios e incêndios.

(as cicatrizes no peito).

Mas partiria em surdina

dormindo de mansinho

no aconchego de seu leito.

 

Não imaginei que a morte

acontecimento tão grave

pudesse ocorrer suave.

 

 

 

Veja também os vídeos no Youtube:

 

Poema “ÁGUA DOCE” - https://www.youtube.com/watch?v=aWX2jOa5JS4

 

Entrevista na TV Senado: https://www.youtube.com/watch?v=lu9nHdxr74I

 

Autora lê os seus poemas: https://www.youtube.com/watch?v=y5TVo65Ds4s

 

Poema “Água, fonte da vida”: https://www.youtube.com/watch?v=ElB5lE-tsP4

 

“A Senda e a alameda”, documentário: https://www.youtube.com/watch?v=FosqWBtSkmw

 

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

El fuego

 

Junto urdimos la noche

mas su manto de tiniebla

cuando las paredes retroceden

en discretos horizontes

más allá de la cama y en un espacio

de altiplano rodamos

nuestros cuerpos bravíos

de animales sin collar

y juntos encendemos el día

en cascadas de luz

como las centellas que nosotros

seres primitivos forjamos

con la piedra quebrada

de los sexos vivos.

 

 

Lírico y lúbrico

 

Lírico y lúbrico

el amor brota lirios

y tritura pulpas frutales.

De luz centellea el encuentro

en que a fondo nos probamos

curvas de carne y bosques de pelo.

Más allá, arrancado el tiempo

rueda expulsado del cielo

que en el suelo conquistamos.

Y nos sentimos pájaros

donde plumas de nubes

sobre el dorso posaran.

Y nos probamos raíces

investigando a la tierra

en su secreto de barro.

Y prisioneros somos

entre próximos cristales

de estrellas y ríos.

 

 

Desastres de amor

 

Mujer tetera de loza

se deja agarrar por el asa

y vierte sudor y sangre

en cantidades exactas.

Di con la nariz

en la puerta de tu corazón.

Fue sangría desatándose

y la puerta de primeros auxilios

también encontré cerrada.

Le dije a mi corazón:

Tranquilo pues todo pasa.

La nada no es perdición

sino un estado de gracia.

Desde que el mundo es mundo

el destino:

el amor, centella

que hace el incendio

y la ceniza.

 

 

Poemas extraídos de ALFORJA – REVISTA DE POESÍA, México, n. XIX invierno 2001, de una edición dedicada al Brasil, con selección de Floriano Martins.

 

 


 


 

 

 
 
 
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